O Terminal - J. L. Silva
J. L. Silva
J. L. Silva nasceu em 6 de março de 1990, é natural de São Paulo, capital, porém, reside atualmente na cidade de Sorocaba. É professor de português,jornalista, dramaturgo, roteirista e empresário, proprietário de uma empresa cultural, pela qual ministra oficinas e palestras sobre análise e criação literária. Intitula-se amante das Letras e da literatura brasileira clássica, porém, sempre fora apaixonado pela literatura fantástica e as histórias de terror. Acredita que não se deve haver distinções aos gêneros literários, por isso, procura escrever todos os tipos de textos, inclusive considera-se um poeta de nascença.
Ganhou alguns concursos literários, em prosa e poesia, e participou de algumas antologias de literatura fantástica. Desde os 8 anos queria ser escritor, arriscava-se a escrever histórias e poemas infantis, porém, somente em 2016 estreou na literatura nacional.
Autor dos livros: Velhos Suicidas (Editora Penalux, poemas, 2016), Da Infância à Inconstância (Amazon, poemas, 2016), A Bruxa de Itaquera (Editora Multifoco, contos, 2016) e Lira dos Vinte e Poucos Anos (Amazon, poemas, 2017).
E-mail: jlennonsmith@hotmail.com
Facebook: facebook.com/j.lennonsmith






O Terminal

De repente, avistou algo que fez com que se esquecesse das duas mulheres, achara a pessoa perfeita. Num banco atrás do seu, encontrava-se um mendigo.

É este! Este seria perfeito! O que aquele homem tem na vida? Nada, simplesmente, nada; nem ao menos dignidade. Tais pensamentos trouxeram um tímido sorriso ao seu rosto.

Mas, após perceber a presença do mendigo, passou a sentir um fétido odor que, com certeza, provinha dele. Talvez fosse sua mente que lhe pregava uma peça, mas duvidava muito disso, pois, somente a roupa suja e rasgada daquele homem imundo, transformava-o numa figura nojenta. O cabelo longo, emaranhado à barba comprida, deixava-o com um aspecto selvagem, quase animalesco.

Contudo, antes que se manifestasse, avistou um homem com duas crianças. Imaginou que seria um pai de família com as suas duas filhas e, num lapso de memória tão rápido como um relâmpago, lembrou-se dos seus antigos sonhos. Queria constituir uma família. Uma família com uma boa e linda esposa, filhos inteligentes, bonitos e educados, uma casa própria e um cachorro que se chamaria Max – todas essas falsos desejos sociais que caracterizam o ilusório conceito de sucesso na vida ou, de felicidade inventada, talvez.

Riu por alguns instantes, mas o riso, logo se transformou em choro de criança, daqueles entrecortados por soluços.

Por quê? Por quê? Por quê? Lamentou-se consigo mesmo.

Com tantas pessoas no mundo, com tantos vermes que mereciam isso, por que justamente eu tinha que ser condenado a um destino tão cruel? Eu que sempre fui uma boa pessoa?

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J. L. Silva
O Terminal

De repente, avistou algo que fez com que se esquecesse das duas mulheres, achara a pessoa perfeita. Num banco atrás do seu, encontrava-se um mendigo.

É este! Este seria perfeito! O que aquele homem tem na vida? Nada, simplesmente, nada; nem ao menos dignidade. Tais pensamentos trouxeram um tímido sorriso ao seu rosto.

Mas, após perceber a presença do mendigo, passou a sentir um fétido odor que, com certeza, provinha dele. Talvez fosse sua mente que lhe pregava uma peça, mas duvidava muito disso, pois, somente a roupa suja e rasgada daquele homem imundo, transformava-o numa figura nojenta. O cabelo longo, emaranhado à barba comprida, deixava-o com um aspecto selvagem, quase animalesco.

Contudo, antes que se manifestasse, avistou um homem com duas crianças. Imaginou que seria um pai de família com as suas duas filhas e, num lapso de memória tão rápido como um relâmpago, lembrou-se dos seus antigos sonhos. Queria constituir uma família. Uma família com uma boa e linda esposa, filhos inteligentes, bonitos e educados, uma casa própria e um cachorro que se chamaria Max – todas essas falsos desejos sociais que caracterizam o ilusório conceito de sucesso na vida ou, de felicidade inventada, talvez.

Riu por alguns instantes, mas o riso, logo se transformou em choro de criança, daqueles entrecortados por soluços.

Por quê? Por quê? Por quê? Lamentou-se consigo mesmo.

Com tantas pessoas no mundo, com tantos vermes que mereciam isso, por que justamente eu tinha que ser condenado a um destino tão cruel? Eu que sempre fui uma boa pessoa?

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