O Avarento que Vomitava Moedas de Ouro - Final - Jean Souza
Jean Souza
Nascido em Salvador Bahia no início dos anos 80 Bast o transformou em gato por causa de uma aposta perdida o que ele adorou, condenado ao exílio do submundo escreve para poder passar o tempo na eternidade, lembra de sua vida como humano quando ouvia sludge metal, industrial e noise alisando seus gatos Adolfinho e Tina Turner. Pode ver as outras dimensões e dessas experiências tinge sua pena e começa a escrever, se inspira em Lautréamont, Gogól, Strindberg, Lovecraft, Augustos Dos Anjos, Balzac, Jack Kerauac e seres fantásticos como a alma atormentada de Barba Azul, as divindades Abbuto, Yebá Beló por exemplo, é uma nova entidade que não procura por riquezas ou títulos humanos, o que faz é apenas registro de mundos.





O Avarento que Vomitava Moedas de Ouro – Final

– Desde quando você se esforça em alguma coisa?

– Hoje é o dia da revolta, no dia mais feliz da minha vida que Deus me presenteou…

– Agora se tornou religioso?

– Tá bêbado, o imbecil bebeu, deve ter perdido alguma grana, quando éramos mais novos papai,…, não dava a mesada e enchia a cara.

– Perdi e ganhei muito mais.

Na gula de se exibir e sair por cima deu um gole que desceu queimando tudo por dentro e depois enfiou o dedo na garganta.

– Tá maluco, o dinheiro subiu pra cabeça. Se ele morrer fico rica, pensou a empregada que estava calada até essa atitude nojenta.

– A avareza faz isso.

– É.

-Eargh, esss…pererem e vejam. Forçou até que uma jatada de vômito saiu, mas não tinha moeda de ouro na papa podre, não desistiu e mais uma vez forçou e vomitou três vezes, saiu o suco da bílis e nada.

– Se tornou um homem repulsivo, se é isso que vou ter de pensão ou se no seu testamento for isso que vou ter está enganado.

O homem sem se importar com o mal estar que estava sentindo bebeu uísque de novo os dentes trincaram tentando não beber o líquido, mas a avareza ganhou do corpo, voltou a vomitar e dessa vez a tão esperada moeda estava saindo, prendeu na garganta impedindo que o ar entrasse e sufocando seu ser que pela primeira vez ficou com medo de morrer e deixar seus bens com gente estúpida que jamais saberá o valor de suas conquistas, esse medo vinha mais do álcool que medo real da morte, estava com lágrimas nos olhos e a esposa, o irmão e a empregada não se moviam do lugar, queriam que ele sofresse e morresse logo, a moeda se mexeu na garganta e ele consegui cuspir, a sala cheirou a frustração.

-E…, e…, l…, e… cuspiu, ele cuspiu a moeda de ouro, Jesus! A empregada fez o sinal da cruz.

-Que brincadeira nojenta hein irmão?

-É uma vida de vômito e brincadeiras de mau gosto. A esposa colocou a mão na boca.

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Jean Souza
O Avarento que Vomitava Moedas de Ouro – Final

– Desde quando você se esforça em alguma coisa?

– Hoje é o dia da revolta, no dia mais feliz da minha vida que Deus me presenteou…

– Agora se tornou religioso?

– Tá bêbado, o imbecil bebeu, deve ter perdido alguma grana, quando éramos mais novos papai,…, não dava a mesada e enchia a cara.

– Perdi e ganhei muito mais.

Na gula de se exibir e sair por cima deu um gole que desceu queimando tudo por dentro e depois enfiou o dedo na garganta.

– Tá maluco, o dinheiro subiu pra cabeça. Se ele morrer fico rica, pensou a empregada que estava calada até essa atitude nojenta.

– A avareza faz isso.

– É.

-Eargh, esss…pererem e vejam. Forçou até que uma jatada de vômito saiu, mas não tinha moeda de ouro na papa podre, não desistiu e mais uma vez forçou e vomitou três vezes, saiu o suco da bílis e nada.

– Se tornou um homem repulsivo, se é isso que vou ter de pensão ou se no seu testamento for isso que vou ter está enganado.

O homem sem se importar com o mal estar que estava sentindo bebeu uísque de novo os dentes trincaram tentando não beber o líquido, mas a avareza ganhou do corpo, voltou a vomitar e dessa vez a tão esperada moeda estava saindo, prendeu na garganta impedindo que o ar entrasse e sufocando seu ser que pela primeira vez ficou com medo de morrer e deixar seus bens com gente estúpida que jamais saberá o valor de suas conquistas, esse medo vinha mais do álcool que medo real da morte, estava com lágrimas nos olhos e a esposa, o irmão e a empregada não se moviam do lugar, queriam que ele sofresse e morresse logo, a moeda se mexeu na garganta e ele consegui cuspir, a sala cheirou a frustração.

-E…, e…, l…, e… cuspiu, ele cuspiu a moeda de ouro, Jesus! A empregada fez o sinal da cruz.

-Que brincadeira nojenta hein irmão?

-É uma vida de vômito e brincadeiras de mau gosto. A esposa colocou a mão na boca.

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