Porcocachorrohomem - Jean Souza
Jean Souza
Nascido em Salvador Bahia no início dos anos 80 Bast o transformou em gato por causa de uma aposta perdida o que ele adorou, condenado ao exílio do submundo escreve para poder passar o tempo na eternidade, lembra de sua vida como humano quando ouvia sludge metal, industrial e noise alisando seus gatos Adolfinho e Tina Turner. Pode ver as outras dimensões e dessas experiências tinge sua pena e começa a escrever, se inspira em Lautréamont, Gogól, Strindberg, Lovecraft, Augustos Dos Anjos, Balzac, Jack Kerauac e seres fantásticos como a alma atormentada de Barba Azul, as divindades Abbuto, Yebá Beló por exemplo, é uma nova entidade que não procura por riquezas ou títulos humanos, o que faz é apenas registro de mundos.





Porcocachorrohomem

10

Tudo calmo, Miguel satisfeito caminha com as mãos na terra, encosta numa árvore se delicia com o recente êxito, dorme e sonha o sonho dos vencedores. Quando acordou logo percebeu que estava num lugar diferente, o ar estava pesado e desconfortável, lembrava um pouco sua casa se não fosse o chão frio e duro o Porcocachorrohomem foi enjaulado, percebeu e grunhiulatiuchorou desesperadamente, ouviu várias vozes estava sendo exposto, um velho magro com olhos vazios que fazia a apresentação – senhoras e senhores vindo do mais profundo buraco metade porco, metade cachorro, metade macaco esse que não merece nome de batismo.

11

O escravizado não pode ter nada de semelhante com o escravizador sempre tem que estar num patamar inferior o velho sabia que Miguel tinha uma porcentagem humana, mas para não ferir a moral e os bons costumes regrediu a parcela humana a um simples símio que foi ajudado pela aparência. Ficou rico, chicoteava o monstro só para os espectadores ouvirem o grunhidolatidochoro que era muito engraçado, os velhos jogavam frutas podres, as crianças cuspiam na cara, muitos furavam o corpo do Porcocachorrohomem com espeto de churrasco, gritavam dizendo que se tivessem oportunidade comeriam sua carne, o sofrimento da jaula era o retorno de suas maldades?

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Jean Souza
Porcocachorrohomem

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Tudo calmo, Miguel satisfeito caminha com as mãos na terra, encosta numa árvore se delicia com o recente êxito, dorme e sonha o sonho dos vencedores. Quando acordou logo percebeu que estava num lugar diferente, o ar estava pesado e desconfortável, lembrava um pouco sua casa se não fosse o chão frio e duro o Porcocachorrohomem foi enjaulado, percebeu e grunhiulatiuchorou desesperadamente, ouviu várias vozes estava sendo exposto, um velho magro com olhos vazios que fazia a apresentação – senhoras e senhores vindo do mais profundo buraco metade porco, metade cachorro, metade macaco esse que não merece nome de batismo.

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O escravizado não pode ter nada de semelhante com o escravizador sempre tem que estar num patamar inferior o velho sabia que Miguel tinha uma porcentagem humana, mas para não ferir a moral e os bons costumes regrediu a parcela humana a um simples símio que foi ajudado pela aparência. Ficou rico, chicoteava o monstro só para os espectadores ouvirem o grunhidolatidochoro que era muito engraçado, os velhos jogavam frutas podres, as crianças cuspiam na cara, muitos furavam o corpo do Porcocachorrohomem com espeto de churrasco, gritavam dizendo que se tivessem oportunidade comeriam sua carne, o sofrimento da jaula era o retorno de suas maldades?

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