O Crime e o Corvo - J. A. de Nardo
J. A. de Nardo
João decidiu dar vida aos seus mórbidos pesadelos e compartilhar feitos e devaneios nada memoráveis com o público. 
O medo, o estranho e o cotidiano banal são as suas inspirações para a escrita. Escreve como uma forma de canalizar seus sentimentos, da forma mais clichê possível. 
Se perde em pensamento abstratos e overdoses filosóficas, crê que o horror é um universo a ser explorado, e o pavor é o sentimento mais puro a ser sentido. Se perde também em alguns pseudônimos para poder escrever o que há de mais bizarro em si, não gosta muito de mostrar o rosto para não perturbar os leitores, usa máscaras como referência ao baile de máscaras do plano físico. 
Diretor da Revista Aterrorizante e autor de algumas obras em conjunto e originais nada comuns, sempre terror com doses de perturbação e humor negro.
Sua conquista mais memorável foi um concurso de poesias quando tinha 10 anos, desde então vem colecionando fracassos e insucessos. Muitas vezes confundido com um demônio sem função na terra, transita entre funções aleatórias, como um traficante de inutilidades ou vendedor de ideias natimortas. 
Email: Jaoanm@gmail.com 
Instagram: @joaodenardo






O Crime e o Corvo

Avistei o corvo, e ele está lá inerte, paralisado me encarando com seus olhos negros. Perguntei se ele queria algo de mim, e porque me observava, ele continuou a olhar como se pudesse responder responder através dos olhos, encarando a minha alma. Acabei desistindo de tentar me comunicar com a ave, e percebi que se tratava de uma coincidência ela ter entrado, caminhei até a cozinha para terminar o meu café, e quando me dei conta a ave estava parada sob a mesa, novamente me encarando. Como ela veio tão rápida e silenciosa sem eu perceber? Eu cogitei a possibilidade de estar louco.

– O que queres aqui? Esbravejei. Quem és você?

Foi então que tive o maior espanto de toda minha vida, a ave se inclinou e respondera:

– Sabes quem sou e também porque estou aqui.

Fiquei boquiaberto, como podes uma ave falar?

– És um demônio? Emissário de alguma bruxa? Perguntei, com a voz trêmula e olhos arregalados.

– Sabes quem sou e também porque estou aqui. Disse a ave mais uma vez.

A chuva lá fora se tornara uma tempestade, raios e trovões assolavam a noite gélida de dezembro, e ali estava eu, a beira da loucura, mergulhando em minha insanidade enquanto falava com aquele demônio, ou seja lá o que fosse, vestindo aquela pele e aquelas penas de corvo.

Logo pensei que fosse um castigo por tudo que fizera com minha mulher, “Isso!”, só poderia ser isso. Disse então à pequena besta que se encontrava na parte mais alta de minha prateleira, eu iria pedir perdão para minha esposa.

Fui então até o quarto e uma vez mais aquela criatura infernal chegara antes de mim.

Chamei minha esposa, Liz estava sem forças e mal conseguia respirar, olhei para o chão e notei então o pequeno frasco com a tampa aberta, que ali estava, logo percebi o que estava acontecendo, aquele demônio era, na verdade, um anjo enviado pelo Senhor para que eu pudesse ajudar minha esposa e retomar meu casamento, porém era tarde demais, Liz já não estava mais ali quando sentei ao seu lado, quis me desculpar por todas as tristezas e mágoas que havia lhe causado.

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J. A. de Nardo
O Crime e o Corvo

Avistei o corvo, e ele está lá inerte, paralisado me encarando com seus olhos negros. Perguntei se ele queria algo de mim, e porque me observava, ele continuou a olhar como se pudesse responder responder através dos olhos, encarando a minha alma. Acabei desistindo de tentar me comunicar com a ave, e percebi que se tratava de uma coincidência ela ter entrado, caminhei até a cozinha para terminar o meu café, e quando me dei conta a ave estava parada sob a mesa, novamente me encarando. Como ela veio tão rápida e silenciosa sem eu perceber? Eu cogitei a possibilidade de estar louco.

– O que queres aqui? Esbravejei. Quem és você?

Foi então que tive o maior espanto de toda minha vida, a ave se inclinou e respondera:

– Sabes quem sou e também porque estou aqui.

Fiquei boquiaberto, como podes uma ave falar?

– És um demônio? Emissário de alguma bruxa? Perguntei, com a voz trêmula e olhos arregalados.

– Sabes quem sou e também porque estou aqui. Disse a ave mais uma vez.

A chuva lá fora se tornara uma tempestade, raios e trovões assolavam a noite gélida de dezembro, e ali estava eu, a beira da loucura, mergulhando em minha insanidade enquanto falava com aquele demônio, ou seja lá o que fosse, vestindo aquela pele e aquelas penas de corvo.

Logo pensei que fosse um castigo por tudo que fizera com minha mulher, “Isso!”, só poderia ser isso. Disse então à pequena besta que se encontrava na parte mais alta de minha prateleira, eu iria pedir perdão para minha esposa.

Fui então até o quarto e uma vez mais aquela criatura infernal chegara antes de mim.

Chamei minha esposa, Liz estava sem forças e mal conseguia respirar, olhei para o chão e notei então o pequeno frasco com a tampa aberta, que ali estava, logo percebi o que estava acontecendo, aquele demônio era, na verdade, um anjo enviado pelo Senhor para que eu pudesse ajudar minha esposa e retomar meu casamento, porém era tarde demais, Liz já não estava mais ali quando sentei ao seu lado, quis me desculpar por todas as tristezas e mágoas que havia lhe causado.

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