Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Jorge Machado
Escritor desde os doze anos de idade (quando conheci a literatura e adotei o pseudônimo temporário de "Jorge Mamado"). Fui apresentado ao horror tarde, nas estantes da biblioteca pública do ensino médio. Desde então sigo na busca do funesto e do reprovável como forma de resistência à apatia e ao conformismo dessa geração.
Brinquei de punk durante a adolescência tardia e troquei a água pela cerveja. Depois pela pinga. Depois voltei aos livros. Viciado em gás lacrimogêneo e spray de pimenta, sonho em explodir o Ancapistão usando um artefato com a grafia "Propriedade é roubo" na fuselagem.





Eterno retorno aos embalos de sábado à noite

Demorou alguns segundos até que a bexiga bombeasse a urina através da uretra. Quando isso aconteceu ele sentiu uma queimação alarmante, como se estivesse mijando um agulheiro. Resistiu de pé enquanto via o líquido dourado sair da extremidade do pênis num jato potente. Acompanhou com crescente temor o mijo ficando cada vez mais escuro até alcançar um tom violáceo. Urrando de dor ele terminou de sangrar e saiu do banheiro arrombando a porta e derrubando o homem que estava à espera.

– Precisamos sair daqui! Gritou.

Anestor e Michele não deram muita atenção. Estavam muito aéreos para entender o que estava acontecendo. Matteus se encaminhou para a saída enquanto lembrava da motocicleta estacionada no começo da Augusta. Andava cambaleando e só conseguiu fechar a braguilha completamente quando já estava fora do recinto.

O Barba apertou o nó da bandana do Iron Maiden após terminar mais um gole generoso de Wiederkunft. Olhou para o x-bacon caprichado no balcão e abocanhou um pedaço enorme com os dentes apodrecidos. Algumas lascas de bacon caramelizado ficaram presas na barba grisalha, balouçantes com a mastigação entusiasmada do homem que possuía dois metros de altura e pesava seus cento e vinte quilos.

O ritual gustativo teve fim quando percebeu um alvoroço se formando no bar ao seu redor.

– Precisamos sair daqui! Um grito se destacava na cacofonia do ambiente.

Ele olhou para trás e acompanhou o garoto-problema cambaleando e guardando o pinto dentro da calça. Bebeu um longo gole de Wiederkunft enquanto olhava o apressadinho saindo do bar sem os amigos. Por um instante achou que ele fosse voltar, mas isso não ocorreu. O Barba Abocanhou o restante do X-Bacon e, em duas outras mordidas, engoliu tudo. Andou pelo bar limpando os dedos cheios de gordura nos pelos da face e ergueu o olhar para a Augusta. O garoto-problema estava na outra quadra. Movia-se rapidamente e parecia fugir de alguma coisa.

O Barba terminou de engolir a massa uniforme de pão e gordura, conferiu a pistola no cinto e andou na direção contrária.

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Jorge Machado
Eterno retorno aos embalos de sábado à noite

Demorou alguns segundos até que a bexiga bombeasse a urina através da uretra. Quando isso aconteceu ele sentiu uma queimação alarmante, como se estivesse mijando um agulheiro. Resistiu de pé enquanto via o líquido dourado sair da extremidade do pênis num jato potente. Acompanhou com crescente temor o mijo ficando cada vez mais escuro até alcançar um tom violáceo. Urrando de dor ele terminou de sangrar e saiu do banheiro arrombando a porta e derrubando o homem que estava à espera.

– Precisamos sair daqui! Gritou.

Anestor e Michele não deram muita atenção. Estavam muito aéreos para entender o que estava acontecendo. Matteus se encaminhou para a saída enquanto lembrava da motocicleta estacionada no começo da Augusta. Andava cambaleando e só conseguiu fechar a braguilha completamente quando já estava fora do recinto.

O Barba apertou o nó da bandana do Iron Maiden após terminar mais um gole generoso de Wiederkunft. Olhou para o x-bacon caprichado no balcão e abocanhou um pedaço enorme com os dentes apodrecidos. Algumas lascas de bacon caramelizado ficaram presas na barba grisalha, balouçantes com a mastigação entusiasmada do homem que possuía dois metros de altura e pesava seus cento e vinte quilos.

O ritual gustativo teve fim quando percebeu um alvoroço se formando no bar ao seu redor.

– Precisamos sair daqui! Um grito se destacava na cacofonia do ambiente.

Ele olhou para trás e acompanhou o garoto-problema cambaleando e guardando o pinto dentro da calça. Bebeu um longo gole de Wiederkunft enquanto olhava o apressadinho saindo do bar sem os amigos. Por um instante achou que ele fosse voltar, mas isso não ocorreu. O Barba Abocanhou o restante do X-Bacon e, em duas outras mordidas, engoliu tudo. Andou pelo bar limpando os dedos cheios de gordura nos pelos da face e ergueu o olhar para a Augusta. O garoto-problema estava na outra quadra. Movia-se rapidamente e parecia fugir de alguma coisa.

O Barba terminou de engolir a massa uniforme de pão e gordura, conferiu a pistola no cinto e andou na direção contrária.

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