REMINISCÊNCIA - Jeane Tertuliano
Jeane Tertuliano
Jeane Tertuliano é nordestina, escritora e acadêmica de Letras pela Uneal. Membro da União Brasileira de Escritores (UBE), Academia Literária Internacional de Artes, Letras e Ciências ‘A Palavra do Século 21’ (ALPAS 21), Academia de Artes e Letras da Baixada Fluminense e Brasil (AALIBB), Academia Independente de Letras (AIL) e comendadora das artes literárias no Brasil pela Ordem Scriptorium, é autora do livro (In)sanidade Lírica, coautora de diversas antologias e organizadora do projeto antológico “Sororidade em plena calamidade”. É amante das artes e, tratando-se de literatura, tem como inspiração Hilda Hilst, Clarice Lispector e Edgar Allan Poe. No ano corrente, foi selecionada no Prêmio Internacional Mulheres das Letras 2020, no 4º Concurso de Poesias - Prêmio Cecília Meireles e no XXXV Concurso de Poesia Brasil dos Reis. Atualmente, reside em Campo Alegre, cidade localizada no interior de Alagoas.







REMINISCÊNCIA

Praticamente me arrastando, sigo em direção à porta, clamando ardentemente para que os passos se fizessem audíveis novamente e eu pudesse enfim me livrar desse sentimento aterrador que está a reclamar o meu fôlego. Ao passar defronte o espelho, prendo a respiração. Eu encolhi e estou trajando um lindo vestido, longo e volumoso. Em minha mão há um martelo banhado por um líquido carmesim e viscoso, mas o pior está estampado nas janelas da minh‘’alma: não há globos oculares e sangue jorra dos vãos onde deveriam constar olhos pueris. Antes de eu desfalecer, a boca à minha frente sorri e dentes pontudos e carcomidos ficam à mostra. Uma voz soprada pergunta em minha mente: “você não tentará reprimir as lembranças dessa vez? Um odor pútrido inunda o ar enquanto eu despenco em câmera lenta até o chão, e a nostalgia que me acometera noutrora embala-me à inconsciência.

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Jeane Tertuliano
REMINISCÊNCIA

Praticamente me arrastando, sigo em direção à porta, clamando ardentemente para que os passos se fizessem audíveis novamente e eu pudesse enfim me livrar desse sentimento aterrador que está a reclamar o meu fôlego. Ao passar defronte o espelho, prendo a respiração. Eu encolhi e estou trajando um lindo vestido, longo e volumoso. Em minha mão há um martelo banhado por um líquido carmesim e viscoso, mas o pior está estampado nas janelas da minh‘’alma: não há globos oculares e sangue jorra dos vãos onde deveriam constar olhos pueris. Antes de eu desfalecer, a boca à minha frente sorri e dentes pontudos e carcomidos ficam à mostra. Uma voz soprada pergunta em minha mente: “você não tentará reprimir as lembranças dessa vez? Um odor pútrido inunda o ar enquanto eu despenco em câmera lenta até o chão, e a nostalgia que me acometera noutrora embala-me à inconsciência.

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