Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Jorge Machado
Escritor desde os doze anos de idade (quando conheci a literatura e adotei o pseudônimo temporário de "Jorge Mamado"). Fui apresentado ao horror tarde, nas estantes da biblioteca pública do ensino médio. Desde então sigo na busca do funesto e do reprovável como forma de resistência à apatia e ao conformismo dessa geração.
Brinquei de punk durante a adolescência tardia e troquei a água pela cerveja. Depois pela pinga. Depois voltei aos livros. Viciado em gás lacrimogêneo e spray de pimenta, sonho em explodir o Ancapistão usando um artefato com a grafia "Propriedade é roubo" na fuselagem.





Eu, Jeff the Killer

          Só estou brincando um pouco com você. Espero que não se sinta ofendido. Vou deixar as coisas mais claras para que compreenda porque está lendo este conto. Eu decidi que quero jogar um jogo com você. Assim podemos nos conhecer melhor e, se chegar até o final, podemos até mesmo nos tornar amigos… ou cúmplices.

          Para que entenda no que está se metendo quero que olhe para o lado. Vê aquele saco de dormir ali no canto da sala? Está próximo do outro sofá, ali perto das prateleiras com os livros velhos. Ele está se mexendo agora. Espere um pouquinho que vou pegá-lo para que veja melhor.

          Pronto, aqui está. Deixe-me abrir o zíper… prontinho. Essa é Elizabeth Maroni. É a mãe de família da qual falávamos a pouco. Ela é bonita não é? Esses olhos castanhos quase me convenceram a deixá-la em paz. As crianças fizeram uma bagunça tremenda lá embaixo, no porão. Eram meninos bem levados para ser filhos de uma moça tão responsável. Não ligue para o choro e os suspiros que a vadia está soltando neste momento. Os olhos dela são belíssimos quando ela não está com medo, acredite. A boca também é incrível. É uma pena que a mordaça impeça-nos de vê-la.

          Bem, o jogo que estou propondo tem muito mais a ver com você do que com esta vadia, sabe. É isso mesmo caro leitor. Observo que você gosta bastante de ler histórias de terror e morte. É um prazer estranho esse não é mesmo? Eu também gosto de histórias assim, acredite. Leio de tudo um pouco, mas sempre acabo voltando para as histórias de horror. Principalmente os contos. Eu não sei bem que força me move talvez, você também não saiba, contudo, sente uma atração irresistível pelo terror assim como eu. Pois bem, estou lançando agora um desafio: pare de ler esta história neste exato momento e prometo que pouparei a vida da vadia. Caso contrário, desenharei um sorriso bem vermelho na garganta dela.

          Você não parou de ler ainda o que me faz pensar que talvez queira vê-la morrer. Eu quero muito matá-la, acredite caro leitor. O que mais quero é sentir o cheiro adocicado do sangue desta vadia inundando o piso. Presumo que este meu desejo é compartilhado pela sua insistência neste conto. É gostoso não é mesmo? A vida de uma pessoa em suas mãos. Passar a lâmina no pescoço é quase como apertar um botão numa fábrica de bugigangas. Você aperta e dá início a um processo produtivo novo. Aperta o botão e as máquinas deslizam uma lâmina na garganta da mulher que lavava louça no dia anterior. Como num matadouro daqueles bem modernos. Um boi degolado por minuto. Já pensou fazer isso com homens? A humanidade estaria extinta com dois anos de trabalho árduo.

          Que tal uma última chance para deixar essa bela moça viver? Acha que consegue abandonar a leitura agora? Você nunca saberá o final da história, claro, mas tem minha palavra de que ela viverá se fechar esse livro agora. Sou um assassino, não um mentiroso. Honrarei minha promessa, acredite caro leitor.

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Jorge Machado
Eu, Jeff the Killer

          Só estou brincando um pouco com você. Espero que não se sinta ofendido. Vou deixar as coisas mais claras para que compreenda porque está lendo este conto. Eu decidi que quero jogar um jogo com você. Assim podemos nos conhecer melhor e, se chegar até o final, podemos até mesmo nos tornar amigos… ou cúmplices.

          Para que entenda no que está se metendo quero que olhe para o lado. Vê aquele saco de dormir ali no canto da sala? Está próximo do outro sofá, ali perto das prateleiras com os livros velhos. Ele está se mexendo agora. Espere um pouquinho que vou pegá-lo para que veja melhor.

          Pronto, aqui está. Deixe-me abrir o zíper… prontinho. Essa é Elizabeth Maroni. É a mãe de família da qual falávamos a pouco. Ela é bonita não é? Esses olhos castanhos quase me convenceram a deixá-la em paz. As crianças fizeram uma bagunça tremenda lá embaixo, no porão. Eram meninos bem levados para ser filhos de uma moça tão responsável. Não ligue para o choro e os suspiros que a vadia está soltando neste momento. Os olhos dela são belíssimos quando ela não está com medo, acredite. A boca também é incrível. É uma pena que a mordaça impeça-nos de vê-la.

          Bem, o jogo que estou propondo tem muito mais a ver com você do que com esta vadia, sabe. É isso mesmo caro leitor. Observo que você gosta bastante de ler histórias de terror e morte. É um prazer estranho esse não é mesmo? Eu também gosto de histórias assim, acredite. Leio de tudo um pouco, mas sempre acabo voltando para as histórias de horror. Principalmente os contos. Eu não sei bem que força me move talvez, você também não saiba, contudo, sente uma atração irresistível pelo terror assim como eu. Pois bem, estou lançando agora um desafio: pare de ler esta história neste exato momento e prometo que pouparei a vida da vadia. Caso contrário, desenharei um sorriso bem vermelho na garganta dela.

          Você não parou de ler ainda o que me faz pensar que talvez queira vê-la morrer. Eu quero muito matá-la, acredite caro leitor. O que mais quero é sentir o cheiro adocicado do sangue desta vadia inundando o piso. Presumo que este meu desejo é compartilhado pela sua insistência neste conto. É gostoso não é mesmo? A vida de uma pessoa em suas mãos. Passar a lâmina no pescoço é quase como apertar um botão numa fábrica de bugigangas. Você aperta e dá início a um processo produtivo novo. Aperta o botão e as máquinas deslizam uma lâmina na garganta da mulher que lavava louça no dia anterior. Como num matadouro daqueles bem modernos. Um boi degolado por minuto. Já pensou fazer isso com homens? A humanidade estaria extinta com dois anos de trabalho árduo.

          Que tal uma última chance para deixar essa bela moça viver? Acha que consegue abandonar a leitura agora? Você nunca saberá o final da história, claro, mas tem minha palavra de que ela viverá se fechar esse livro agora. Sou um assassino, não um mentiroso. Honrarei minha promessa, acredite caro leitor.

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