Insônia habitual - Juliety Alves
Juliety Alves
Eu, Juliety Alves, 31 anos no exato momento em que ingresso nesses confins. Apaixonada por cinema, literatura e estudante de psicologia, desprovida de crenças e causos, apenas alguém que tem que ver para crer.







Insônia habitual

— Oi, vamos lá.. O que eu quero? O que eu quero hoje?

— Que inferno! O que é que você quer? Como faz pra você ir embora?

— Eu não vou embora, achei que já estivesse acostumada…

— Se acostumar com algo não quer dizer que não incomoda, aliás, tem muito

sofrimento por trás de um “já me acostumei”, você tá sempre aqui, deveria saber

disso…

— Você é muito ingênua, sabia? Se fizesse o que eu falo mais vezes talvez não

sofresse tanto.

— Olha, eu só quero dormir, tem como você sumir, se esconder, ou então pelo

menos me trazer memórias boas?

— Eu trago o que você quer lembrar, não tenho culpa que você é sádica e gosta de

lembrar do que te faz sofrer.

— Além de tudo é debochada… Vai a merda, eu só quero dormir… Todo dia isso.

— Lembra daquele dia que você…

— Chega! Por favor. Eu tenho que acordar cedo… já são 01h06m eu PRECISO

dormir.

— Ta bom, ta bom… pode ir, nos vemos daqui a pouco. Vou aproveitar para

elaborar os pesadelos de hoje.

— Eu te odeio, de verdade, sabia?

— Sim, é por isso que estou aqui, a energia que você gasta me odiando é o que me

alimenta. Eu disse… você é ingênua, muito boazinha, isso vai acabar com você.

— É você que está acabando comigo.

— Você e eu somos a mesma pessoa…

— Me recuso a aceitar isso.

— Olhe em volta, vê mais alguém?

— Não…

— Pois é… Aceite que sou você, deixe as coisas fluírem

— Fluírem? Você tá de brincadeira né? Eu nem uso essa palavra. Você tá me

enlouquecendo, é inconveniente e pelo jeito vai me fazer ficar acordada até

amanhecer mais uma vez…

— Não, já me cansei também, vamos dormir, já sei o que vou fazer.

— Hum, mal posso esperar pra descobrir.

— Eu que sou debochada né?

— Cala a boca…

— Boa noite.

— Boa noite.

Juliety Alves
Insônia habitual

— Oi, vamos lá.. O que eu quero? O que eu quero hoje?

— Que inferno! O que é que você quer? Como faz pra você ir embora?

— Eu não vou embora, achei que já estivesse acostumada…

— Se acostumar com algo não quer dizer que não incomoda, aliás, tem muito

sofrimento por trás de um “já me acostumei”, você tá sempre aqui, deveria saber

disso…

— Você é muito ingênua, sabia? Se fizesse o que eu falo mais vezes talvez não

sofresse tanto.

— Olha, eu só quero dormir, tem como você sumir, se esconder, ou então pelo

menos me trazer memórias boas?

— Eu trago o que você quer lembrar, não tenho culpa que você é sádica e gosta de

lembrar do que te faz sofrer.

— Além de tudo é debochada… Vai a merda, eu só quero dormir… Todo dia isso.

— Lembra daquele dia que você…

— Chega! Por favor. Eu tenho que acordar cedo… já são 01h06m eu PRECISO

dormir.

— Ta bom, ta bom… pode ir, nos vemos daqui a pouco. Vou aproveitar para

elaborar os pesadelos de hoje.

— Eu te odeio, de verdade, sabia?

— Sim, é por isso que estou aqui, a energia que você gasta me odiando é o que me

alimenta. Eu disse… você é ingênua, muito boazinha, isso vai acabar com você.

— É você que está acabando comigo.

— Você e eu somos a mesma pessoa…

— Me recuso a aceitar isso.

— Olhe em volta, vê mais alguém?

— Não…

— Pois é… Aceite que sou você, deixe as coisas fluírem

— Fluírem? Você tá de brincadeira né? Eu nem uso essa palavra. Você tá me

enlouquecendo, é inconveniente e pelo jeito vai me fazer ficar acordada até

amanhecer mais uma vez…

— Não, já me cansei também, vamos dormir, já sei o que vou fazer.

— Hum, mal posso esperar pra descobrir.

— Eu que sou debochada né?

— Cala a boca…

— Boa noite.

— Boa noite.