A IRA DE AMON - Jeane Tertuliano
Jeane Tertuliano
Jeane Tertuliano é nordestina, escritora e acadêmica de Letras pela Uneal. Membro da União Brasileira de Escritores (UBE), Academia Literária Internacional de Artes, Letras e Ciências ‘A Palavra do Século 21’ (ALPAS 21), Academia de Artes e Letras da Baixada Fluminense e Brasil (AALIBB), Academia Independente de Letras (AIL) e comendadora das artes literárias no Brasil pela Ordem Scriptorium, é autora do livro (In)sanidade Lírica, coautora de diversas antologias e organizadora do projeto antológico “Sororidade em plena calamidade”. É amante das artes e, tratando-se de literatura, tem como inspiração Hilda Hilst, Clarice Lispector e Edgar Allan Poe. No ano corrente, foi selecionada no Prêmio Internacional Mulheres das Letras 2020, no 4º Concurso de Poesias - Prêmio Cecília Meireles e no XXXV Concurso de Poesia Brasil dos Reis. Atualmente, reside em Campo Alegre, cidade localizada no interior de Alagoas.







A IRA DE AMON

De costas para o quintal, sinto um intenso baforar açoitar a minha retaguarda. Um mau cheiro de putrefação inunda o ar e sou automaticamente acometida por ânsia de vômito. Ergo a mão à maçaneta, mas ela está há cerca de dois metros de distância. Sem mais delongas, adentro a casa e apresso-me em fechar a porta, latidos estridentes preenchem todas e quaisquer lacunas existentes no meu maldito lar. Maldição! A droga da porta não quer fechar! Continuo empurrando-a inutilmente em meio ao caos. Trovões, pingueiras e latidos sem fim, isso certamente poderia endoidecer até mesmo a pessoa mais sã do universo. Olho para baixo com o intuito de descobrir o empecilho e lá está ele: uma pata canina gigante! Devo alucinar, sussurro de mim para mim mesma. Concentro toda a minha força e piso na pata, e há uma explosão de ganidos terrificantes ao mesmo tempo que a porta foi aberta estrondosamente, jogando-me no chão ferozmente. Um ser hediondo saltou em cima de mim, me pressionando contra o chão com uma força monumental. Sufocando, clamo fracamente por misericórdia. A criatura me olha atentamente com seus olhos raivosos e antes de eu sussurrar mais uma prece em vão, ela vocifera num timbre de voz gutural: eu não sou obrigado a ser misericordioso com você! Risadas e berros medonhos perfuram os meus tímpanos enquanto sou conduzida à funesta inconsciência.

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Jeane Tertuliano
A IRA DE AMON

De costas para o quintal, sinto um intenso baforar açoitar a minha retaguarda. Um mau cheiro de putrefação inunda o ar e sou automaticamente acometida por ânsia de vômito. Ergo a mão à maçaneta, mas ela está há cerca de dois metros de distância. Sem mais delongas, adentro a casa e apresso-me em fechar a porta, latidos estridentes preenchem todas e quaisquer lacunas existentes no meu maldito lar. Maldição! A droga da porta não quer fechar! Continuo empurrando-a inutilmente em meio ao caos. Trovões, pingueiras e latidos sem fim, isso certamente poderia endoidecer até mesmo a pessoa mais sã do universo. Olho para baixo com o intuito de descobrir o empecilho e lá está ele: uma pata canina gigante! Devo alucinar, sussurro de mim para mim mesma. Concentro toda a minha força e piso na pata, e há uma explosão de ganidos terrificantes ao mesmo tempo que a porta foi aberta estrondosamente, jogando-me no chão ferozmente. Um ser hediondo saltou em cima de mim, me pressionando contra o chão com uma força monumental. Sufocando, clamo fracamente por misericórdia. A criatura me olha atentamente com seus olhos raivosos e antes de eu sussurrar mais uma prece em vão, ela vocifera num timbre de voz gutural: eu não sou obrigado a ser misericordioso com você! Risadas e berros medonhos perfuram os meus tímpanos enquanto sou conduzida à funesta inconsciência.

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