Assassino das Faces - J. A. de Nardo
J. A. de Nardo
João decidiu dar vida aos seus mórbidos pesadelos e compartilhar feitos e devaneios nada memoráveis com o público. 
O medo, o estranho e o cotidiano banal são as suas inspirações para a escrita. Escreve como uma forma de canalizar seus sentimentos, da forma mais clichê possível. 
Se perde em pensamento abstratos e overdoses filosóficas, crê que o horror é um universo a ser explorado, e o pavor é o sentimento mais puro a ser sentido. Se perde também em alguns pseudônimos para poder escrever o que há de mais bizarro em si, não gosta muito de mostrar o rosto para não perturbar os leitores, usa máscaras como referência ao baile de máscaras do plano físico. 
Diretor da Revista Aterrorizante e autor de algumas obras em conjunto e originais nada comuns, sempre terror com doses de perturbação e humor negro.
Sua conquista mais memorável foi um concurso de poesias quando tinha 10 anos, desde então vem colecionando fracassos e insucessos. Muitas vezes confundido com um demônio sem função na terra, transita entre funções aleatórias, como um traficante de inutilidades ou vendedor de ideias natimortas. 
Email: Jaoanm@gmail.com 
Instagram: @joaodenardo






Assassino das Faces

Ouço o choro vindo de algum lugar na escuridão. Ele é cansado, pesaroso e entrecortado. Isso porque, apesar das minhas falhas como ser humano me sinto apenas como um cara incompreendido. Alguém que se afundou em muitas lágrimas enquanto crescia e olhava no espelho incapaz de reconhecer o próprio reflexo.

“Malditos!”

Naquela noite tempestuosa, se o asfalto não estivesse feito ringue de patinação, meu finado pai não teria perdido o controle do carro e invadido a outra pista. Estávamos bem, embora o susto grande tivesse feito com que minhas calças se molhassem um pouco. Eu era criança, por volta dos 12 anos.

Mas quisera o destino me torturar, e então veio aquela merda de caminhão em alta velocidade e atingiu nosso carro em cheio, nos prensando contra o acostamento, fazendo  o veículo cair numa ribanceira. Por sorte mamãe usava o cinto, meu pai soltara do carro, pois, quando nosso veículo deslizou no asfalto, ele o desprendeu para ver como eu estava. Eu? Pobre de mim. Aquela hora eu já estava desmaiado, não vi nada, soube de bocas alheias, que o caminhão me atingiu em cheio.

Eu fiquei preso nas ferragens… e foi um “quase milagre eu ter sobrevivido. Mas me pergunto: foi bom ou ruim? Porque o que eu me tornei durante todos esses anos de sobrevivência não pode ter sido obra de Deus, não, claro que não.

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J. A. de Nardo
Assassino das Faces

Ouço o choro vindo de algum lugar na escuridão. Ele é cansado, pesaroso e entrecortado. Isso porque, apesar das minhas falhas como ser humano me sinto apenas como um cara incompreendido. Alguém que se afundou em muitas lágrimas enquanto crescia e olhava no espelho incapaz de reconhecer o próprio reflexo.

“Malditos!”

Naquela noite tempestuosa, se o asfalto não estivesse feito ringue de patinação, meu finado pai não teria perdido o controle do carro e invadido a outra pista. Estávamos bem, embora o susto grande tivesse feito com que minhas calças se molhassem um pouco. Eu era criança, por volta dos 12 anos.

Mas quisera o destino me torturar, e então veio aquela merda de caminhão em alta velocidade e atingiu nosso carro em cheio, nos prensando contra o acostamento, fazendo  o veículo cair numa ribanceira. Por sorte mamãe usava o cinto, meu pai soltara do carro, pois, quando nosso veículo deslizou no asfalto, ele o desprendeu para ver como eu estava. Eu? Pobre de mim. Aquela hora eu já estava desmaiado, não vi nada, soube de bocas alheias, que o caminhão me atingiu em cheio.

Eu fiquei preso nas ferragens… e foi um “quase milagre eu ter sobrevivido. Mas me pergunto: foi bom ou ruim? Porque o que eu me tornei durante todos esses anos de sobrevivência não pode ter sido obra de Deus, não, claro que não.

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