Prédios - Jean Souza
Jean Souza
Nascido em Salvador Bahia no início dos anos 80 Bast o transformou em gato por causa de uma aposta perdida o que ele adorou, condenado ao exílio do submundo escreve para poder passar o tempo na eternidade, lembra de sua vida como humano quando ouvia sludge metal, industrial e noise alisando seus gatos Adolfinho e Tina Turner. Pode ver as outras dimensões e dessas experiências tinge sua pena e começa a escrever, se inspira em Lautréamont, Gogól, Strindberg, Lovecraft, Augustos Dos Anjos, Balzac, Jack Kerauac e seres fantásticos como a alma atormentada de Barba Azul, as divindades Abbuto, Yebá Beló por exemplo, é uma nova entidade que não procura por riquezas ou títulos humanos, o que faz é apenas registro de mundos.





Prédios

Em muitos prédios existem máquinas enormes e padronizadas que simultaneamente emitem ruídos metálicos, gritos irritantes e sem vida, velhas máquinas que expelem por enormes buracos remédios, milhares, centenas de milhares de comprimidos, há diversas cores. Todos esperam ansiosos os vômitos das máquinas, caem na imundície, engolem a última invenção, mergulhados em desordens fétidas e pastosas tentam matar a fome. Lutam esqueléticos insatisfeitos em completa harmonia, imitam as máquinas vomitando e expandindo o vazio.

Noite. Rastejam submersos em pequenas vontades, prédio quase sem vida, apenas duas criaturas a se olharem rosnam mostrando os dentes cheios de ódio que reverbera pelas paredes, fome e medo, estão presos no mundo sem lembranças, não sabem como viveram tanto, nem se perguntam, apenas observam um ao outro como a única forma de prazer, gritam com força, medo e fome, quem vai reagir primeiro? Suor salgado, braços, pernas, pescoço, barriga. Em movimento oferecem o prazer dos sentidos saturados e modificados. Rasgões, mordidas. Sangue sem cor escorrendo, bebem um ao outro, juntos no último ritual religioso mastigam o melhor das carnes, inconscientemente adoram um deus morto em estado decomposto. No final apenas escuridão.

Comem merda, colocam nas mãos a massa morna recém saída dos intestinos. Mastigam e engolem, alguns brincam passando a merda pelo rosto a excitação está no auge sentem vontade de sexo. Violentam e rasgam, untam tudo que podem tocar com merda. O frenesi parece eterno, vomitam e gozam, sodomizam, o ar se torna mais podre ainda, enchem o lodo de esperma, subjugam os mais fracos. Comem merda, comem merda, gozam. Olhos , ouvidos, gargantas. Entupidos de merda estão se afogando deliciosamente.

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Jean Souza
Prédios

Em muitos prédios existem máquinas enormes e padronizadas que simultaneamente emitem ruídos metálicos, gritos irritantes e sem vida, velhas máquinas que expelem por enormes buracos remédios, milhares, centenas de milhares de comprimidos, há diversas cores. Todos esperam ansiosos os vômitos das máquinas, caem na imundície, engolem a última invenção, mergulhados em desordens fétidas e pastosas tentam matar a fome. Lutam esqueléticos insatisfeitos em completa harmonia, imitam as máquinas vomitando e expandindo o vazio.

Noite. Rastejam submersos em pequenas vontades, prédio quase sem vida, apenas duas criaturas a se olharem rosnam mostrando os dentes cheios de ódio que reverbera pelas paredes, fome e medo, estão presos no mundo sem lembranças, não sabem como viveram tanto, nem se perguntam, apenas observam um ao outro como a única forma de prazer, gritam com força, medo e fome, quem vai reagir primeiro? Suor salgado, braços, pernas, pescoço, barriga. Em movimento oferecem o prazer dos sentidos saturados e modificados. Rasgões, mordidas. Sangue sem cor escorrendo, bebem um ao outro, juntos no último ritual religioso mastigam o melhor das carnes, inconscientemente adoram um deus morto em estado decomposto. No final apenas escuridão.

Comem merda, colocam nas mãos a massa morna recém saída dos intestinos. Mastigam e engolem, alguns brincam passando a merda pelo rosto a excitação está no auge sentem vontade de sexo. Violentam e rasgam, untam tudo que podem tocar com merda. O frenesi parece eterno, vomitam e gozam, sodomizam, o ar se torna mais podre ainda, enchem o lodo de esperma, subjugam os mais fracos. Comem merda, comem merda, gozam. Olhos , ouvidos, gargantas. Entupidos de merda estão se afogando deliciosamente.

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