Eterno retorno aos embalos de sábado à noite - Jorge Machado
Jorge Machado
Escritor desde os doze anos de idade (quando conheci a literatura e adotei o pseudônimo temporário de "Jorge Mamado"). Fui apresentado ao horror tarde, nas estantes da biblioteca pública do ensino médio. Desde então sigo na busca do funesto e do reprovável como forma de resistência à apatia e ao conformismo dessa geração.
Brinquei de punk durante a adolescência tardia e troquei a água pela cerveja. Depois pela pinga. Depois voltei aos livros. Viciado em gás lacrimogêneo e spray de pimenta, sonho em explodir o Ancapistão usando um artefato com a grafia "Propriedade é roubo" na fuselagem.





Eterno retorno aos embalos de sábado à noite

– Precisamos sair daqui! Gritou um assustado Matteus ao sair do banheiro.

Michele não deu muita atenção para o amigo e ele se encaminhou cambaleante para fora do bar. Ela percebeu que o homem de Barba saiu alguns segundos depois, mas ainda não conseguia parar de imaginar Anestor fodendo-a no banheiro. Foi então que a bebida assumiu o controle e ela se levantou, interrompeu a frase que Anestor começava e o puxou pelo braço. Ele se levantou e a acompanhou, os movimentos pareciam desordenados e confusos, o tempo deixara de existir.

Michele fechou a porta e passou trinco com um som estridente. A excitação e a embriaguez fizeram com que Anestor não questionasse quando ela se ajoelhou e começou a desafivelar o cinto de couro. Ele sentiu o pau se enrigecendo enquanto ela começava. Sentiu também uma vertigem breve que o desorientava. A bebida se revirou em seu estomago e pôde sentir o ímpeto de um jato subir pela garganta. Tentou segurar, mas o gosto de bile o venceu e uma cascata de gosma roxa caiu sobre os cabelos de Michele. O revertério que Anestor sentira pouco antes ainda se fazia presente revolvendo as entranhas e causando uma dor lacerante no seu interior — como se uma miríade de facas afiadas subissem pela garganta, rasgando a carne e trazendo uma torrente de sangue, bile e vísceras à tona. Ele regurgitou uma massa que custou passar pela boca. Sentiu uma acidez incomum enquanto esgasgava e percebeu que algo essencial em seu organismo estava sendo puxado para fora. A bolsa rugosa estava em sua garganta foi expelida com dificuldade e ele percebeu que Michele gritava em desespero neste momento. Foi quando pôde ver que o objeto que saíra de seu corpo eram os pedaços do próprio corpo, intestinos e estomago, esmigalhados e convertidos numa mesma massa disforme. Enquanto caía de joelhos no chão percebeu que Michele também começava a vomitar o líquido espesso e violáceo. Depois os intestinos saíram num jato que pareceu demorar horas para se interromper.
Em um ultimo gesto Anestor abriu o trinco da porta e olhou para fora em busca de ajuda.

O ambiente havia se convertido numa discoteca da morte. Os clientes estavam todos vomitando. Uma dança de gosmas regurgitadas e vísceras despejadas simultaneamente. Um vapor evolava do piso que estava tomado de meleca violácea e pedacinhos de estomagos e tripas. O ar estava repleto de esporos que dançavam no ar como flocos de neve em uma manhã de inverno. Anestor podia ouvi-los chiando e guinchando como adolescentes hedonistas que curtiam os embalos de sábado a noite.

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Jorge Machado
Eterno retorno aos embalos de sábado à noite

– Precisamos sair daqui! Gritou um assustado Matteus ao sair do banheiro.

Michele não deu muita atenção para o amigo e ele se encaminhou cambaleante para fora do bar. Ela percebeu que o homem de Barba saiu alguns segundos depois, mas ainda não conseguia parar de imaginar Anestor fodendo-a no banheiro. Foi então que a bebida assumiu o controle e ela se levantou, interrompeu a frase que Anestor começava e o puxou pelo braço. Ele se levantou e a acompanhou, os movimentos pareciam desordenados e confusos, o tempo deixara de existir.

Michele fechou a porta e passou trinco com um som estridente. A excitação e a embriaguez fizeram com que Anestor não questionasse quando ela se ajoelhou e começou a desafivelar o cinto de couro. Ele sentiu o pau se enrigecendo enquanto ela começava. Sentiu também uma vertigem breve que o desorientava. A bebida se revirou em seu estomago e pôde sentir o ímpeto de um jato subir pela garganta. Tentou segurar, mas o gosto de bile o venceu e uma cascata de gosma roxa caiu sobre os cabelos de Michele. O revertério que Anestor sentira pouco antes ainda se fazia presente revolvendo as entranhas e causando uma dor lacerante no seu interior — como se uma miríade de facas afiadas subissem pela garganta, rasgando a carne e trazendo uma torrente de sangue, bile e vísceras à tona. Ele regurgitou uma massa que custou passar pela boca. Sentiu uma acidez incomum enquanto esgasgava e percebeu que algo essencial em seu organismo estava sendo puxado para fora. A bolsa rugosa estava em sua garganta foi expelida com dificuldade e ele percebeu que Michele gritava em desespero neste momento. Foi quando pôde ver que o objeto que saíra de seu corpo eram os pedaços do próprio corpo, intestinos e estomago, esmigalhados e convertidos numa mesma massa disforme. Enquanto caía de joelhos no chão percebeu que Michele também começava a vomitar o líquido espesso e violáceo. Depois os intestinos saíram num jato que pareceu demorar horas para se interromper.
Em um ultimo gesto Anestor abriu o trinco da porta e olhou para fora em busca de ajuda.

O ambiente havia se convertido numa discoteca da morte. Os clientes estavam todos vomitando. Uma dança de gosmas regurgitadas e vísceras despejadas simultaneamente. Um vapor evolava do piso que estava tomado de meleca violácea e pedacinhos de estomagos e tripas. O ar estava repleto de esporos que dançavam no ar como flocos de neve em uma manhã de inverno. Anestor podia ouvi-los chiando e guinchando como adolescentes hedonistas que curtiam os embalos de sábado a noite.

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