Identidade - Final - Jorge Machado
Jorge Machado
Escritor desde os doze anos de idade (quando conheci a literatura e adotei o pseudônimo temporário de "Jorge Mamado"). Fui apresentado ao horror tarde, nas estantes da biblioteca pública do ensino médio. Desde então sigo na busca do funesto e do reprovável como forma de resistência à apatia e ao conformismo dessa geração.
Brinquei de punk durante a adolescência tardia e troquei a água pela cerveja. Depois pela pinga. Depois voltei aos livros. Viciado em gás lacrimogêneo e spray de pimenta, sonho em explodir o Ancapistão usando um artefato com a grafia "Propriedade é roubo" na fuselagem.





Identidade – Final

EPÍLOGO

       Era uma manhã tranquila para morrer.

       “Você me prometeu que eu teria Anna de volta”, disse o homem com as mãos ensanguentadas.

       “Eu disse que você a teria à disposição. Se não consegue conviver com o preço que é preciso pagar, então não posso fazer nada”, replicou o Dr. Descartes. “Agora larga essa faca”

       “Você não sabe como é Dr.”, gemeu o homem. ”Dói… é vazio. O procedimento não é perfeito. Viver nessas condições é como estar morto!”

       “Nós fizemos um trato! Eu arrisquei tudo para te dar o que queria, coloquei minha carreira inteira em risco, agora você tem que fazer a sua parte! Nós fizemos o mais difícil: a substituição das identidades!”, O Dr. Mantinha o olhar fixado na lâmina.

       “Você arriscou tudo… Eu dei a minha vida para que você pudesse concluir seu experimento! Fui seu maldito rato de laboratório!”

       “Eu… posso consertar…”

       Descartes mentia, mas Alfredo percebeu.

       “Eu não posso ser Henry. Não posso mais ser Alfredo. Não consigo fazer com que Anna me ame. Eu perdi tudo, Dr.”
Outra garganta foi cortada. Sem possibilidade de reconstituição.

 

 

 

 

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Jorge Machado
Identidade – Final

EPÍLOGO

       Era uma manhã tranquila para morrer.

       “Você me prometeu que eu teria Anna de volta”, disse o homem com as mãos ensanguentadas.

       “Eu disse que você a teria à disposição. Se não consegue conviver com o preço que é preciso pagar, então não posso fazer nada”, replicou o Dr. Descartes. “Agora larga essa faca”

       “Você não sabe como é Dr.”, gemeu o homem. ”Dói… é vazio. O procedimento não é perfeito. Viver nessas condições é como estar morto!”

       “Nós fizemos um trato! Eu arrisquei tudo para te dar o que queria, coloquei minha carreira inteira em risco, agora você tem que fazer a sua parte! Nós fizemos o mais difícil: a substituição das identidades!”, O Dr. Mantinha o olhar fixado na lâmina.

       “Você arriscou tudo… Eu dei a minha vida para que você pudesse concluir seu experimento! Fui seu maldito rato de laboratório!”

       “Eu… posso consertar…”

       Descartes mentia, mas Alfredo percebeu.

       “Eu não posso ser Henry. Não posso mais ser Alfredo. Não consigo fazer com que Anna me ame. Eu perdi tudo, Dr.”
Outra garganta foi cortada. Sem possibilidade de reconstituição.

 

 

 

 

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