SPIRITUS TENEBRARUM - Jeane Tertuliano
Jeane Tertuliano
Jeane Tertuliano é nordestina, escritora e acadêmica de Letras pela Uneal. Membro da União Brasileira de Escritores (UBE), Academia Literária Internacional de Artes, Letras e Ciências ‘A Palavra do Século 21’ (ALPAS 21), Academia de Artes e Letras da Baixada Fluminense e Brasil (AALIBB), Academia Independente de Letras (AIL) e comendadora das artes literárias no Brasil pela Ordem Scriptorium, é autora do livro (In)sanidade Lírica, coautora de diversas antologias e organizadora do projeto antológico “Sororidade em plena calamidade”. É amante das artes e, tratando-se de literatura, tem como inspiração Hilda Hilst, Clarice Lispector e Edgar Allan Poe. No ano corrente, foi selecionada no Prêmio Internacional Mulheres das Letras 2020, no 4º Concurso de Poesias - Prêmio Cecília Meireles e no XXXV Concurso de Poesia Brasil dos Reis. Atualmente, reside em Campo Alegre, cidade localizada no interior de Alagoas.







SPIRITUS TENEBRARUM

Era uma manhã demasiado soturna,

nuvens chorosas impediam

o aparecimento do astro-rei.

Foi naquela manhã melancólica

que eu ansiei sucumbir ao infindável inane.

Fitei-me no espelho e vislumbrei

um vão incomensurável nas janelas da minh’alma.

Os meus lábios, lívidos e trêmulos, sussurraram:

tu és bem-vindo, spiritus tenebrarum.

Subitamente, através da janela entreaberta,

um sopro glacial adentrou o meu quarto;

a brisa trouxe consigo uma enorme pena azeviche.

Vagarosamente, ela pousou em meu leito,

e um grasnar ensurdecedor encheu o recinto.

Naquele instante, eu pude compreender:

o ceifeiro não veio, mas enviou o seu leal mensageiro.

Jeane Tertuliano
SPIRITUS TENEBRARUM

Era uma manhã demasiado soturna,

nuvens chorosas impediam

o aparecimento do astro-rei.

Foi naquela manhã melancólica

que eu ansiei sucumbir ao infindável inane.

Fitei-me no espelho e vislumbrei

um vão incomensurável nas janelas da minh’alma.

Os meus lábios, lívidos e trêmulos, sussurraram:

tu és bem-vindo, spiritus tenebrarum.

Subitamente, através da janela entreaberta,

um sopro glacial adentrou o meu quarto;

a brisa trouxe consigo uma enorme pena azeviche.

Vagarosamente, ela pousou em meu leito,

e um grasnar ensurdecedor encheu o recinto.

Naquele instante, eu pude compreender:

o ceifeiro não veio, mas enviou o seu leal mensageiro.