O Avarento que Vomitava Moedas de Ouro - Final - Jean Souza
Jean Souza
Nascido em Salvador Bahia no início dos anos 80 Bast o transformou em gato por causa de uma aposta perdida o que ele adorou, condenado ao exílio do submundo escreve para poder passar o tempo na eternidade, lembra de sua vida como humano quando ouvia sludge metal, industrial e noise alisando seus gatos Adolfinho e Tina Turner. Pode ver as outras dimensões e dessas experiências tinge sua pena e começa a escrever, se inspira em Lautréamont, Gogól, Strindberg, Lovecraft, Augustos Dos Anjos, Balzac, Jack Kerauac e seres fantásticos como a alma atormentada de Barba Azul, as divindades Abbuto, Yebá Beló por exemplo, é uma nova entidade que não procura por riquezas ou títulos humanos, o que faz é apenas registro de mundos.





O Avarento que Vomitava Moedas de Ouro – Final

A garrafa de uísque estava deitada no chão e apenas uma vontade.

*******

O cadeado da geladeira foi quebrado e assim a regra máxima da casa foi violada, com o saque das mulheres, foi feita a revolução no lar, anos de opressão avarenta que os sintomas eram sentidos no mal humor da fome, mesquinhes, ignorância e outras desnutrições do caráter e da alma muito bem conhecidos que não precisam ser citados, todo mal desse lar que não passava de uma gaiola gigante e luxuosa parecia ter chegado ao fim, as mulheres com as mãos e bocas cheias de pão com queijo, caviar, macarrão, molhos, frango assado, peixes, quitutes, maçãs, peras, ovos, queijos, feijão, carne vermelha e branca… a geladeira era um universo novo e a exploração dava as duas revolucionarias novo animo e prazer, mordiam e engoliam a comida freneticamente lambuzando tudo e sujando a cozinha e os corpos manchando os roupões delicados de seda; A dona da casa a cada mordida sentia-se livre, estava livre como há muito tempo não se sentia, o estômago cheio mudava o brilho dos seus olhos, o mundo ganhava um sentido. O vermelho mais vermelho os sorrisos mais alegres a vida tinha voltado, queria estourar o estômago se para manter essa sensação de saciedade tivesse que colocar tudo pra fora faria sem pensar, começou a brincar com a empregada, empurrou a grande massa ambulante na mesa abrindo o roupão e jogou na barrigona mole, doces caros, era a sobremesa que a revolucionaria do estômago provou fazendo estalar a boca na barriga adiposa.

-Tô vendo que até você cunhadinha tem vontade própria e parece que enjoou de homens.

Com a cara melada e ainda sentindo o cheiro da amante, a dona da casa não se importou com o que acabara de ouvir.

-Não os homens, mas os dá sua família de preferência seu irmão.

-Ele não gosta mesmo de mulheres e você sabe, pensou que casando com ele teria luxo, e o que aconteceu? Desnutrição e trabalho escravo posso rir de você.

-E meu marido fez você assinar aqueles papéis que só eu e ele sabemos onde está, cunhadinho há anos você tenta me subornar, mas podemos negociar hoje.

– Não quer que eu conte a meu irmãozinho seu casinho feio nem sabe escolher algo melhor.

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Jean Souza
O Avarento que Vomitava Moedas de Ouro – Final

A garrafa de uísque estava deitada no chão e apenas uma vontade.

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O cadeado da geladeira foi quebrado e assim a regra máxima da casa foi violada, com o saque das mulheres, foi feita a revolução no lar, anos de opressão avarenta que os sintomas eram sentidos no mal humor da fome, mesquinhes, ignorância e outras desnutrições do caráter e da alma muito bem conhecidos que não precisam ser citados, todo mal desse lar que não passava de uma gaiola gigante e luxuosa parecia ter chegado ao fim, as mulheres com as mãos e bocas cheias de pão com queijo, caviar, macarrão, molhos, frango assado, peixes, quitutes, maçãs, peras, ovos, queijos, feijão, carne vermelha e branca… a geladeira era um universo novo e a exploração dava as duas revolucionarias novo animo e prazer, mordiam e engoliam a comida freneticamente lambuzando tudo e sujando a cozinha e os corpos manchando os roupões delicados de seda; A dona da casa a cada mordida sentia-se livre, estava livre como há muito tempo não se sentia, o estômago cheio mudava o brilho dos seus olhos, o mundo ganhava um sentido. O vermelho mais vermelho os sorrisos mais alegres a vida tinha voltado, queria estourar o estômago se para manter essa sensação de saciedade tivesse que colocar tudo pra fora faria sem pensar, começou a brincar com a empregada, empurrou a grande massa ambulante na mesa abrindo o roupão e jogou na barrigona mole, doces caros, era a sobremesa que a revolucionaria do estômago provou fazendo estalar a boca na barriga adiposa.

-Tô vendo que até você cunhadinha tem vontade própria e parece que enjoou de homens.

Com a cara melada e ainda sentindo o cheiro da amante, a dona da casa não se importou com o que acabara de ouvir.

-Não os homens, mas os dá sua família de preferência seu irmão.

-Ele não gosta mesmo de mulheres e você sabe, pensou que casando com ele teria luxo, e o que aconteceu? Desnutrição e trabalho escravo posso rir de você.

-E meu marido fez você assinar aqueles papéis que só eu e ele sabemos onde está, cunhadinho há anos você tenta me subornar, mas podemos negociar hoje.

– Não quer que eu conte a meu irmãozinho seu casinho feio nem sabe escolher algo melhor.

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