Porcocachorrohomem - Jean Souza
Jean Souza
Nascido em Salvador Bahia no início dos anos 80 Bast o transformou em gato por causa de uma aposta perdida o que ele adorou, condenado ao exílio do submundo escreve para poder passar o tempo na eternidade, lembra de sua vida como humano quando ouvia sludge metal, industrial e noise alisando seus gatos Adolfinho e Tina Turner. Pode ver as outras dimensões e dessas experiências tinge sua pena e começa a escrever, se inspira em Lautréamont, Gogól, Strindberg, Lovecraft, Augustos Dos Anjos, Balzac, Jack Kerauac e seres fantásticos como a alma atormentada de Barba Azul, as divindades Abbuto, Yebá Beló por exemplo, é uma nova entidade que não procura por riquezas ou títulos humanos, o que faz é apenas registro de mundos.





Porcocachorrohomem

1

De vez em quando a natureza enojada do mundo oferece escarros genéticos, massa de vidas disformes.

Cachorro, porco e homem lutando covardemente no corpo de uma criatura feia além-feiura, instintiva para o prazer, hipócrita com olhos de beato. Monstro que é recorte da natureza que não conhece compaixão é o Porcocachorrohomem. Foi encontrado por uma bondosa senhora que procurava paz, ela assustou-se, mas a maternidade é a perfeita cegueira, em seus braços aquela coisa malcheirosa que o choro era a mistura de grunhido, latido e berro de bebe humano desmamado fez seu coração de mulher partir e o levou para casa.

 

2

O bebezinho fazia muito barulho ela não se importava, morava só. Queria amamentá-lo só que seus peitos a muito não davam leite, murchos com a velhice, murchos com a solidão pensou que o bebezinho preencheria sua vida, os monólogos estavam no fim, teria alguém, a sua casinha teria vida, ensinaria o monstrinho a amar, amar e amar para ser amada, mamãe amada!!! Com esforço incomum criou escondido o bichinho chamando-o de Miguel, anjo que salvou sua vida (do inferno da solidão). Miguel agora com dezesseis grunhia, latia, mas não falava como gente. Sua mãe secretamente gostava porque assim ele não teria curiosidade de conhecer o mundo.

 

3

Transformou a casa num chiqueiro e pela primeira vez sentiu alegria, estava quase se esquecendo dos pecados cometidos no passado, o motivo de isolar-se das outras pessoas escolhendo um lugar distante da realidade, escolhendo um exílio bucólico por causa da profissão que exerceu. Para muitas famílias era a salvação das moças desonradas ou esposas infiéis, maldita com seus partos reversos, odiada, mas utilizada, salvação de famílias. Fez muito dinheiro só que ninguém quer olhar para seus erros todos os dias.

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Jean Souza
Porcocachorrohomem

1

De vez em quando a natureza enojada do mundo oferece escarros genéticos, massa de vidas disformes.

Cachorro, porco e homem lutando covardemente no corpo de uma criatura feia além-feiura, instintiva para o prazer, hipócrita com olhos de beato. Monstro que é recorte da natureza que não conhece compaixão é o Porcocachorrohomem. Foi encontrado por uma bondosa senhora que procurava paz, ela assustou-se, mas a maternidade é a perfeita cegueira, em seus braços aquela coisa malcheirosa que o choro era a mistura de grunhido, latido e berro de bebe humano desmamado fez seu coração de mulher partir e o levou para casa.

 

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O bebezinho fazia muito barulho ela não se importava, morava só. Queria amamentá-lo só que seus peitos a muito não davam leite, murchos com a velhice, murchos com a solidão pensou que o bebezinho preencheria sua vida, os monólogos estavam no fim, teria alguém, a sua casinha teria vida, ensinaria o monstrinho a amar, amar e amar para ser amada, mamãe amada!!! Com esforço incomum criou escondido o bichinho chamando-o de Miguel, anjo que salvou sua vida (do inferno da solidão). Miguel agora com dezesseis grunhia, latia, mas não falava como gente. Sua mãe secretamente gostava porque assim ele não teria curiosidade de conhecer o mundo.

 

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Transformou a casa num chiqueiro e pela primeira vez sentiu alegria, estava quase se esquecendo dos pecados cometidos no passado, o motivo de isolar-se das outras pessoas escolhendo um lugar distante da realidade, escolhendo um exílio bucólico por causa da profissão que exerceu. Para muitas famílias era a salvação das moças desonradas ou esposas infiéis, maldita com seus partos reversos, odiada, mas utilizada, salvação de famílias. Fez muito dinheiro só que ninguém quer olhar para seus erros todos os dias.

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