O avarento que vomitava moedas de ouro - Jean Souza
Jean Souza
Nascido em Salvador Bahia no início dos anos 80 Bast o transformou em gato por causa de uma aposta perdida o que ele adorou, condenado ao exílio do submundo escreve para poder passar o tempo na eternidade, lembra de sua vida como humano quando ouvia sludge metal, industrial e noise alisando seus gatos Adolfinho e Tina Turner. Pode ver as outras dimensões e dessas experiências tinge sua pena e começa a escrever, se inspira em Lautréamont, Gogól, Strindberg, Lovecraft, Augustos Dos Anjos, Balzac, Jack Kerauac e seres fantásticos como a alma atormentada de Barba Azul, as divindades Abbuto, Yebá Beló por exemplo, é uma nova entidade que não procura por riquezas ou títulos humanos, o que faz é apenas registro de mundos.





O avarento que vomitava moedas de ouro

– Hoje meu irmão vai aparecer aqui, o trate como sempre, você sabe qual é a dele, tô muito cansado e você é a única que faz as coisas do jeito que tem que ser feito, já sabe! Atenda ele o mais rápido possível e não deixe ele entrar no escritório, entende isso? É muito importante, muito importante mesmo.

Estava pensando em dormir a tarde toda, não sentia obrigação nenhuma de atender o meu irmão que só aparecia para comer e pedir dinheiro. Detestava o irmão que só andava com roupas surradas, pensava em dar algumas peças do próprio guarda-roupa, tinha sapatos caríssimos de todos os formatos e cores, mas pra que se sacrificaria dando luxo pra alguém que não contribui em nada com a sociedade e principalmente com ele, pensando assim lembrou-se da sua ajuda à humanidade principalmente no Brasil com sua empresa de material de construção civil, de todos os blocos, cimentos, pias, eletrodutos e entre outras coisas que vendia ao povo ajudando a construir sonhos, quantas famílias ajudou vendendo seus produtos tão essenciais à existência? Sentiu-se como o homem mais bondoso do mundo, naquele mesmo dia escreveria o discurso que os seus diretores espalhariam pelas lojas para estimular as vendas dando ânimo aos funcionários que nunca podem ficar sem discurso, afinal preguiçosos não vendem e sem dinheiro não há sonhos, fecharia algumas lojas e despedir alguns milhares de funcionários, tentaria de tudo pra pagar o mínimo possível de tempo de trabalho. Pra ele loja que não produz é culpa dos peixes pequenos que são muito ignorantes porque pra ele é incompreensível alguém não querer seus produtos. A boca começou a tremer, perderia alguns milhões, mas recuperaria em alguns meses, a espera é tão dolorosa, teria que passar mais tempo com a mulher que estava se tornando cansativa e pouco econômica, se fazia as tarefas de casa reclamava por só ter duas empregadas, uma cozinheira e uma faz tudo, ela tinha que está feliz, mais que isso, quantas pessoas queriam o seu lugar! Muitíssimas mulheres. Não pensava em trocar a esposa; segundo casamento é sempre mais caro, esqueceu rapidamente esses pensamentos que levavam a sensação de perda que é muito desagradável e isso não é com ele.

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Jean Souza
O avarento que vomitava moedas de ouro

– Hoje meu irmão vai aparecer aqui, o trate como sempre, você sabe qual é a dele, tô muito cansado e você é a única que faz as coisas do jeito que tem que ser feito, já sabe! Atenda ele o mais rápido possível e não deixe ele entrar no escritório, entende isso? É muito importante, muito importante mesmo.

Estava pensando em dormir a tarde toda, não sentia obrigação nenhuma de atender o meu irmão que só aparecia para comer e pedir dinheiro. Detestava o irmão que só andava com roupas surradas, pensava em dar algumas peças do próprio guarda-roupa, tinha sapatos caríssimos de todos os formatos e cores, mas pra que se sacrificaria dando luxo pra alguém que não contribui em nada com a sociedade e principalmente com ele, pensando assim lembrou-se da sua ajuda à humanidade principalmente no Brasil com sua empresa de material de construção civil, de todos os blocos, cimentos, pias, eletrodutos e entre outras coisas que vendia ao povo ajudando a construir sonhos, quantas famílias ajudou vendendo seus produtos tão essenciais à existência? Sentiu-se como o homem mais bondoso do mundo, naquele mesmo dia escreveria o discurso que os seus diretores espalhariam pelas lojas para estimular as vendas dando ânimo aos funcionários que nunca podem ficar sem discurso, afinal preguiçosos não vendem e sem dinheiro não há sonhos, fecharia algumas lojas e despedir alguns milhares de funcionários, tentaria de tudo pra pagar o mínimo possível de tempo de trabalho. Pra ele loja que não produz é culpa dos peixes pequenos que são muito ignorantes porque pra ele é incompreensível alguém não querer seus produtos. A boca começou a tremer, perderia alguns milhões, mas recuperaria em alguns meses, a espera é tão dolorosa, teria que passar mais tempo com a mulher que estava se tornando cansativa e pouco econômica, se fazia as tarefas de casa reclamava por só ter duas empregadas, uma cozinheira e uma faz tudo, ela tinha que está feliz, mais que isso, quantas pessoas queriam o seu lugar! Muitíssimas mulheres. Não pensava em trocar a esposa; segundo casamento é sempre mais caro, esqueceu rapidamente esses pensamentos que levavam a sensação de perda que é muito desagradável e isso não é com ele.

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