Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
J. L. Silva
J. L. Silva nasceu em 6 de março de 1990, é natural de São Paulo, capital, porém, reside atualmente na cidade de Sorocaba. É professor de português,jornalista, dramaturgo, roteirista e empresário, proprietário de uma empresa cultural, pela qual ministra oficinas e palestras sobre análise e criação literária. Intitula-se amante das Letras e da literatura brasileira clássica, porém, sempre fora apaixonado pela literatura fantástica e as histórias de terror. Acredita que não se deve haver distinções aos gêneros literários, por isso, procura escrever todos os tipos de textos, inclusive considera-se um poeta de nascença.
Ganhou alguns concursos literários, em prosa e poesia, e participou de algumas antologias de literatura fantástica. Desde os 8 anos queria ser escritor, arriscava-se a escrever histórias e poemas infantis, porém, somente em 2016 estreou na literatura nacional.
Autor dos livros: Velhos Suicidas (Editora Penalux, poemas, 2016), Da Infância à Inconstância (Amazon, poemas, 2016), A Bruxa de Itaquera (Editora Multifoco, contos, 2016) e Lira dos Vinte e Poucos Anos (Amazon, poemas, 2017).
E-mail: jlennonsmith@hotmail.com
Facebook: facebook.com/j.lennonsmith






A Trindade de Maria

– Força! Faça força, mulher!

– Aaaaarrrghhh…

O choro agudo da criança reverberou pelo casebre.

– Olhe! Veja, Maria – disse o pai com a criança nos braços. – É uma linda menina!

– Eu te disse que seria, mas nos alegremos depois, Joaquim, pois tem mais uma vindo. Aaaaaahhh…

O homem rapidamente cortou o cordão umbilical que ligava filha e mãe, enrolou a criança em uma manta surrada e voltou a da assistência à mulher ajudando-a a guiar a cabeça do segundo bebê, que já estava prestes a nascer. Passaram-se dez árduos minutos até que os choros das crianças pudessem se unir fazendo ecoar a doce música da vida recém-chegada, sua segunda filha foi mais difícil de trazer ao mundo do que a primeira, mas no final de tudo, ela estava bem.

– Realmente acertou, é mais uma linda menina, Maria.

– Eu sabia, Joaquim, eu sabia – Maria tossiu e depois esboçou um débil sorriso. – Saiba que eu te amo, meu homem, e quero que cuide muito bem de nossas filhas.

– Do que está falando mulher? – Ele perguntou beijando-a na testa e depois olhando em seus olhos. – É claro que eu vou cuidar bem delas, nós dois cuidaremos muito bem delas.

Joaquim banhou as duas crianças enquanto a mãe descansava, o esforço do segundo parto foi demasiado e acabou deixando-a esgotada, fazendo com que caísse no sono. Joaquim, assim que terminou de deixar as duas filhas limpas, levou-as à mãe.

– Acorde Maria – Ele falou enquanto a sacudia pelos ombros. – Vamos Maria, sei que está cansada, mas suas filhas não param de chorar.

Acredito que estejam com fome, você deve amamentá-las. Maria? – Joaquim a sacudiu mais uma vez, mas ela não respondeu.

A mulher estava pálida, Joaquim tomou seu pulso e percebeu que sua esposa havia falecido, o parto duplo foi realmente demasiado para ela.

– Oh Maria! Por que me abandonastes nesse momento tão feliz de nossas vidas? Por quê? – Joaquim questionou o cadáver de sua mulher abraçando-o enquanto chorava.

Permaneceu paralisado por alguns minutos que pareceram uma eternidade, pegou as crianças no colo e deitou-se com a família por algum tempo, até que percebeu certa agitação no interior do cadáver de sua esposa. Encostou sua orelha na barriga dela ao perceber que alguma coisa estava errada, foi quando escutou o choro abafado de mais uma criança no ventre de sua mulher. Ainda incrédulo afastou a cabeça do corpo de Maria e ficou a observar sua barriga, Joaquim conseguiu ver a criança a debater-se e a esticar a pele do ventre da esposa como se quisesse sair à força. Aquela imagem macabra fez com que todos os pelos de seu corpo se eriçarem, então o homem não pensou duas vezes.

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J. L. Silva
A Trindade de Maria

– Força! Faça força, mulher!

– Aaaaarrrghhh…

O choro agudo da criança reverberou pelo casebre.

– Olhe! Veja, Maria – disse o pai com a criança nos braços. – É uma linda menina!

– Eu te disse que seria, mas nos alegremos depois, Joaquim, pois tem mais uma vindo. Aaaaaahhh…

O homem rapidamente cortou o cordão umbilical que ligava filha e mãe, enrolou a criança em uma manta surrada e voltou a da assistência à mulher ajudando-a a guiar a cabeça do segundo bebê, que já estava prestes a nascer. Passaram-se dez árduos minutos até que os choros das crianças pudessem se unir fazendo ecoar a doce música da vida recém-chegada, sua segunda filha foi mais difícil de trazer ao mundo do que a primeira, mas no final de tudo, ela estava bem.

– Realmente acertou, é mais uma linda menina, Maria.

– Eu sabia, Joaquim, eu sabia – Maria tossiu e depois esboçou um débil sorriso. – Saiba que eu te amo, meu homem, e quero que cuide muito bem de nossas filhas.

– Do que está falando mulher? – Ele perguntou beijando-a na testa e depois olhando em seus olhos. – É claro que eu vou cuidar bem delas, nós dois cuidaremos muito bem delas.

Joaquim banhou as duas crianças enquanto a mãe descansava, o esforço do segundo parto foi demasiado e acabou deixando-a esgotada, fazendo com que caísse no sono. Joaquim, assim que terminou de deixar as duas filhas limpas, levou-as à mãe.

– Acorde Maria – Ele falou enquanto a sacudia pelos ombros. – Vamos Maria, sei que está cansada, mas suas filhas não param de chorar.

Acredito que estejam com fome, você deve amamentá-las. Maria? – Joaquim a sacudiu mais uma vez, mas ela não respondeu.

A mulher estava pálida, Joaquim tomou seu pulso e percebeu que sua esposa havia falecido, o parto duplo foi realmente demasiado para ela.

– Oh Maria! Por que me abandonastes nesse momento tão feliz de nossas vidas? Por quê? – Joaquim questionou o cadáver de sua mulher abraçando-o enquanto chorava.

Permaneceu paralisado por alguns minutos que pareceram uma eternidade, pegou as crianças no colo e deitou-se com a família por algum tempo, até que percebeu certa agitação no interior do cadáver de sua esposa. Encostou sua orelha na barriga dela ao perceber que alguma coisa estava errada, foi quando escutou o choro abafado de mais uma criança no ventre de sua mulher. Ainda incrédulo afastou a cabeça do corpo de Maria e ficou a observar sua barriga, Joaquim conseguiu ver a criança a debater-se e a esticar a pele do ventre da esposa como se quisesse sair à força. Aquela imagem macabra fez com que todos os pelos de seu corpo se eriçarem, então o homem não pensou duas vezes.

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