O Avarento que Vomitava Moedas de Ouro - Final - Jean Souza
Jean Souza
Nascido em Salvador Bahia no início dos anos 80 Bast o transformou em gato por causa de uma aposta perdida o que ele adorou, condenado ao exílio do submundo escreve para poder passar o tempo na eternidade, lembra de sua vida como humano quando ouvia sludge metal, industrial e noise alisando seus gatos Adolfinho e Tina Turner. Pode ver as outras dimensões e dessas experiências tinge sua pena e começa a escrever, se inspira em Lautréamont, Gogól, Strindberg, Lovecraft, Augustos Dos Anjos, Balzac, Jack Kerauac e seres fantásticos como a alma atormentada de Barba Azul, as divindades Abbuto, Yebá Beló por exemplo, é uma nova entidade que não procura por riquezas ou títulos humanos, o que faz é apenas registro de mundos.





O Avarento que Vomitava Moedas de Ouro – Final

-Quem pensa que é mendigo de luxo? A mulherona levantou da mesa com o rosto em brasa.

-Espere, deixe-o falar, quem depende aqui de alguém é ele, quer comer alguma coisa?

-… , claro minha cunhada preferida e desculpe minha grosseria.

Os três entraram na orgia alimentícia, comendo sem se olharem, só enchendo a boca, comendo com o apetite vingativo quando o Avarento chegou em casa bêbado e com dois sacos numa mão e na outra seu uísque preferido, os olhos se arregalaram quando viu os três glutões devorando sua comida que pelos mesquinhos cálculos deveriam durar alguns meses.

-Não pode tá acontecendo, amor como pôde? Ainda por cima se misturando com essa classe.

-É tão cego que acha que o amo.

-Tá vendo porque cuido da sua alimentação?

-Ele chama a gente de gentinha e esquece que já provou disto aqui. A carne adiposa ambulante bateu com força na boceta.

– E esquece que o tipinho é ele, ladrão safado.

-Devolvi o dinheiro.

-Temos que conversar, estou faminto, pra sala de jantar agora!

A mesa com mais de quarenta cadeiras é de um mundo de ostentação que essa casa só possui na aparência. Maçãs, uvas, bananas, filé, peixes, verduras, peitos e coxas de frango e muita comida com cores vivas, mas sem cheiro e duros como pedra, fabricados para enfeites e usados como instrumentos de tortura.

-Vou te perdoar, tenho que te dar crédito, são anos sem falta e como todo mundo erra…

-Não preciso de seu perdão, quem me deve é você!!! Com traições, acha que não sei que se deitava com seus funcionários, homens e mulheres e de um tempo pra cá só com o seu motorista que você deu uma casa, sei de tudo, mas esperava você me dá alguma coisa, mas chega de fome, tô amando, ela, ela foi à única que me deu o que comer, me ouviu quando mais precisei.

-Já deitei com ela.

– E daí? Não tenho ciúmes e foi no passado quando você ainda tinha um pouco de macheza.

O Avarento ficou roxo não tinha o que dizer, só poderia tentar sair por cima fazendo o que sabia fazer de melhor, humilhar os outros. Pegou os sacos e abriu cada um lentamente e despejou o conteúdo na mesa.

-Tá vendo? É tudo meu essas maravilhas douradas são minhas e a fonte é infinita.

– Como, quem mais você arruinou? Falou o irmão sorrindo e olhando as moedas brilharem.

– Das minhas entranhas.

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Jean Souza
O Avarento que Vomitava Moedas de Ouro – Final

-Quem pensa que é mendigo de luxo? A mulherona levantou da mesa com o rosto em brasa.

-Espere, deixe-o falar, quem depende aqui de alguém é ele, quer comer alguma coisa?

-… , claro minha cunhada preferida e desculpe minha grosseria.

Os três entraram na orgia alimentícia, comendo sem se olharem, só enchendo a boca, comendo com o apetite vingativo quando o Avarento chegou em casa bêbado e com dois sacos numa mão e na outra seu uísque preferido, os olhos se arregalaram quando viu os três glutões devorando sua comida que pelos mesquinhos cálculos deveriam durar alguns meses.

-Não pode tá acontecendo, amor como pôde? Ainda por cima se misturando com essa classe.

-É tão cego que acha que o amo.

-Tá vendo porque cuido da sua alimentação?

-Ele chama a gente de gentinha e esquece que já provou disto aqui. A carne adiposa ambulante bateu com força na boceta.

– E esquece que o tipinho é ele, ladrão safado.

-Devolvi o dinheiro.

-Temos que conversar, estou faminto, pra sala de jantar agora!

A mesa com mais de quarenta cadeiras é de um mundo de ostentação que essa casa só possui na aparência. Maçãs, uvas, bananas, filé, peixes, verduras, peitos e coxas de frango e muita comida com cores vivas, mas sem cheiro e duros como pedra, fabricados para enfeites e usados como instrumentos de tortura.

-Vou te perdoar, tenho que te dar crédito, são anos sem falta e como todo mundo erra…

-Não preciso de seu perdão, quem me deve é você!!! Com traições, acha que não sei que se deitava com seus funcionários, homens e mulheres e de um tempo pra cá só com o seu motorista que você deu uma casa, sei de tudo, mas esperava você me dá alguma coisa, mas chega de fome, tô amando, ela, ela foi à única que me deu o que comer, me ouviu quando mais precisei.

-Já deitei com ela.

– E daí? Não tenho ciúmes e foi no passado quando você ainda tinha um pouco de macheza.

O Avarento ficou roxo não tinha o que dizer, só poderia tentar sair por cima fazendo o que sabia fazer de melhor, humilhar os outros. Pegou os sacos e abriu cada um lentamente e despejou o conteúdo na mesa.

-Tá vendo? É tudo meu essas maravilhas douradas são minhas e a fonte é infinita.

– Como, quem mais você arruinou? Falou o irmão sorrindo e olhando as moedas brilharem.

– Das minhas entranhas.

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