Fetiche estranho - João Paulo Effting
João Paulo Effting
João Paulo Effting teve sua paixão pelo terror despertada ainda quando criança, quando seu pai e sua mãe saíram para um baile, em uma sexta-feira, e ele ficou em casa assistindo TV. Eis então que começa o filme "O ataque dos tomates assassinos", e seus olhos brilharam e o coração bateu mais rápido. E dali pra frente foi só paixão por esse gênero. Noites mal dormidas esperando pelo Cine Trash e Cine Sinistro madrugada adentro, gravando em fitas VHC filmes que ele procurava na listinha da TV a Cabo. Mas foi só com vinte e poucos anos que juntou as peças da paixão pelos filmes de terror com a paixão pela leitura e um click soou em sua cabeça: por que não criar suas próprias histórias? E desde então ele se encontrou, dando vida a mundos cheios de criaturas (nem sempre boas, mas sempre más).





Fetiche estranho

            Semanas depois encontraram o corpo dela. O corredor do apartamento onde morava estava inundado por um odor putrefato. O policial que a encontrou tapou o nariz assim que entrou no quarto, e o cheiro causou-lhe um embrulho no estômago. Mas quando os olhos encontraram a cena, seu estômago se revirou e trouxe tudo o que ele havia comido para fora, em um jato azedo e quente de vômito. O corpo da mulher encontrava-se em fase de decomposição avançada, deitado no chão, com a cabeça quase separada do corpo. O legista constataria que a única coisa que ainda a segurava naquele lugar eram os ossos.

            E o que ficaria na cabeça daquele policial para o resto de seus dias seria o sorriso estampado naquela cabeça. Era o mesmo sorriso que ele dava quando encontrava seus filhos depois de um dia difícil de trabalho. Ou o mesmo que dava quando sua mulher lhe trazia o café da manhã na cama. Era o sorriso de alguém que estava feliz. Alguém no ápice da maior felicidade que já poderia ter presenciado.

 

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João Paulo Effting
Fetiche estranho

            Semanas depois encontraram o corpo dela. O corredor do apartamento onde morava estava inundado por um odor putrefato. O policial que a encontrou tapou o nariz assim que entrou no quarto, e o cheiro causou-lhe um embrulho no estômago. Mas quando os olhos encontraram a cena, seu estômago se revirou e trouxe tudo o que ele havia comido para fora, em um jato azedo e quente de vômito. O corpo da mulher encontrava-se em fase de decomposição avançada, deitado no chão, com a cabeça quase separada do corpo. O legista constataria que a única coisa que ainda a segurava naquele lugar eram os ossos.

            E o que ficaria na cabeça daquele policial para o resto de seus dias seria o sorriso estampado naquela cabeça. Era o mesmo sorriso que ele dava quando encontrava seus filhos depois de um dia difícil de trabalho. Ou o mesmo que dava quando sua mulher lhe trazia o café da manhã na cama. Era o sorriso de alguém que estava feliz. Alguém no ápice da maior felicidade que já poderia ter presenciado.

 

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