O avarento que vomitava moedas de ouro - Jean Souza
Jean Souza
Nascido em Salvador Bahia no início dos anos 80 Bast o transformou em gato por causa de uma aposta perdida o que ele adorou, condenado ao exílio do submundo escreve para poder passar o tempo na eternidade, lembra de sua vida como humano quando ouvia sludge metal, industrial e noise alisando seus gatos Adolfinho e Tina Turner. Pode ver as outras dimensões e dessas experiências tinge sua pena e começa a escrever, se inspira em Lautréamont, Gogól, Strindberg, Lovecraft, Augustos Dos Anjos, Balzac, Jack Kerauac e seres fantásticos como a alma atormentada de Barba Azul, as divindades Abbuto, Yebá Beló por exemplo, é uma nova entidade que não procura por riquezas ou títulos humanos, o que faz é apenas registro de mundos.





O avarento que vomitava moedas de ouro

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O fogão estava incomodando com a ferrugem de décadas de serviço prestado, pedacinhos calcinados de frango misturado com óleo, arroz, feijão preto, ovo e pó de café denunciavam o que foi comido na semana passada, olhava o fogão esquecendo o televisor no volume quase no máximo que expelia informações fúteis e cotidianas. Seu humor era abalado quase toda a semana quando resolvia visitar o irmão e cobrar a dívida de vinte anos, não havia mais como esperar hoje é a última tentativa.

-Vai ser hoje! Se não; Ele morre hoje mesmo! Ele me roubou, se aproveitou de mim quando eu era adolescente, me fez assinar aqueles documentos dizendo que ia me ajudar, filho da pu…! .- Não terminou a frase porque eram filhos da mesma mãe. O estômago roncou, estava com tanta fome que esqueceu por instantes o ódio do seu irmão, tirou duas panelas velhas e amassadas da geladeira, o feijão e o arroz eram de semanas atrás, nem chegou há contar quanto tempo estava na geladeira; depois de ferver a comida, encheu o prato até transbordar um pouco, colocando farinha e fazendo uma papa, salivou e começou as garfadas impetuosas, era seu melhor momento, esquecia todos os problemas ate chegar à saciedade de glutão social que busca sentir o estômago cheio, transbordante de comida pesada.

-Vou ser rico de novo e vou fazer um banquete enorme na frente dele, vou mata-lo do coração, vai ter tudo do melhor, quero ver aquela cara vermelha ficar roxa,… , vou matar o safado. Olhou a sala e estava cansado de fazer comparações com a mansão do irmão.

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Estava cansada e com muita fome para recusar a comida, a papa verde era por demais repulsiva, como uma criatura tão rica pode ser tão cega ao ponto de tratar a mulher como empregada e matá-la de fome? A mesa do tamanho de uma avenida e não tinha nada de saboroso, tinha inveja das pessoas que tinham gosto simplório para comida, há anos não comia pelo menos arroz com galinha, desejava até a loucura um punhadinho de macarrão ou dois camarões num pastel, poderia estar gelado mesmo, lembrou-se das festas que há na empresa, os funcionários pobres, porém nutridos e felizes, trincando os garfos e mastigando as carnes do churrasco, o som repetitivo e o engolir que a enchiam de emoção e lágrimas, uma vez por ano comia como queria, fingia se importar com os problemas dos empregados e comia, comia e comia… Mas o desgraçado há cinco anos não queria saber dessa festa, proibiu que ela saísse sem ele, dizia que era incomodo ver essa gente dividindo o mesmo espaço que ele, mas ela sabia o verdadeiro motivo, mesmo não pagando os comes e bebes o homem não suportava ver tanta carne ser devorada na sua frente, via nas festas pura falta de produtividade, isso produtividade, essa criatura só pensa em explorar os outros ele não se cansa de dinheiro, dinheiro ele só pode comer dinheiro, sorriu até se mijar, tinha que tirar algum tipo de prazer da vida tantalizada que levava, tinha vontade de pedir pra alguém da loja pelo menos um espetinho, só unzinho, estava pronta para pedir divórcio.

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Jean Souza
O avarento que vomitava moedas de ouro

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O fogão estava incomodando com a ferrugem de décadas de serviço prestado, pedacinhos calcinados de frango misturado com óleo, arroz, feijão preto, ovo e pó de café denunciavam o que foi comido na semana passada, olhava o fogão esquecendo o televisor no volume quase no máximo que expelia informações fúteis e cotidianas. Seu humor era abalado quase toda a semana quando resolvia visitar o irmão e cobrar a dívida de vinte anos, não havia mais como esperar hoje é a última tentativa.

-Vai ser hoje! Se não; Ele morre hoje mesmo! Ele me roubou, se aproveitou de mim quando eu era adolescente, me fez assinar aqueles documentos dizendo que ia me ajudar, filho da pu…! .- Não terminou a frase porque eram filhos da mesma mãe. O estômago roncou, estava com tanta fome que esqueceu por instantes o ódio do seu irmão, tirou duas panelas velhas e amassadas da geladeira, o feijão e o arroz eram de semanas atrás, nem chegou há contar quanto tempo estava na geladeira; depois de ferver a comida, encheu o prato até transbordar um pouco, colocando farinha e fazendo uma papa, salivou e começou as garfadas impetuosas, era seu melhor momento, esquecia todos os problemas ate chegar à saciedade de glutão social que busca sentir o estômago cheio, transbordante de comida pesada.

-Vou ser rico de novo e vou fazer um banquete enorme na frente dele, vou mata-lo do coração, vai ter tudo do melhor, quero ver aquela cara vermelha ficar roxa,… , vou matar o safado. Olhou a sala e estava cansado de fazer comparações com a mansão do irmão.

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Estava cansada e com muita fome para recusar a comida, a papa verde era por demais repulsiva, como uma criatura tão rica pode ser tão cega ao ponto de tratar a mulher como empregada e matá-la de fome? A mesa do tamanho de uma avenida e não tinha nada de saboroso, tinha inveja das pessoas que tinham gosto simplório para comida, há anos não comia pelo menos arroz com galinha, desejava até a loucura um punhadinho de macarrão ou dois camarões num pastel, poderia estar gelado mesmo, lembrou-se das festas que há na empresa, os funcionários pobres, porém nutridos e felizes, trincando os garfos e mastigando as carnes do churrasco, o som repetitivo e o engolir que a enchiam de emoção e lágrimas, uma vez por ano comia como queria, fingia se importar com os problemas dos empregados e comia, comia e comia… Mas o desgraçado há cinco anos não queria saber dessa festa, proibiu que ela saísse sem ele, dizia que era incomodo ver essa gente dividindo o mesmo espaço que ele, mas ela sabia o verdadeiro motivo, mesmo não pagando os comes e bebes o homem não suportava ver tanta carne ser devorada na sua frente, via nas festas pura falta de produtividade, isso produtividade, essa criatura só pensa em explorar os outros ele não se cansa de dinheiro, dinheiro ele só pode comer dinheiro, sorriu até se mijar, tinha que tirar algum tipo de prazer da vida tantalizada que levava, tinha vontade de pedir pra alguém da loja pelo menos um espetinho, só unzinho, estava pronta para pedir divórcio.

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