O Crime e o Corvo - J. A. de Nardo
J. A. de Nardo
João decidiu dar vida aos seus mórbidos pesadelos e compartilhar feitos e devaneios nada memoráveis com o público. 
O medo, o estranho e o cotidiano banal são as suas inspirações para a escrita. Escreve como uma forma de canalizar seus sentimentos, da forma mais clichê possível. 
Se perde em pensamento abstratos e overdoses filosóficas, crê que o horror é um universo a ser explorado, e o pavor é o sentimento mais puro a ser sentido. Se perde também em alguns pseudônimos para poder escrever o que há de mais bizarro em si, não gosta muito de mostrar o rosto para não perturbar os leitores, usa máscaras como referência ao baile de máscaras do plano físico. 
Diretor da Revista Aterrorizante e autor de algumas obras em conjunto e originais nada comuns, sempre terror com doses de perturbação e humor negro.
Sua conquista mais memorável foi um concurso de poesias quando tinha 10 anos, desde então vem colecionando fracassos e insucessos. Muitas vezes confundido com um demônio sem função na terra, transita entre funções aleatórias, como um traficante de inutilidades ou vendedor de ideias natimortas. 
Email: Jaoanm@gmail.com 
Instagram: @joaodenardo






O Crime e o Corvo

Cansei-me de ser taxado por inúmeros nomes.. Entre eles: excêntrico, maluco, insano…

Apesar de tantos julgamentos ninguém realmente sabe o que se passou naquela fatídica noite de inverno. Era frio e existia um clima melancólico, típico de um mês solitário de abril.

A neve cairia, e estávamos sozinhos no nosso pequeno e aconchegante chalé, ele ficava a umas boas horas da cidade. O frio era intenso nessa época e tentávamos nos manter sempre aquecidos ao lado de uma lareira

Decidi fazer uma viagem com meu velho carro até a pequena vila mais próxima, foi uma viagem monótona acompanhada por uma trilha melancólica das rádios, o velho blues que esquentava corações também entristecia em certas ocasiões. Eu precisava comprar suprimentos para nos mantermos bem no rigoroso frio que se seguiria, para não precisar ser torturado em cada momento fora de casa durante a nevasca.

Morava com a minha amada Liz, uma bela mulher com quem me casara à longos anos. Nos conhecemos em um café, eu posso lembrar.. A máquina havia tido um problema, e eu fui gentil em oferecer o meu cappuccino a ela, a partir daí passamos a conversar e a afinidade foi imensa a partir daí. Me perguntei inúmeras vezes o que teria acontecido em minha vida se eu não fosse à aquele determinado Coffee Shop naquela manhã, eu teria encontrado o meu amor? Seria tudo uma peça do destino?

Enfim, conversamos muito naquela manhã, o seu sorriso e olhar me cativavam, ela usava um cachecol rubro, no qual eu lembro até hoje do cheiro doce que continha. Passamos a trocar mensagens, telefonemas.. Nos aproximamos de uma maneira extraordinariamente rápida, foi questão de tempo para noivarmos e enfim casarmos. Foi uma festa simples, no campo. Apenas convidados mais íntimos puderam ver o nosso beijo de sim sob um jardim de lírios que resplandecia, era lindo ver a nossa felicidade, todos nossos amigos poderiam ver a mais pura alegria e sentiam que era eterno.

Páginas: 1 2 3 4 5

J. A. de Nardo
O Crime e o Corvo

Cansei-me de ser taxado por inúmeros nomes.. Entre eles: excêntrico, maluco, insano…

Apesar de tantos julgamentos ninguém realmente sabe o que se passou naquela fatídica noite de inverno. Era frio e existia um clima melancólico, típico de um mês solitário de abril.

A neve cairia, e estávamos sozinhos no nosso pequeno e aconchegante chalé, ele ficava a umas boas horas da cidade. O frio era intenso nessa época e tentávamos nos manter sempre aquecidos ao lado de uma lareira

Decidi fazer uma viagem com meu velho carro até a pequena vila mais próxima, foi uma viagem monótona acompanhada por uma trilha melancólica das rádios, o velho blues que esquentava corações também entristecia em certas ocasiões. Eu precisava comprar suprimentos para nos mantermos bem no rigoroso frio que se seguiria, para não precisar ser torturado em cada momento fora de casa durante a nevasca.

Morava com a minha amada Liz, uma bela mulher com quem me casara à longos anos. Nos conhecemos em um café, eu posso lembrar.. A máquina havia tido um problema, e eu fui gentil em oferecer o meu cappuccino a ela, a partir daí passamos a conversar e a afinidade foi imensa a partir daí. Me perguntei inúmeras vezes o que teria acontecido em minha vida se eu não fosse à aquele determinado Coffee Shop naquela manhã, eu teria encontrado o meu amor? Seria tudo uma peça do destino?

Enfim, conversamos muito naquela manhã, o seu sorriso e olhar me cativavam, ela usava um cachecol rubro, no qual eu lembro até hoje do cheiro doce que continha. Passamos a trocar mensagens, telefonemas.. Nos aproximamos de uma maneira extraordinariamente rápida, foi questão de tempo para noivarmos e enfim casarmos. Foi uma festa simples, no campo. Apenas convidados mais íntimos puderam ver o nosso beijo de sim sob um jardim de lírios que resplandecia, era lindo ver a nossa felicidade, todos nossos amigos poderiam ver a mais pura alegria e sentiam que era eterno.

Páginas: 1 2 3 4 5