Eterno retorno aos embalos de sábado à noite - Jorge Machado
Jorge Machado
Escritor desde os doze anos de idade (quando conheci a literatura e adotei o pseudônimo temporário de "Jorge Mamado"). Fui apresentado ao horror tarde, nas estantes da biblioteca pública do ensino médio. Desde então sigo na busca do funesto e do reprovável como forma de resistência à apatia e ao conformismo dessa geração.
Brinquei de punk durante a adolescência tardia e troquei a água pela cerveja. Depois pela pinga. Depois voltei aos livros. Viciado em gás lacrimogêneo e spray de pimenta, sonho em explodir o Ancapistão usando um artefato com a grafia "Propriedade é roubo" na fuselagem.





Eterno retorno aos embalos de sábado à noite

Odiava ter que resolver problemas como aquele. Supostamente aquilo não devia acontecer, mas sempre tinha um problema. A vida nunca era simples, pensava Barba. Quando você quer ir à praia chove. Aí você fica em casa. Quando você quer transar a garota diz não. Aí você estupra. Quando você quer descansar o cachorro não pára de fazer barulho. Aí você enforca e joga no caminhão de lixo. Quando você quer sair ileso de um homicídio aparece uma testemunha ocular. Aí você diz Nossa que belos olhos você tem. Pop. Pop. E guarda no bolso para usar no halloween. Quando você quer tomar uma cerveja numa boa, Então moço, o bar já vai fechar. Aí você é obrigado a dar garrafadas nos atendentes. A vida era sempre assim. Uma sequência interminável de pessoas-problema. Hoje em dia era tão fácil arrumar um psicólogo, mas não, as pessoas insistiam em fazer suas consultas na clínica particular do Barba.
O homem de bandana chegou até o caminhão de carga e olhou incrédulo para o mendigo que estava na calçada. O mendigo estava sorridente bebendo uma lata de Wiederkunft. O Barba andou lentamente pelo meio fio e viu que parte da carga havia caído no chão.

– Está gelada?

O mendigo largou a lata. Ela caiu no meio de uma dúzia de outras. Ele fez menção de se explicar, mas quando ia abrir a boca algo a abriu contra sua vontade e o maxilar pulou para um lugar confuso perto de seu ombro direito. O sangue voou na parede e a língua caiu sobre o peito. O homem tentou se levantar, mas outros dois tiros abriram sua barriga e um líquido violáceo jorrou para fora junto com algumas tripas tremelicantes. O corpo se dobrou de uma forma esquisita e parou no chão em uma posição desconfortável. A calça do velho começou a se molhar (mas não era sangue) e o corpo ficou inerte exceto por alguns poucos espasmos.

O Barba abriu a porta do caminhão e guardou a pistola no porta-luvas. Subiu na boleia e assumiu a direção.

A cerveja Wiederkunft aflorava os sentidos de Michele. Ela bebeu o restante do copo e pôde sentir a agradável sensação dos dedos acariciando seu interior. Aquele era sem dúvida o ápice do prazer sensorial. Nem mesmo o ecstase se comparava áquilo. Sentiu a excitação envolvê-la enquanto Anestor falava amenidades que ela já não mais ouvia. A excitação agora se tornára sexual. Anestor estava especialmente atraente naquela noite. Ela cobiçou secretamente os musculos bem desenvolvidos e imaginou aquelas mãos apertando suas curvas com a força que ambicionava. Imaginou Anestor apertando seus seios pequenos e chupando os bicos com leves movimentos circulares; descendo com carícias suaves para a barriga e depois para a vagina; a lubrificação e o inchaço de sua xoxota sendo arquitetados pelo sistema límbico.

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Jorge Machado
Eterno retorno aos embalos de sábado à noite

Odiava ter que resolver problemas como aquele. Supostamente aquilo não devia acontecer, mas sempre tinha um problema. A vida nunca era simples, pensava Barba. Quando você quer ir à praia chove. Aí você fica em casa. Quando você quer transar a garota diz não. Aí você estupra. Quando você quer descansar o cachorro não pára de fazer barulho. Aí você enforca e joga no caminhão de lixo. Quando você quer sair ileso de um homicídio aparece uma testemunha ocular. Aí você diz Nossa que belos olhos você tem. Pop. Pop. E guarda no bolso para usar no halloween. Quando você quer tomar uma cerveja numa boa, Então moço, o bar já vai fechar. Aí você é obrigado a dar garrafadas nos atendentes. A vida era sempre assim. Uma sequência interminável de pessoas-problema. Hoje em dia era tão fácil arrumar um psicólogo, mas não, as pessoas insistiam em fazer suas consultas na clínica particular do Barba.
O homem de bandana chegou até o caminhão de carga e olhou incrédulo para o mendigo que estava na calçada. O mendigo estava sorridente bebendo uma lata de Wiederkunft. O Barba andou lentamente pelo meio fio e viu que parte da carga havia caído no chão.

– Está gelada?

O mendigo largou a lata. Ela caiu no meio de uma dúzia de outras. Ele fez menção de se explicar, mas quando ia abrir a boca algo a abriu contra sua vontade e o maxilar pulou para um lugar confuso perto de seu ombro direito. O sangue voou na parede e a língua caiu sobre o peito. O homem tentou se levantar, mas outros dois tiros abriram sua barriga e um líquido violáceo jorrou para fora junto com algumas tripas tremelicantes. O corpo se dobrou de uma forma esquisita e parou no chão em uma posição desconfortável. A calça do velho começou a se molhar (mas não era sangue) e o corpo ficou inerte exceto por alguns poucos espasmos.

O Barba abriu a porta do caminhão e guardou a pistola no porta-luvas. Subiu na boleia e assumiu a direção.

A cerveja Wiederkunft aflorava os sentidos de Michele. Ela bebeu o restante do copo e pôde sentir a agradável sensação dos dedos acariciando seu interior. Aquele era sem dúvida o ápice do prazer sensorial. Nem mesmo o ecstase se comparava áquilo. Sentiu a excitação envolvê-la enquanto Anestor falava amenidades que ela já não mais ouvia. A excitação agora se tornára sexual. Anestor estava especialmente atraente naquela noite. Ela cobiçou secretamente os musculos bem desenvolvidos e imaginou aquelas mãos apertando suas curvas com a força que ambicionava. Imaginou Anestor apertando seus seios pequenos e chupando os bicos com leves movimentos circulares; descendo com carícias suaves para a barriga e depois para a vagina; a lubrificação e o inchaço de sua xoxota sendo arquitetados pelo sistema límbico.

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