A Troca - J. L. Silva
J. L. Silva
J. L. Silva nasceu em 6 de março de 1990, é natural de São Paulo, capital, porém, reside atualmente na cidade de Sorocaba. É professor de português,jornalista, dramaturgo, roteirista e empresário, proprietário de uma empresa cultural, pela qual ministra oficinas e palestras sobre análise e criação literária. Intitula-se amante das Letras e da literatura brasileira clássica, porém, sempre fora apaixonado pela literatura fantástica e as histórias de terror. Acredita que não se deve haver distinções aos gêneros literários, por isso, procura escrever todos os tipos de textos, inclusive considera-se um poeta de nascença.
Ganhou alguns concursos literários, em prosa e poesia, e participou de algumas antologias de literatura fantástica. Desde os 8 anos queria ser escritor, arriscava-se a escrever histórias e poemas infantis, porém, somente em 2016 estreou na literatura nacional.
Autor dos livros: Velhos Suicidas (Editora Penalux, poemas, 2016), Da Infância à Inconstância (Amazon, poemas, 2016), A Bruxa de Itaquera (Editora Multifoco, contos, 2016) e Lira dos Vinte e Poucos Anos (Amazon, poemas, 2017).
E-mail: jlennonsmith@hotmail.com
Facebook: facebook.com/j.lennonsmith






A Troca

       – Mas ele irá – o engenheiro falou levando a mão às têmporas. – Estamos perdidos!

       – Senhores, não há tempo para discussões e nem para desespero. Vou tomar as primeiras providências – disse o capitão se retirando.

       A primeira medida adotada pelo Capitão, foi se dirigir até a cabine dos telégrafos e solicitar que os dois operadores de plantão começassem a enviar a posição do navio e pedidos de ajuda. Depois convocou seus oficiais e ordenou que os passageiros da primeira e da segunda classe fossem acordados e seguissem ao convés dos botes salva-vidas para que fossem evacuados. No início, as ordens eram que somente mulheres e crianças embarcassem nos botes, mas os dois primeiros foram quase vazios, e as poucas pessoas que embarcavam, na maioria delas, eram oficiais; em seguida, foi autorizado a embarcação de alguns homens da primeira classe, aqueles que eram solteiros e os casais.

       Depois de ter fingindo certo abalo emocional com a notícia do naufrágio do Titanic, ele decidiu-se por dar uma última olhada em seu luxuoso barco. Observou que o capitão mandara os músicos tocarem no convés para acalmarem os passageiros, tocavam uma melodia doce, muito agradável aos ouvidos, e ele tinha a certeza de conhecê-la, mas não lembrava seu nome. Passou pela cabine de telégrafos, onde os homens ainda pediam ajuda, viu outro oficial mandando sinais com a lanterna para um navio que podia ser visto, ou pelo menos suas luzes, mas não obteve sucesso, então, começaram a disparar os foguetes de sinalização. Não funcionará. Eles não nos ajudarão. Ele me disse que ninguém nos ajudaria.

       Assim, o homem desceu pela grande e bela escadaria de madeira da primeira classe, voltando um pouco de sua atenção para a grande obra de arte. Olhou para a grande redoma de vidro que se encontrava acima e a observou por alguns segundos. Passou pela grande e luxuosa sala de jantar e seguiu até a sala de fumantes da primeira classe, foi quando ele viu alguém contemplando a magnífica pintura Graced o Mantle, enquanto fumava um cigarro; era o engenheiro. Pensou em ir trocar algumas palavras com ele, mas desistiu, pois, percebeu que estava na hora de partir.
Retornou ao convés dos botes, pelo mesmo caminho que viera. Pegou o manto e colocou em sua cabeça, lembrava-se de todas as instruções que ele lhe dera, então ao perceber a distração de um dos oficiais, entrou no bote e tomou um lugar para si. No momento que começou a descida, teve a certeza de que o oficial tinha visto-o, mas se realmente vira, não disse nada.

Páginas: 1 2 3 4 5

J. L. Silva
A Troca

       – Mas ele irá – o engenheiro falou levando a mão às têmporas. – Estamos perdidos!

       – Senhores, não há tempo para discussões e nem para desespero. Vou tomar as primeiras providências – disse o capitão se retirando.

       A primeira medida adotada pelo Capitão, foi se dirigir até a cabine dos telégrafos e solicitar que os dois operadores de plantão começassem a enviar a posição do navio e pedidos de ajuda. Depois convocou seus oficiais e ordenou que os passageiros da primeira e da segunda classe fossem acordados e seguissem ao convés dos botes salva-vidas para que fossem evacuados. No início, as ordens eram que somente mulheres e crianças embarcassem nos botes, mas os dois primeiros foram quase vazios, e as poucas pessoas que embarcavam, na maioria delas, eram oficiais; em seguida, foi autorizado a embarcação de alguns homens da primeira classe, aqueles que eram solteiros e os casais.

       Depois de ter fingindo certo abalo emocional com a notícia do naufrágio do Titanic, ele decidiu-se por dar uma última olhada em seu luxuoso barco. Observou que o capitão mandara os músicos tocarem no convés para acalmarem os passageiros, tocavam uma melodia doce, muito agradável aos ouvidos, e ele tinha a certeza de conhecê-la, mas não lembrava seu nome. Passou pela cabine de telégrafos, onde os homens ainda pediam ajuda, viu outro oficial mandando sinais com a lanterna para um navio que podia ser visto, ou pelo menos suas luzes, mas não obteve sucesso, então, começaram a disparar os foguetes de sinalização. Não funcionará. Eles não nos ajudarão. Ele me disse que ninguém nos ajudaria.

       Assim, o homem desceu pela grande e bela escadaria de madeira da primeira classe, voltando um pouco de sua atenção para a grande obra de arte. Olhou para a grande redoma de vidro que se encontrava acima e a observou por alguns segundos. Passou pela grande e luxuosa sala de jantar e seguiu até a sala de fumantes da primeira classe, foi quando ele viu alguém contemplando a magnífica pintura Graced o Mantle, enquanto fumava um cigarro; era o engenheiro. Pensou em ir trocar algumas palavras com ele, mas desistiu, pois, percebeu que estava na hora de partir.
Retornou ao convés dos botes, pelo mesmo caminho que viera. Pegou o manto e colocou em sua cabeça, lembrava-se de todas as instruções que ele lhe dera, então ao perceber a distração de um dos oficiais, entrou no bote e tomou um lugar para si. No momento que começou a descida, teve a certeza de que o oficial tinha visto-o, mas se realmente vira, não disse nada.

Páginas: 1 2 3 4 5