Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Jorge Machado
Escritor desde os doze anos de idade (quando conheci a literatura e adotei o pseudônimo temporário de "Jorge Mamado"). Fui apresentado ao horror tarde, nas estantes da biblioteca pública do ensino médio. Desde então sigo na busca do funesto e do reprovável como forma de resistência à apatia e ao conformismo dessa geração.
Brinquei de punk durante a adolescência tardia e troquei a água pela cerveja. Depois pela pinga. Depois voltei aos livros. Viciado em gás lacrimogêneo e spray de pimenta, sonho em explodir o Ancapistão usando um artefato com a grafia "Propriedade é roubo" na fuselagem.





Eterno retorno aos embalos de sábado à noite

Eu não bebia American Lager até conhecer a Wiederkunft, disse Anestor. Você precisa experimentar essa nova marca. É um estouro.

– Vocês que sabem, disse Matteus. Estou me sentindo meio estranho hoje.

– Como assim? quis saber Michele.

– Só uma sensação estranha de Déjà vu.

Anestor sorriu.

– Eu tinha um tio que falava que isso é proveniente de assuntos não resolvidos em vidas passadas.

– Balela, interveio Michele com um risinho.

O gordo passava novamente pela mesa e Anestor ergueu o braço para captar sua atenção.

– Uma litrão pra começar por favor.

O atendente assentiu e se dirigiu aos fundos para pegar a garrafa. Matteus olhou em volta e avistou as outras mesas. Todos os presentes pareciam ter entrado na brincadeira de experimentar a nova cerva. A cerveja alemã estava distribuída em todas as mesas do recinto. Atrás do balcão ele viu os posteres da nova cerveja. Uma mulher negra usava um biquini minúsculo e sorria exibindo a nova cerveja com um sorriso deformado de botóx.

O atendente voltou e bateu a garrafa na mesa abrindo-a em seguida e o que Matteus ouviu foi uma espécie de guincho. O tsss característico que se seguiu ao estouro após a abertura da garrafa pareceu se prolongar por um tempo aquém do habitual e um tinido quase sobrenatural o envolveu. A fumaça que escapava agora do recipiente de vidro envolvia o ar e estendia suas garras pelo ambiente. Ele pode sentir um calafrio percorrer sua coluna e acariciar sua pele.

Um sorriso instantaneo se desenhou nos rostos de seus amigos e, enquanto o atendente servia o líquido estranhamente expesso nos copos de cristal, Matteus pode ouvir a irrigação das glândulas salivares de seus amigos que, ansiosos pela bebida, olhavam hipnotizados para a mesma. Matteus sentiu algo estranho, mas pegou o copo e ergueu-o para o brinde. Sua mão ficou sozinha no ar enquanto Anestor e Michele saboreavam a cerveja avidamente. Anestor deixou escapar um fio de bebida pela boca e manchou a camiseta branca. Rapidamente sorveu o que restara e passou as mãos pelo pescoço enxugando o excesso e levando-o à boca para lamber os dedos lambuzados. Michele o acompanhava em voracidade e lambia o excesso que escorrera pelo colarinho formado no copo. Lambia diretamente do copo de uma maneira animalesca que destoava completamente do comportamento com o qual Matteus estava habituado. Ambos pareceram se dar conta da estupefação que se fazia notória no semblante do amigo e deram os ultimos goles, sorvendo guturalmente e limpando os lábios com as línguas. Matteus vira aqueles trejeitos no Discovery Channel uma vez. Eram como hipopótamos matando a sede em um rio.

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Jorge Machado
Eterno retorno aos embalos de sábado à noite

Eu não bebia American Lager até conhecer a Wiederkunft, disse Anestor. Você precisa experimentar essa nova marca. É um estouro.

– Vocês que sabem, disse Matteus. Estou me sentindo meio estranho hoje.

– Como assim? quis saber Michele.

– Só uma sensação estranha de Déjà vu.

Anestor sorriu.

– Eu tinha um tio que falava que isso é proveniente de assuntos não resolvidos em vidas passadas.

– Balela, interveio Michele com um risinho.

O gordo passava novamente pela mesa e Anestor ergueu o braço para captar sua atenção.

– Uma litrão pra começar por favor.

O atendente assentiu e se dirigiu aos fundos para pegar a garrafa. Matteus olhou em volta e avistou as outras mesas. Todos os presentes pareciam ter entrado na brincadeira de experimentar a nova cerva. A cerveja alemã estava distribuída em todas as mesas do recinto. Atrás do balcão ele viu os posteres da nova cerveja. Uma mulher negra usava um biquini minúsculo e sorria exibindo a nova cerveja com um sorriso deformado de botóx.

O atendente voltou e bateu a garrafa na mesa abrindo-a em seguida e o que Matteus ouviu foi uma espécie de guincho. O tsss característico que se seguiu ao estouro após a abertura da garrafa pareceu se prolongar por um tempo aquém do habitual e um tinido quase sobrenatural o envolveu. A fumaça que escapava agora do recipiente de vidro envolvia o ar e estendia suas garras pelo ambiente. Ele pode sentir um calafrio percorrer sua coluna e acariciar sua pele.

Um sorriso instantaneo se desenhou nos rostos de seus amigos e, enquanto o atendente servia o líquido estranhamente expesso nos copos de cristal, Matteus pode ouvir a irrigação das glândulas salivares de seus amigos que, ansiosos pela bebida, olhavam hipnotizados para a mesma. Matteus sentiu algo estranho, mas pegou o copo e ergueu-o para o brinde. Sua mão ficou sozinha no ar enquanto Anestor e Michele saboreavam a cerveja avidamente. Anestor deixou escapar um fio de bebida pela boca e manchou a camiseta branca. Rapidamente sorveu o que restara e passou as mãos pelo pescoço enxugando o excesso e levando-o à boca para lamber os dedos lambuzados. Michele o acompanhava em voracidade e lambia o excesso que escorrera pelo colarinho formado no copo. Lambia diretamente do copo de uma maneira animalesca que destoava completamente do comportamento com o qual Matteus estava habituado. Ambos pareceram se dar conta da estupefação que se fazia notória no semblante do amigo e deram os ultimos goles, sorvendo guturalmente e limpando os lábios com as línguas. Matteus vira aqueles trejeitos no Discovery Channel uma vez. Eram como hipopótamos matando a sede em um rio.

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