O Crime e o Corvo - J. A. de Nardo
J. A. de Nardo
João decidiu dar vida aos seus mórbidos pesadelos e compartilhar feitos e devaneios nada memoráveis com o público. 
O medo, o estranho e o cotidiano banal são as suas inspirações para a escrita. Escreve como uma forma de canalizar seus sentimentos, da forma mais clichê possível. 
Se perde em pensamento abstratos e overdoses filosóficas, crê que o horror é um universo a ser explorado, e o pavor é o sentimento mais puro a ser sentido. Se perde também em alguns pseudônimos para poder escrever o que há de mais bizarro em si, não gosta muito de mostrar o rosto para não perturbar os leitores, usa máscaras como referência ao baile de máscaras do plano físico. 
Diretor da Revista Aterrorizante e autor de algumas obras em conjunto e originais nada comuns, sempre terror com doses de perturbação e humor negro.
Sua conquista mais memorável foi um concurso de poesias quando tinha 10 anos, desde então vem colecionando fracassos e insucessos. Muitas vezes confundido com um demônio sem função na terra, transita entre funções aleatórias, como um traficante de inutilidades ou vendedor de ideias natimortas. 
Email: Jaoanm@gmail.com 
Instagram: @joaodenardo






O Crime e o Corvo

– Porque não avisaste mais cedo? Não és tu um anjo do senhor? Ou é mesmo um demônio enviado das entranhas do inferno? Indaguei.

– Sabes quem sou e porque estou aqui. Disse novamente aquele ser maldito.

– Não sei quem és e nem o que queres de mim, me diga logo o motivo de sua visita infernal.

Fechei meu olhos e coloquei-me a chorar, mas quando os abri não consegui acredita no que via, teria eu mergulhado definitivamente no poço da loucura? Não havia como aquilo ter acontecido.

Estava eu, sentado diante a porta da entrada, segurando um galão vazio e uma caixa de fósforos, enquanto minha casa ardia em chamas, assim como os confins do inferno.

Como isso poderia ser real? Nada do que vivencei com aquela maldita ave fora verdade?

Olhei para a árvore e lá estava o demoníaco corvo, me olhando com ar de satisfação. Pouco tempo depois chegaram a polícia e os bombeiros, e de nada mais consegui me lembrar. Me disseram que quando me encontraram, estava eu a gritar com uma suposta ave que ninguém mais via, dizendo que tudo era culpa daquela criatura bestial.

Vários anos se passaram desde então, e aqui estou eu nessa cela, condenado por queimar minha casa e por matar minha esposa, que se encontrava dormindo no momento do incêndio. Ela havia escrito uma carta para sua família, onde contara sobre nossa pobre relação, e que estava com medo de que eu pudesse fazer algo de ruim a ela.

Ainda hoje falo com esse ser maldito, que é o verdadeiro culpado pelo crime que cometi, mas sua resposta é sempre a mesma:

“Sabes quem sou e porque estou aqui.”

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J. A. de Nardo
O Crime e o Corvo

– Porque não avisaste mais cedo? Não és tu um anjo do senhor? Ou é mesmo um demônio enviado das entranhas do inferno? Indaguei.

– Sabes quem sou e porque estou aqui. Disse novamente aquele ser maldito.

– Não sei quem és e nem o que queres de mim, me diga logo o motivo de sua visita infernal.

Fechei meu olhos e coloquei-me a chorar, mas quando os abri não consegui acredita no que via, teria eu mergulhado definitivamente no poço da loucura? Não havia como aquilo ter acontecido.

Estava eu, sentado diante a porta da entrada, segurando um galão vazio e uma caixa de fósforos, enquanto minha casa ardia em chamas, assim como os confins do inferno.

Como isso poderia ser real? Nada do que vivencei com aquela maldita ave fora verdade?

Olhei para a árvore e lá estava o demoníaco corvo, me olhando com ar de satisfação. Pouco tempo depois chegaram a polícia e os bombeiros, e de nada mais consegui me lembrar. Me disseram que quando me encontraram, estava eu a gritar com uma suposta ave que ninguém mais via, dizendo que tudo era culpa daquela criatura bestial.

Vários anos se passaram desde então, e aqui estou eu nessa cela, condenado por queimar minha casa e por matar minha esposa, que se encontrava dormindo no momento do incêndio. Ela havia escrito uma carta para sua família, onde contara sobre nossa pobre relação, e que estava com medo de que eu pudesse fazer algo de ruim a ela.

Ainda hoje falo com esse ser maldito, que é o verdadeiro culpado pelo crime que cometi, mas sua resposta é sempre a mesma:

“Sabes quem sou e porque estou aqui.”

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