Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Jorge Machado
Escritor desde os doze anos de idade (quando conheci a literatura e adotei o pseudônimo temporário de "Jorge Mamado"). Fui apresentado ao horror tarde, nas estantes da biblioteca pública do ensino médio. Desde então sigo na busca do funesto e do reprovável como forma de resistência à apatia e ao conformismo dessa geração.
Brinquei de punk durante a adolescência tardia e troquei a água pela cerveja. Depois pela pinga. Depois voltei aos livros. Viciado em gás lacrimogêneo e spray de pimenta, sonho em explodir o Ancapistão usando um artefato com a grafia "Propriedade é roubo" na fuselagem.





Eterno retorno aos embalos de sábado à noite

Matteus estava se preparando para pegar a saída mais próxima quando o mundo inteiro começou a rodopiar e um barulho horrível de carroceria sendo esmagada chegou aos seus ouvidos. Ele foi arremessado por uma força desconhecida e depois sentiu uma pressão incomensurável no peito. A dor de barriga se tornou desprezível diante da sensação de ter os órgãos internos reordenados em posições nada recomendáveis. Ele girou no chão e pôde vislumbrar uma enorme quantidade de sangue e pedacinhos de carne sendo espalhados pela pista em um caleidoscópio de imagens horripilantes. Quando a cidade ao redor parou de girar, um ar de estranhamento pareceu pairar sobre sua visão. Ele lutou para respirar, mas os pulmões pareciam ter ido passear fora do corpo e o que sentiu foi apenas uma ardência singular no que devia ser a região lombar. A região estava em um lugar diferente, claro, parecia estar acima de sua cabeça. Era tudo muito estranho e novo e ele deduziu que seu equilíbrio estava sendo afetado pelos ferimentos na orelha que repousava próxima da boca. Havia sido desfiada junto com a pele por sobre o rosto e ele podia ver com o olho esbugalhado que a perna estava virada numa posição impossível. Lá atrás ele via também uma multidão de curiosos que se formava na calçada para ver o que tinha acontecido. Vários deles bebiam garrafas de Wiederkunft e olhavam para ele como se estivesse em péssima situação. Matteus reconheceu três dos passantes e a ultima coisa que viu antes de morrer foi a si mesmo.

 

 

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Jorge Machado
Eterno retorno aos embalos de sábado à noite

Matteus estava se preparando para pegar a saída mais próxima quando o mundo inteiro começou a rodopiar e um barulho horrível de carroceria sendo esmagada chegou aos seus ouvidos. Ele foi arremessado por uma força desconhecida e depois sentiu uma pressão incomensurável no peito. A dor de barriga se tornou desprezível diante da sensação de ter os órgãos internos reordenados em posições nada recomendáveis. Ele girou no chão e pôde vislumbrar uma enorme quantidade de sangue e pedacinhos de carne sendo espalhados pela pista em um caleidoscópio de imagens horripilantes. Quando a cidade ao redor parou de girar, um ar de estranhamento pareceu pairar sobre sua visão. Ele lutou para respirar, mas os pulmões pareciam ter ido passear fora do corpo e o que sentiu foi apenas uma ardência singular no que devia ser a região lombar. A região estava em um lugar diferente, claro, parecia estar acima de sua cabeça. Era tudo muito estranho e novo e ele deduziu que seu equilíbrio estava sendo afetado pelos ferimentos na orelha que repousava próxima da boca. Havia sido desfiada junto com a pele por sobre o rosto e ele podia ver com o olho esbugalhado que a perna estava virada numa posição impossível. Lá atrás ele via também uma multidão de curiosos que se formava na calçada para ver o que tinha acontecido. Vários deles bebiam garrafas de Wiederkunft e olhavam para ele como se estivesse em péssima situação. Matteus reconheceu três dos passantes e a ultima coisa que viu antes de morrer foi a si mesmo.

 

 

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