Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
João Paulo Effting
João Paulo Effting teve sua paixão pelo terror despertada ainda quando criança, quando seu pai e sua mãe saíram para um baile, em uma sexta-feira, e ele ficou em casa assistindo TV. Eis então que começa o filme "O ataque dos tomates assassinos", e seus olhos brilharam e o coração bateu mais rápido. E dali pra frente foi só paixão por esse gênero. Noites mal dormidas esperando pelo Cine Trash e Cine Sinistro madrugada adentro, gravando em fitas VHC filmes que ele procurava na listinha da TV a Cabo. Mas foi só com vinte e poucos anos que juntou as peças da paixão pelos filmes de terror com a paixão pela leitura e um click soou em sua cabeça: por que não criar suas próprias histórias? E desde então ele se encontrou, dando vida a mundos cheios de criaturas (nem sempre boas, mas sempre más).





Ele vê

            “Acorda sua putinha!”.

            Foi assim que ele falou comigo pela primeira vez, como meus clientes costumam me chamar enquanto me comem. Mantive meus olhos fechados, pois a voz veio de dentro da minha cabeça e da fumaça nebulosa que era meu sonho naquela noite. Apenas formas irreconhecíveis.

            “Vamos putinha, estou te esperando”. Uma forma negra veio se aproximando de mim e por mais que tudo não passasse de um borrão, eu reconheci um sorriso em meio a toda aquela escuridão.

            “Espero que tire essa roupa quando eu chegar, pois meu pau está estourando”. – A sombra falou.

            Ele chega mais perto ainda. Não consigo me mexer e meus pés não respondem ao comando que minha mente envia a eles: corra!

            “Estou chegando. Sente ele encostando na sua perna, putinha?”.

            Eu sinto. Sinto algo gelado vindo de encontro com minha perna direita. E é tão gelado que chega a queimar. Abro a boca para gritar, mas não sai som algum. Ele gargalha.

            “Não fique com medo de mim não. A partir de agora você será a minha putinha e só minha”.

            Ele encosta o que imagino ser seu peito em meu peito. É gelado, mas queima.

            Tento falar alguma coisa, mas ele tapa minha boca com o que deve ser sua mão.

            “Quieto putinha. Só fale quando eu mandar”.

            E ele move sua boca em minha direção. Sua boca nebulosa e sem forma, mas sei que é a boca, pois junto dela vem seu sorriso.

            Ele toca meus lábios. É gelado, mas dessa vez não queima. Por um momento resisto, mas depois me entrego. Ele separa os lábios dos meus. Penso que apesar de tudo, está sendo um sonho interessante. Até que algo entra em meu corpo e revira minhas entranhas. Sinto uma dor imensa e então desperto: mas não consigo me mover.

            Meus olhos estão fixos na parede e o relógio digital em minha cabeceira marca 3:00h. Ele pisca em letras vermelhas, iluminando o quarto com aquele tom de bordel. Afinal, meu quarto não deixa de ser um bordel de homens e mulheres. Clientes.

            Tento mover meus braços e minhas pernas, mas sem sucesso algum. Minha cabeça também não acompanha os movimentos que desejaria que ela fizesse. Movo meus olhos para o relógio de parede que sempre usei como decoração. Os ponteiros também marcam 3:00h, mas isso não é possível. Ele nunca funcionou e sempre ficou com os ponteiros marcando 12:30h.

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            “Acorda sua putinha!”.

            Foi assim que ele falou comigo pela primeira vez, como meus clientes costumam me chamar enquanto me comem. Mantive meus olhos fechados, pois a voz veio de dentro da minha cabeça e da fumaça nebulosa que era meu sonho naquela noite. Apenas formas irreconhecíveis.

            “Vamos putinha, estou te esperando”. Uma forma negra veio se aproximando de mim e por mais que tudo não passasse de um borrão, eu reconheci um sorriso em meio a toda aquela escuridão.

            “Espero que tire essa roupa quando eu chegar, pois meu pau está estourando”. – A sombra falou.

            Ele chega mais perto ainda. Não consigo me mexer e meus pés não respondem ao comando que minha mente envia a eles: corra!

            “Estou chegando. Sente ele encostando na sua perna, putinha?”.

            Eu sinto. Sinto algo gelado vindo de encontro com minha perna direita. E é tão gelado que chega a queimar. Abro a boca para gritar, mas não sai som algum. Ele gargalha.

            “Não fique com medo de mim não. A partir de agora você será a minha putinha e só minha”.

            Ele encosta o que imagino ser seu peito em meu peito. É gelado, mas queima.

            Tento falar alguma coisa, mas ele tapa minha boca com o que deve ser sua mão.

            “Quieto putinha. Só fale quando eu mandar”.

            E ele move sua boca em minha direção. Sua boca nebulosa e sem forma, mas sei que é a boca, pois junto dela vem seu sorriso.

            Ele toca meus lábios. É gelado, mas dessa vez não queima. Por um momento resisto, mas depois me entrego. Ele separa os lábios dos meus. Penso que apesar de tudo, está sendo um sonho interessante. Até que algo entra em meu corpo e revira minhas entranhas. Sinto uma dor imensa e então desperto: mas não consigo me mover.

            Meus olhos estão fixos na parede e o relógio digital em minha cabeceira marca 3:00h. Ele pisca em letras vermelhas, iluminando o quarto com aquele tom de bordel. Afinal, meu quarto não deixa de ser um bordel de homens e mulheres. Clientes.

            Tento mover meus braços e minhas pernas, mas sem sucesso algum. Minha cabeça também não acompanha os movimentos que desejaria que ela fizesse. Movo meus olhos para o relógio de parede que sempre usei como decoração. Os ponteiros também marcam 3:00h, mas isso não é possível. Ele nunca funcionou e sempre ficou com os ponteiros marcando 12:30h.

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