Devaneios - J. A. de Nardo
J. A. de Nardo
João decidiu dar vida aos seus mórbidos pesadelos e compartilhar feitos e devaneios nada memoráveis com o público. 
O medo, o estranho e o cotidiano banal são as suas inspirações para a escrita. Escreve como uma forma de canalizar seus sentimentos, da forma mais clichê possível. 
Se perde em pensamento abstratos e overdoses filosóficas, crê que o horror é um universo a ser explorado, e o pavor é o sentimento mais puro a ser sentido. Se perde também em alguns pseudônimos para poder escrever o que há de mais bizarro em si, não gosta muito de mostrar o rosto para não perturbar os leitores, usa máscaras como referência ao baile de máscaras do plano físico. 
Diretor da Revista Aterrorizante e autor de algumas obras em conjunto e originais nada comuns, sempre terror com doses de perturbação e humor negro.
Sua conquista mais memorável foi um concurso de poesias quando tinha 10 anos, desde então vem colecionando fracassos e insucessos. Muitas vezes confundido com um demônio sem função na terra, transita entre funções aleatórias, como um traficante de inutilidades ou vendedor de ideias natimortas. 
Email: Jaoanm@gmail.com 
Instagram: @joaodenardo






Devaneios

– Estou cansado das suas tentativas de me enganar. Olhe pro seu maldito corpo magro… Olhe pra essas cicatrizes, todo o sangue que lhe derramei, não seria melhor se entregar logo? Toda a água que você não bebe durante o dia eu te faço tomar durante um dos inúmeros afogamentos. Faça o que é melhor para você.

– Eu não sou quem vocês querem, por favor…

Um tapa forte no rosto interrompe a fala.

– Acho que sua hora já chegou, não me sobraram mais unhas ou dentes para arrancar, estão todos no chão ao seu lado, do jeito que uma pessoa do seu tipo merece.

 

A última sessão de tortura é realizada no pobre jovem que mal pode se mexer. Seu ânus é penetrado violentamente por um grande cano enferrujado, o mesmo onde por ali era a passagem de baratas e ratos que aos poucos devoravam seus lábios. Seu sangue escorria junto com lágrimas, não aguentava mais tanto sofrimento. Seus dedos foram arrancados um por um, com um daqueles facões que cortam carne de gado. Ele era tratado como o pior dos criminosos e não sabia o motivo.

Teve seu rosto afundado em um balde de água, e após desmaiar veio de volta à vida. Ele já não queria mais isso, implorava pela morte que antes temia. A esperança se foi assim como seus membros iam-se aos poucos.

Os homens se divertiam ao ver o rapaz definhando, sua vida esvaia tal como qualquer chance de escapar.

Por último quando já sem vida, uma corda lhe foi amarrada no pescoço, simulando um suicídio. Para assim os oficiais bem vestidos subirem as escadas que levavam àquele porão e voltarem felizes para suas respectivas casas, sem maiores preocupações. Um jantar com a família, no qual deveriam ter um filho de mesma idade.

 

Ele antes adorava histórias de terror, se acostumou com o sangue espirrado e as situações de desconforto, porém descobriu que nenhuma história de horror é pior do que a vida real.

Não existe horror maior que a repressão e os abusos cometidos pelos ditos poderosos, que no final, serão vangloriando como heróis. E no final as vítimas serão deixadas de lado como apenas números.

Você se lembra dos assassinos e não dos que sofreram em suas mãos.

Páginas: 1 2 3 4 5

J. A. de Nardo
Devaneios

– Estou cansado das suas tentativas de me enganar. Olhe pro seu maldito corpo magro… Olhe pra essas cicatrizes, todo o sangue que lhe derramei, não seria melhor se entregar logo? Toda a água que você não bebe durante o dia eu te faço tomar durante um dos inúmeros afogamentos. Faça o que é melhor para você.

– Eu não sou quem vocês querem, por favor…

Um tapa forte no rosto interrompe a fala.

– Acho que sua hora já chegou, não me sobraram mais unhas ou dentes para arrancar, estão todos no chão ao seu lado, do jeito que uma pessoa do seu tipo merece.

 

A última sessão de tortura é realizada no pobre jovem que mal pode se mexer. Seu ânus é penetrado violentamente por um grande cano enferrujado, o mesmo onde por ali era a passagem de baratas e ratos que aos poucos devoravam seus lábios. Seu sangue escorria junto com lágrimas, não aguentava mais tanto sofrimento. Seus dedos foram arrancados um por um, com um daqueles facões que cortam carne de gado. Ele era tratado como o pior dos criminosos e não sabia o motivo.

Teve seu rosto afundado em um balde de água, e após desmaiar veio de volta à vida. Ele já não queria mais isso, implorava pela morte que antes temia. A esperança se foi assim como seus membros iam-se aos poucos.

Os homens se divertiam ao ver o rapaz definhando, sua vida esvaia tal como qualquer chance de escapar.

Por último quando já sem vida, uma corda lhe foi amarrada no pescoço, simulando um suicídio. Para assim os oficiais bem vestidos subirem as escadas que levavam àquele porão e voltarem felizes para suas respectivas casas, sem maiores preocupações. Um jantar com a família, no qual deveriam ter um filho de mesma idade.

 

Ele antes adorava histórias de terror, se acostumou com o sangue espirrado e as situações de desconforto, porém descobriu que nenhuma história de horror é pior do que a vida real.

Não existe horror maior que a repressão e os abusos cometidos pelos ditos poderosos, que no final, serão vangloriando como heróis. E no final as vítimas serão deixadas de lado como apenas números.

Você se lembra dos assassinos e não dos que sofreram em suas mãos.

Páginas: 1 2 3 4 5