Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
J. L. Silva
J. L. Silva nasceu em 6 de março de 1990, é natural de São Paulo, capital, porém, reside atualmente na cidade de Sorocaba. É professor de português,jornalista, dramaturgo, roteirista e empresário, proprietário de uma empresa cultural, pela qual ministra oficinas e palestras sobre análise e criação literária. Intitula-se amante das Letras e da literatura brasileira clássica, porém, sempre fora apaixonado pela literatura fantástica e as histórias de terror. Acredita que não se deve haver distinções aos gêneros literários, por isso, procura escrever todos os tipos de textos, inclusive considera-se um poeta de nascença.
Ganhou alguns concursos literários, em prosa e poesia, e participou de algumas antologias de literatura fantástica. Desde os 8 anos queria ser escritor, arriscava-se a escrever histórias e poemas infantis, porém, somente em 2016 estreou na literatura nacional.
Autor dos livros: Velhos Suicidas (Editora Penalux, poemas, 2016), Da Infância à Inconstância (Amazon, poemas, 2016), A Bruxa de Itaquera (Editora Multifoco, contos, 2016) e Lira dos Vinte e Poucos Anos (Amazon, poemas, 2017).
E-mail: jlennonsmith@hotmail.com
Facebook: facebook.com/j.lennonsmith






A Mãe Garimpeira – Parte 2

– E é isso mesmo que eu farei! – disse o velho, ofendido. Juntou suas coisas na bolsa de couro e foi saindo do acampamento. – Pois não sou seu escravo.

– Escravo não é mesmo – disse o capitão ironicamente –, pois se fosse já teria lhe colocado no tronco. E antes de sair, deixe as ferramentas.

– Nunca! Elas são minhas, eu comprei com o ouro que paguei você – disse o velho, irritado.

– Elas ficam como pagamento desta semana que permaneceu aqui sem gerar lucro algum – disse-lhe tirando o saco de ferramentas das suas mãos. – Como aluguel da tenda e pagamento pelas suas refeições.

– Mas… Mas…

– Mas nada! Vá embora logo daqui antes que eu lhe dê um tiro no meio da cara – disse apontando a arma para Tito. – E você também – emendou voltando à espingarda a João. – Fora daqui!

– Mas eu não tive culpa de nada – disse com os olhos arregalados.

– Não importa, não quero mais brigas no meu acampamento e você não passa de um moleque briguento, dê o fora agora – falou erguendo a arma no ar.

BAM!

Atirou para cima mais uma vez, fazendo com que os dois homens fossem embora correndo do acampamento, sem nada, assim como entraram. José se desanimou só de imaginar que o Velho Tito um dia fora um dos melhores e mais experientes garimpeiros que houvera naquele acampamento e que no fim acabou sem nada. O homem foi descartado pelo capitão sem nem pensar duas vezes, sem nenhum remorso! O que será de mim se não conseguir achar alguma coisa?

José desistira e já recolhia suas ferramentas pensando em seu triste destino no dia seguinte, mas, de repente, uma ideia surgiu na sua cabeça. A pepita que caiu das mãos de Tito, ela ainda deve estar ali, só tenho que procurá-la. E, assim, começou a peneirar todo o terreno de areia e cascalho onde vira o ouro cair. Passou duas horas procurando o ouro, e o frio já gelava até seus ossos. Assim são as serras de Minas, pensou, de dia são quentes, mas, à noite, frias; e, naquele caso, também úmidas.

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J. L. Silva
A Mãe Garimpeira – Parte 2

– E é isso mesmo que eu farei! – disse o velho, ofendido. Juntou suas coisas na bolsa de couro e foi saindo do acampamento. – Pois não sou seu escravo.

– Escravo não é mesmo – disse o capitão ironicamente –, pois se fosse já teria lhe colocado no tronco. E antes de sair, deixe as ferramentas.

– Nunca! Elas são minhas, eu comprei com o ouro que paguei você – disse o velho, irritado.

– Elas ficam como pagamento desta semana que permaneceu aqui sem gerar lucro algum – disse-lhe tirando o saco de ferramentas das suas mãos. – Como aluguel da tenda e pagamento pelas suas refeições.

– Mas… Mas…

– Mas nada! Vá embora logo daqui antes que eu lhe dê um tiro no meio da cara – disse apontando a arma para Tito. – E você também – emendou voltando à espingarda a João. – Fora daqui!

– Mas eu não tive culpa de nada – disse com os olhos arregalados.

– Não importa, não quero mais brigas no meu acampamento e você não passa de um moleque briguento, dê o fora agora – falou erguendo a arma no ar.

BAM!

Atirou para cima mais uma vez, fazendo com que os dois homens fossem embora correndo do acampamento, sem nada, assim como entraram. José se desanimou só de imaginar que o Velho Tito um dia fora um dos melhores e mais experientes garimpeiros que houvera naquele acampamento e que no fim acabou sem nada. O homem foi descartado pelo capitão sem nem pensar duas vezes, sem nenhum remorso! O que será de mim se não conseguir achar alguma coisa?

José desistira e já recolhia suas ferramentas pensando em seu triste destino no dia seguinte, mas, de repente, uma ideia surgiu na sua cabeça. A pepita que caiu das mãos de Tito, ela ainda deve estar ali, só tenho que procurá-la. E, assim, começou a peneirar todo o terreno de areia e cascalho onde vira o ouro cair. Passou duas horas procurando o ouro, e o frio já gelava até seus ossos. Assim são as serras de Minas, pensou, de dia são quentes, mas, à noite, frias; e, naquele caso, também úmidas.

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