O avarento que vomitava moedas de ouro - Jean Souza
Jean Souza
Nascido em Salvador Bahia no início dos anos 80 Bast o transformou em gato por causa de uma aposta perdida o que ele adorou, condenado ao exílio do submundo escreve para poder passar o tempo na eternidade, lembra de sua vida como humano quando ouvia sludge metal, industrial e noise alisando seus gatos Adolfinho e Tina Turner. Pode ver as outras dimensões e dessas experiências tinge sua pena e começa a escrever, se inspira em Lautréamont, Gogól, Strindberg, Lovecraft, Augustos Dos Anjos, Balzac, Jack Kerauac e seres fantásticos como a alma atormentada de Barba Azul, as divindades Abbuto, Yebá Beló por exemplo, é uma nova entidade que não procura por riquezas ou títulos humanos, o que faz é apenas registro de mundos.





O avarento que vomitava moedas de ouro

*******

A fome a levava a mundos que na sua juventude seria chamado de estranho, olhou a geladeira com cadeado, isso a encheu de ódio contra ela e outros humanos, hoje poderei comer gente, comerei carne de qualquer forma, pensou.

O seu cérebro ardia de vontade, os dentes mordiam a língua, salivava com desprazer fazendo bolinhas que estouravam a cada respiração de frustração, a empregada passou com a roupa colada esbanjando fartura de carne, melhor dizendo, passou com sua personalidade adiposa, todo seu ser era excesso de proteína bovina. Olhou a mulherona, cada movimento pesado era um chamado para provar o volumoso corpo, salivou com olhar sexual do tipo que só a fome talha no rosto.

-Quase não tem o que fazer.

-É senhora, a casa é imensa, mas o patrão quase não compra material de limpeza e só quer que limpe o quarto e o escritório.

-É, sou eu que limpo tudo nessa merda de casa.

-Merda uma casa dessas? Eu queria só um quarto desse pra mim senhora, um banheiro é maior que minha casa, a de minha mãe e da tia juntas. Esses ricos tem que inventar sempre, eu quero a ver aguentar dividir uma casinha com cinco criaturas, pensou.

-Você fala assim porque não sabe com quem moro, olhe a geladeira com cadeado. Os olhos se encheram de lágrimas.

-Pensava que era pra nós empregados não saber o que tem ali dentro.

-Tanto tempo trabalhando aqui e você nunca notou meus sofrimentos, olhe como estou magra, tô com muita fome, o miserável só quer comer aveia e me obriga também.

-Coitadinha!

Se estivesse sofrendo mesmo caia fora, ou então o contrato de casamento só dá vantagem ao patrão quando o pessoal lá em casa souber! Pensando assim só via a patroa bater a boca e retorcer a cara. Não tinha porque se preocupar com problemas de grã-finos, mas poderia tirar vantagens, mais por vingança contra o patrão que a muito tempo atrás foi seu amante e prometeu substituir o esqueleto andante por ela, carnuda e cheia de energia, hoje ele nem se importa mais em fazer visitinhas na sua casa nem quer levá-la há um motelzinho barato.

Páginas: 1 2 3 4 5

Jean Souza
O avarento que vomitava moedas de ouro

*******

A fome a levava a mundos que na sua juventude seria chamado de estranho, olhou a geladeira com cadeado, isso a encheu de ódio contra ela e outros humanos, hoje poderei comer gente, comerei carne de qualquer forma, pensou.

O seu cérebro ardia de vontade, os dentes mordiam a língua, salivava com desprazer fazendo bolinhas que estouravam a cada respiração de frustração, a empregada passou com a roupa colada esbanjando fartura de carne, melhor dizendo, passou com sua personalidade adiposa, todo seu ser era excesso de proteína bovina. Olhou a mulherona, cada movimento pesado era um chamado para provar o volumoso corpo, salivou com olhar sexual do tipo que só a fome talha no rosto.

-Quase não tem o que fazer.

-É senhora, a casa é imensa, mas o patrão quase não compra material de limpeza e só quer que limpe o quarto e o escritório.

-É, sou eu que limpo tudo nessa merda de casa.

-Merda uma casa dessas? Eu queria só um quarto desse pra mim senhora, um banheiro é maior que minha casa, a de minha mãe e da tia juntas. Esses ricos tem que inventar sempre, eu quero a ver aguentar dividir uma casinha com cinco criaturas, pensou.

-Você fala assim porque não sabe com quem moro, olhe a geladeira com cadeado. Os olhos se encheram de lágrimas.

-Pensava que era pra nós empregados não saber o que tem ali dentro.

-Tanto tempo trabalhando aqui e você nunca notou meus sofrimentos, olhe como estou magra, tô com muita fome, o miserável só quer comer aveia e me obriga também.

-Coitadinha!

Se estivesse sofrendo mesmo caia fora, ou então o contrato de casamento só dá vantagem ao patrão quando o pessoal lá em casa souber! Pensando assim só via a patroa bater a boca e retorcer a cara. Não tinha porque se preocupar com problemas de grã-finos, mas poderia tirar vantagens, mais por vingança contra o patrão que a muito tempo atrás foi seu amante e prometeu substituir o esqueleto andante por ela, carnuda e cheia de energia, hoje ele nem se importa mais em fazer visitinhas na sua casa nem quer levá-la há um motelzinho barato.

Páginas: 1 2 3 4 5