Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
João Paulo Effting
João Paulo Effting teve sua paixão pelo terror despertada ainda quando criança, quando seu pai e sua mãe saíram para um baile, em uma sexta-feira, e ele ficou em casa assistindo TV. Eis então que começa o filme "O ataque dos tomates assassinos", e seus olhos brilharam e o coração bateu mais rápido. E dali pra frente foi só paixão por esse gênero. Noites mal dormidas esperando pelo Cine Trash e Cine Sinistro madrugada adentro, gravando em fitas VHC filmes que ele procurava na listinha da TV a Cabo. Mas foi só com vinte e poucos anos que juntou as peças da paixão pelos filmes de terror com a paixão pela leitura e um click soou em sua cabeça: por que não criar suas próprias histórias? E desde então ele se encontrou, dando vida a mundos cheios de criaturas (nem sempre boas, mas sempre más).





Ele vê

            Eu vou. Me deito de barriga para cima e abro minhas pernas. Ele gosta disso, eu sei. Ele sorri quando me vê daquela forma e fica me observando por um tempo, com a mão ainda no pau de Pedro.

            “Quer que eu te dê uma lição putinha?”

            “Sim, eu quero”. – Respondo.

            Ele sorri. Eu amo esse sorriso. Ele vem em minha direção e meu pau lateja. Ele sobe na cama e pega minhas pernas, levanta meu corpo e então me toma para ele de novo. E eu gemo.

            Fecho meus olhos e uma explosão de cores e imagens inundam meus pensamentos. Cores vivas e vibrantes. Sinto o mundo passar pelo meu pensamento e imagens desconexas inundam minha mente. De repente uma explosão branca toma conta de tudo e então eu sei que terminou. O corpo de Pedro está caído e sem vida sobre mim. E eu me sinto vazio sem o homem do relógio. Ele se foi e demorará uma eternidade para que volte.

            Empurro o corpo do meu ex para o lado e me deito, ainda de pau duro, lembrando dele. Do meu mestre. Do meu senhor. Eu sou dele e ele me possuí para sempre. Ele é dono de mim, do meu corpo e da minha alma. Antes que eu feche meus olhos e caia no mundo dos sonhos onde só ele me visita, eu ouço sua voz quente e forte:

            “Tenha bons sonhos, putinha”.

 

***

 

            Ele está no meu sonho, mas não está sozinho dessa vez. Agora as imagens são nítidas e ele não é mais atraente. Seu rosto é desfigurado e sua pele está deformada, como se tivesse sido queimada. O corpo é baixo e desproporcional. Os pés são pequenos e uma grande barriga pende de seu abdômen, quase encostando no chão. Os olhos ainda são vermelhos e o sorriso é amedrontador. Atrás dele vejo outras pessoas. Homens e mulheres e todos me olham com tristeza. Vejo algo que parecem lágrimas saindo dos olhos deles.

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            Eu vou. Me deito de barriga para cima e abro minhas pernas. Ele gosta disso, eu sei. Ele sorri quando me vê daquela forma e fica me observando por um tempo, com a mão ainda no pau de Pedro.

            “Quer que eu te dê uma lição putinha?”

            “Sim, eu quero”. – Respondo.

            Ele sorri. Eu amo esse sorriso. Ele vem em minha direção e meu pau lateja. Ele sobe na cama e pega minhas pernas, levanta meu corpo e então me toma para ele de novo. E eu gemo.

            Fecho meus olhos e uma explosão de cores e imagens inundam meus pensamentos. Cores vivas e vibrantes. Sinto o mundo passar pelo meu pensamento e imagens desconexas inundam minha mente. De repente uma explosão branca toma conta de tudo e então eu sei que terminou. O corpo de Pedro está caído e sem vida sobre mim. E eu me sinto vazio sem o homem do relógio. Ele se foi e demorará uma eternidade para que volte.

            Empurro o corpo do meu ex para o lado e me deito, ainda de pau duro, lembrando dele. Do meu mestre. Do meu senhor. Eu sou dele e ele me possuí para sempre. Ele é dono de mim, do meu corpo e da minha alma. Antes que eu feche meus olhos e caia no mundo dos sonhos onde só ele me visita, eu ouço sua voz quente e forte:

            “Tenha bons sonhos, putinha”.

 

***

 

            Ele está no meu sonho, mas não está sozinho dessa vez. Agora as imagens são nítidas e ele não é mais atraente. Seu rosto é desfigurado e sua pele está deformada, como se tivesse sido queimada. O corpo é baixo e desproporcional. Os pés são pequenos e uma grande barriga pende de seu abdômen, quase encostando no chão. Os olhos ainda são vermelhos e o sorriso é amedrontador. Atrás dele vejo outras pessoas. Homens e mulheres e todos me olham com tristeza. Vejo algo que parecem lágrimas saindo dos olhos deles.

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