O Avarento que Vomitava Moedas de Ouro - Final - Jean Souza
Jean Souza
Nascido em Salvador Bahia no início dos anos 80 Bast o transformou em gato por causa de uma aposta perdida o que ele adorou, condenado ao exílio do submundo escreve para poder passar o tempo na eternidade, lembra de sua vida como humano quando ouvia sludge metal, industrial e noise alisando seus gatos Adolfinho e Tina Turner. Pode ver as outras dimensões e dessas experiências tinge sua pena e começa a escrever, se inspira em Lautréamont, Gogól, Strindberg, Lovecraft, Augustos Dos Anjos, Balzac, Jack Kerauac e seres fantásticos como a alma atormentada de Barba Azul, as divindades Abbuto, Yebá Beló por exemplo, é uma nova entidade que não procura por riquezas ou títulos humanos, o que faz é apenas registro de mundos.





O Avarento que Vomitava Moedas de Ouro – Final

Leia a parte 1:
http://maldohorror.com.br/jean-souza/o-avarento-que-vomitava-moedas-de-ouro/

Acordou lambuzado de vômito e sangue, passou a mão na boca, um corte superficial estava desenhado, o torpor do álcool pesava na cabeça. A garganta seca pedia água e a sensação incomoda da ressaca se confundia com o fracasso timbrado no seu cérebro. A mesa estava com os mesmos papéis amassados, mas enfeitados com jatos maltinados do uísque que bebera com gula de esquecimento, bocejou, havia um brilho familiar na mesa e não era sonho, havia uma moeda de ouro molhada com saliva, vomito e sangue que estava na sua frente, bastava esticar o braço e foi o que fez na usura e avareza de sua alma nem passou pela sua cabeça que poderia ser uma miragem causada pelo álcool ou desespero, enfiou a mão no vomito e apertou a moeda com força que fez todos os músculos tremerem e a alegria do homem avaro explodiu em sorrisos, era a sua poesia palpável e concreta, dourada e confortante, não se perguntou se estava delirando e guardou a moeda no bolso, o estômago remexia tinha que ir ao banheiro, estava quase a se cagar nas calças. Cagou e pensou como poderia transformar merda em dinheiro, veio náuseas e o estômago ardia, suou frio, havia algo estranho dentro dele, o vômito queria sair mas entalou-se, forçou e nada, forçou pra que toda podridão saísse logo, o ar faltou e o desespero crescia a cada tentativa de expulsar o corpo estranho, ficou de joelho com a calça no joelho, enfiou dois dedos na garganta ferindo o céu da boca, enfiou a cabeça roxa na privada e vomitou com toda força, gosto de vômito e metal precioso, som pesado na água do vaso, caiu o que tanto queria, descobriu de onde tinha saído a moeda, sentiu-se o homem mais importante do planeta, com meu vômito poderei comprar tudo, poderei ter o mundo, entrarei finalmente na politica, comprarei tudo, tudo que quero e quero muitas coisas, quero tudo, através do meu vômito um mundo só meu, meu vômito minha salvação, estava pensando neste sistema monetário que a moeda mais cara sairia de suas entranhas nem pensava que pra vomitar tem que está mal, mas o que é ter uma doencinha se pode ter o mundo? Teria o fígado, rins, estômago e outros órgãos que quisesse, interrompeu os pensamentos no mínimo absurdos, para pegar a moeda dentro da privada, enfiou a mão com todo carinho e cuidado, a merda em sua mão estava macia e quente, com os dedos puxou a moeda e tirou o lenço de seda do bolço para guardá-la com carinho.

Páginas: 1 2 3 4 5

Jean Souza
O Avarento que Vomitava Moedas de Ouro – Final

Leia a parte 1:
http://maldohorror.com.br/jean-souza/o-avarento-que-vomitava-moedas-de-ouro/

Acordou lambuzado de vômito e sangue, passou a mão na boca, um corte superficial estava desenhado, o torpor do álcool pesava na cabeça. A garganta seca pedia água e a sensação incomoda da ressaca se confundia com o fracasso timbrado no seu cérebro. A mesa estava com os mesmos papéis amassados, mas enfeitados com jatos maltinados do uísque que bebera com gula de esquecimento, bocejou, havia um brilho familiar na mesa e não era sonho, havia uma moeda de ouro molhada com saliva, vomito e sangue que estava na sua frente, bastava esticar o braço e foi o que fez na usura e avareza de sua alma nem passou pela sua cabeça que poderia ser uma miragem causada pelo álcool ou desespero, enfiou a mão no vomito e apertou a moeda com força que fez todos os músculos tremerem e a alegria do homem avaro explodiu em sorrisos, era a sua poesia palpável e concreta, dourada e confortante, não se perguntou se estava delirando e guardou a moeda no bolso, o estômago remexia tinha que ir ao banheiro, estava quase a se cagar nas calças. Cagou e pensou como poderia transformar merda em dinheiro, veio náuseas e o estômago ardia, suou frio, havia algo estranho dentro dele, o vômito queria sair mas entalou-se, forçou e nada, forçou pra que toda podridão saísse logo, o ar faltou e o desespero crescia a cada tentativa de expulsar o corpo estranho, ficou de joelho com a calça no joelho, enfiou dois dedos na garganta ferindo o céu da boca, enfiou a cabeça roxa na privada e vomitou com toda força, gosto de vômito e metal precioso, som pesado na água do vaso, caiu o que tanto queria, descobriu de onde tinha saído a moeda, sentiu-se o homem mais importante do planeta, com meu vômito poderei comprar tudo, poderei ter o mundo, entrarei finalmente na politica, comprarei tudo, tudo que quero e quero muitas coisas, quero tudo, através do meu vômito um mundo só meu, meu vômito minha salvação, estava pensando neste sistema monetário que a moeda mais cara sairia de suas entranhas nem pensava que pra vomitar tem que está mal, mas o que é ter uma doencinha se pode ter o mundo? Teria o fígado, rins, estômago e outros órgãos que quisesse, interrompeu os pensamentos no mínimo absurdos, para pegar a moeda dentro da privada, enfiou a mão com todo carinho e cuidado, a merda em sua mão estava macia e quente, com os dedos puxou a moeda e tirou o lenço de seda do bolço para guardá-la com carinho.

Páginas: 1 2 3 4 5