Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Jorge Machado
Escritor desde os doze anos de idade (quando conheci a literatura e adotei o pseudônimo temporário de "Jorge Mamado"). Fui apresentado ao horror tarde, nas estantes da biblioteca pública do ensino médio. Desde então sigo na busca do funesto e do reprovável como forma de resistência à apatia e ao conformismo dessa geração.
Brinquei de punk durante a adolescência tardia e troquei a água pela cerveja. Depois pela pinga. Depois voltei aos livros. Viciado em gás lacrimogêneo e spray de pimenta, sonho em explodir o Ancapistão usando um artefato com a grafia "Propriedade é roubo" na fuselagem.





Matar e Foder

          Matar e foder. Minha vida pode ser resumida a essas duas palavras/ações. Na verdade não me imagino me divertindo se não estiver fazendo uma dessas duas coisas. Já aprendi muito nessa vida e descobri que Freud, Frankl e Kant estavam todos errados. O verdadeiro sentido da vida é matar e foder.

          Foda o que não quiser matar e mate o que não quiser foder. Porra de filosofia essa.

          Por isso estou aqui sentado nesse banquinho capenga desse boteco vagabundo. Saboreando um uísque escocês falsificado que parece mijo de cavalo e pensando com os meus botões o que vou fazer do resto dessa noite. Matar ou foder? Não tem nenhuma mulher aqui que me agrade. Todas são novas demais pra mim. Não. As garotas daqui não me interessam.

          Então tenho que escolher o gado que deve ser abatido. Daqui de onde estou posso ver um senhor bebendo sozinho. Ele usa um terno surrado e tem um ar distraído. Como se estivesse tentando se esquecer de alguma coisa. Afogar as mágoas na bebida. Tem cara de velho aposentado. Não conseguiria reagir se eu o pegasse de jeito. Não gosto desse tipo de vitima. No fundo o que mais me atrai é a reação. Quero ver seus olhos perderem o brilho aos poucos. É uma sensação que não se pode esquecer.

          Enquanto procuro uma vítima merecedora da morte me sinto um juiz da suprema corte julgando um caso de pena capital. Mas diferentemente dos magistrados aqui eu não conheço o passado das vítimas. Nunca mato ninguém que eu conheça, mesmo que minimamente. Prefiro escolher vítimas que nunca vi na vida. Isso torna as coisas impessoais e mais divertidas. Pra mim, claro. Nunca é divertido para elas. O bar esta ficando cada vez mais vazio. Já passa das onze da noite e nesse horário os bares de bairro sempre começam a esvaziar. Preciso escolher alguém rápido antes que só fiquem aqui as piores “carnes”.

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Jorge Machado
Matar e Foder

          Matar e foder. Minha vida pode ser resumida a essas duas palavras/ações. Na verdade não me imagino me divertindo se não estiver fazendo uma dessas duas coisas. Já aprendi muito nessa vida e descobri que Freud, Frankl e Kant estavam todos errados. O verdadeiro sentido da vida é matar e foder.

          Foda o que não quiser matar e mate o que não quiser foder. Porra de filosofia essa.

          Por isso estou aqui sentado nesse banquinho capenga desse boteco vagabundo. Saboreando um uísque escocês falsificado que parece mijo de cavalo e pensando com os meus botões o que vou fazer do resto dessa noite. Matar ou foder? Não tem nenhuma mulher aqui que me agrade. Todas são novas demais pra mim. Não. As garotas daqui não me interessam.

          Então tenho que escolher o gado que deve ser abatido. Daqui de onde estou posso ver um senhor bebendo sozinho. Ele usa um terno surrado e tem um ar distraído. Como se estivesse tentando se esquecer de alguma coisa. Afogar as mágoas na bebida. Tem cara de velho aposentado. Não conseguiria reagir se eu o pegasse de jeito. Não gosto desse tipo de vitima. No fundo o que mais me atrai é a reação. Quero ver seus olhos perderem o brilho aos poucos. É uma sensação que não se pode esquecer.

          Enquanto procuro uma vítima merecedora da morte me sinto um juiz da suprema corte julgando um caso de pena capital. Mas diferentemente dos magistrados aqui eu não conheço o passado das vítimas. Nunca mato ninguém que eu conheça, mesmo que minimamente. Prefiro escolher vítimas que nunca vi na vida. Isso torna as coisas impessoais e mais divertidas. Pra mim, claro. Nunca é divertido para elas. O bar esta ficando cada vez mais vazio. Já passa das onze da noite e nesse horário os bares de bairro sempre começam a esvaziar. Preciso escolher alguém rápido antes que só fiquem aqui as piores “carnes”.

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