Um Psicopata - J. A. de Nardo
J. A. de Nardo
João decidiu dar vida aos seus mórbidos pesadelos e compartilhar feitos e devaneios nada memoráveis com o público. 
O medo, o estranho e o cotidiano banal são as suas inspirações para a escrita. Escreve como uma forma de canalizar seus sentimentos, da forma mais clichê possível. 
Se perde em pensamento abstratos e overdoses filosóficas, crê que o horror é um universo a ser explorado, e o pavor é o sentimento mais puro a ser sentido. Se perde também em alguns pseudônimos para poder escrever o que há de mais bizarro em si, não gosta muito de mostrar o rosto para não perturbar os leitores, usa máscaras como referência ao baile de máscaras do plano físico. 
Diretor da Revista Aterrorizante e autor de algumas obras em conjunto e originais nada comuns, sempre terror com doses de perturbação e humor negro.
Sua conquista mais memorável foi um concurso de poesias quando tinha 10 anos, desde então vem colecionando fracassos e insucessos. Muitas vezes confundido com um demônio sem função na terra, transita entre funções aleatórias, como um traficante de inutilidades ou vendedor de ideias natimortas. 
Email: Jaoanm@gmail.com 
Instagram: @joaodenardo






Um Psicopata

O sol desce por um céu alaranjado num cenário onde os casais de jovens iriam adorar trocar longos beijos. Como é costume eu prefiro estar sozinho, meus olhos que passaram recentemente por uma cirurgia de correção de vista, agora enxergam perfeitamente. Para alcançar alguma espécie de perfeição, só precisava disso: Os olhos sãos. Talvez não reste mais nada a conquistar.

Caminho sob passos calmos pelas ruas enquanto observo tudo o que gostaria de mudar. As mãos contraídas dentro dos bolsos da calça, tentam controlar a minha ansiedade. De alguma forma, as casas estão erradas. Como as pessoas podem sustentar gostos tão duvidosos? A arquitetura da cidade é cafona, se pudesse, derrubaria tudo para refazer. Tornaria tudo perfeito, simetricamente genial. É difícil ter que conviver com o mau gosto estampado ao redor.

Era para ser mais um passeio matinal depois do café, na padaria da esquina, mas volto a sentir náusea diante da feiura do mundo. Não consigo sequer caminhar até a orla da praia, por isso, volto para casa e tomo uma leve ducha depois da série de abdominais que faço para eliminar a gordura dos croissants.

Na televisão está passando mais um programa fútil, desses que não acrescentam nada na minha vida. Eu preciso de algo novo, o tédio está invadindo todas as lacunas da minha existência, deixando tudo duvidoso e torto. Eu pratico mais exercícios, o físico de 65kg em um corpo de 1,70 é o ideal para mim, porém, sempre busco mais. Estou sempre em busca de algo inatingível, alguns me chamam de perfeccionista, mas creio que sou apenas um pouco exigente.

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J. A. de Nardo
Um Psicopata

O sol desce por um céu alaranjado num cenário onde os casais de jovens iriam adorar trocar longos beijos. Como é costume eu prefiro estar sozinho, meus olhos que passaram recentemente por uma cirurgia de correção de vista, agora enxergam perfeitamente. Para alcançar alguma espécie de perfeição, só precisava disso: Os olhos sãos. Talvez não reste mais nada a conquistar.

Caminho sob passos calmos pelas ruas enquanto observo tudo o que gostaria de mudar. As mãos contraídas dentro dos bolsos da calça, tentam controlar a minha ansiedade. De alguma forma, as casas estão erradas. Como as pessoas podem sustentar gostos tão duvidosos? A arquitetura da cidade é cafona, se pudesse, derrubaria tudo para refazer. Tornaria tudo perfeito, simetricamente genial. É difícil ter que conviver com o mau gosto estampado ao redor.

Era para ser mais um passeio matinal depois do café, na padaria da esquina, mas volto a sentir náusea diante da feiura do mundo. Não consigo sequer caminhar até a orla da praia, por isso, volto para casa e tomo uma leve ducha depois da série de abdominais que faço para eliminar a gordura dos croissants.

Na televisão está passando mais um programa fútil, desses que não acrescentam nada na minha vida. Eu preciso de algo novo, o tédio está invadindo todas as lacunas da minha existência, deixando tudo duvidoso e torto. Eu pratico mais exercícios, o físico de 65kg em um corpo de 1,70 é o ideal para mim, porém, sempre busco mais. Estou sempre em busca de algo inatingível, alguns me chamam de perfeccionista, mas creio que sou apenas um pouco exigente.

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