Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Jorge Machado
Escritor desde os doze anos de idade (quando conheci a literatura e adotei o pseudônimo temporário de "Jorge Mamado"). Fui apresentado ao horror tarde, nas estantes da biblioteca pública do ensino médio. Desde então sigo na busca do funesto e do reprovável como forma de resistência à apatia e ao conformismo dessa geração.
Brinquei de punk durante a adolescência tardia e troquei a água pela cerveja. Depois pela pinga. Depois voltei aos livros. Viciado em gás lacrimogêneo e spray de pimenta, sonho em explodir o Ancapistão usando um artefato com a grafia "Propriedade é roubo" na fuselagem.





Eterno retorno aos embalos de sábado à noite

A explosão de espasmos musculares nas pernas de Matteus prejudicavam a corrida por entre os baladeiros histéricos da rua Augusta. Uma dor lancinante nascia na batata da perna direita e desembocava na barriga. Contrações esporádicas faziam com que ele se perguntasse a natureza da coisa que estava em suas entranhas. Os dedos gelados passavam por toda extensão do tronco [Jesus amado Jesus] corroendo a composição interna de seu corpo como se a parede do estomago estivesse esburacada, ocasionando um vazamento ácido no cólo transversal do intestino.
Ele enxugou o suor do rosto quando chegou ao estacionamento. Pagou o funcionário do estabelecimento que murmurou algo sobre o troco. Matteus não esperou as moedas e se encaminhou para a motocicleta. Rapidamente ouviu o ronco do motor da yamaha e disparou fazendo os pneus trinarem no chão. Desceu pela ladeira que dava acesso à avenida e desembocou na pista.

Cinquenta metros acima, ainda na augusta, o Barba acelerava buzinando para os motoristas lerdos que dominavam a rua. Ele investiu para cima do Corolla que tentou desviar para não ser engolido e acabou parando no meio-fio, o motorista erguia o dedo médio e agora Barba o acompanhava pelo retrovisor.

O motor dianteiro k420 6×2 rugiu na lataria lançando uma descarga brutal de força motriz para o Scania de vinte toneladas. Barba podia ver o motociclista saindo do estacionamento. Ele manobrou o gigante sueco de metal e repentinamente perdeu a capacidade de ver a pista. Uma massa disforme e violácea havia escapado de sua boca e grudado no para-brisa obstruindo sua visão. Uma cobra saía por sua garganta e o mundo se tornava negro.

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

Jorge Machado
Eterno retorno aos embalos de sábado à noite

A explosão de espasmos musculares nas pernas de Matteus prejudicavam a corrida por entre os baladeiros histéricos da rua Augusta. Uma dor lancinante nascia na batata da perna direita e desembocava na barriga. Contrações esporádicas faziam com que ele se perguntasse a natureza da coisa que estava em suas entranhas. Os dedos gelados passavam por toda extensão do tronco [Jesus amado Jesus] corroendo a composição interna de seu corpo como se a parede do estomago estivesse esburacada, ocasionando um vazamento ácido no cólo transversal do intestino.
Ele enxugou o suor do rosto quando chegou ao estacionamento. Pagou o funcionário do estabelecimento que murmurou algo sobre o troco. Matteus não esperou as moedas e se encaminhou para a motocicleta. Rapidamente ouviu o ronco do motor da yamaha e disparou fazendo os pneus trinarem no chão. Desceu pela ladeira que dava acesso à avenida e desembocou na pista.

Cinquenta metros acima, ainda na augusta, o Barba acelerava buzinando para os motoristas lerdos que dominavam a rua. Ele investiu para cima do Corolla que tentou desviar para não ser engolido e acabou parando no meio-fio, o motorista erguia o dedo médio e agora Barba o acompanhava pelo retrovisor.

O motor dianteiro k420 6×2 rugiu na lataria lançando uma descarga brutal de força motriz para o Scania de vinte toneladas. Barba podia ver o motociclista saindo do estacionamento. Ele manobrou o gigante sueco de metal e repentinamente perdeu a capacidade de ver a pista. Uma massa disforme e violácea havia escapado de sua boca e grudado no para-brisa obstruindo sua visão. Uma cobra saía por sua garganta e o mundo se tornava negro.

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11