Um corpo ao lado - Leomar-Waslawick
Leomar Waslawick
Leomar wazlawick, nascido em palmitos-sc, em 30/04/1972...
Produtor, roteirista, técnico em efx. Maquiagens e efeitos especiais, zineiro, ator, escritor, trabalhou na Canibal Produções, e fundou em 1993, junto com Petter Baiestorf, a Gore GG Efeitos (produtora de efeitos gore para filmes da Canibal Produções) em 96 saiu da canibal... Após o término do filme "Eles comem sua carne".
Fã de escritores simbolistas como Poe, Ducasse, Baudelaire, Augusto dos Anjos e outros, publicou pela editora Empírio, um conto em homenagem a Edgar Alan Poe, "O Corvo" um livro colaborativo, com o conto "reciclo canto de morte".
Agora novos projetos de zines, e atual diretor da Grand Guignol Produções voltada ao horror em geral.




Um corpo ao lado

Eram 7 horas da manhã, tudo parecia perfeito naquela manhã cinzenta, exceto aquele punhal, onde a ferrugem misturava-se com sangue já se coagulando… O ar frio secava aos poucos o sangue naquele corpo, ladeando com a mesma frieza do carrasco, o dia começava bem, dependendo é claro de onde os sentimentos do espectador sentiam mais conforto, se ao lado do assassino ou ao lado do corpo.

Tudo passava a ser relativo naqueles segundos, que antecederiam o repugnante perfume, o mal cheiro e aroma da morte, e certo início de revolta dos vizinhos. Alguns cochichavam, outros bestemavam palavras de ecoação ríspida, como se defecassem azedadas fezes expelidas por suas gargantas fétidas e inconformadas.

No meu silêncio e inércia, eu apenas observava e tecia em meus pensamentos o que poderia ter acontecido.

Não fazia questão de deduzir, nem mesmo elucidar nada, sabia apenas que aquele corpo na cama estirado e inerte, já não mais daria respostas. Mesmo porque aquele corpo ali descansando, esperando a podridão era apenas um espelho, onde se via meu reflexo, agora sem reflexos…

Leomar Waslawick
Um corpo ao lado

Eram 7 horas da manhã, tudo parecia perfeito naquela manhã cinzenta, exceto aquele punhal, onde a ferrugem misturava-se com sangue já se coagulando… O ar frio secava aos poucos o sangue naquele corpo, ladeando com a mesma frieza do carrasco, o dia começava bem, dependendo é claro de onde os sentimentos do espectador sentiam mais conforto, se ao lado do assassino ou ao lado do corpo.

Tudo passava a ser relativo naqueles segundos, que antecederiam o repugnante perfume, o mal cheiro e aroma da morte, e certo início de revolta dos vizinhos. Alguns cochichavam, outros bestemavam palavras de ecoação ríspida, como se defecassem azedadas fezes expelidas por suas gargantas fétidas e inconformadas.

No meu silêncio e inércia, eu apenas observava e tecia em meus pensamentos o que poderia ter acontecido.

Não fazia questão de deduzir, nem mesmo elucidar nada, sabia apenas que aquele corpo na cama estirado e inerte, já não mais daria respostas. Mesmo porque aquele corpo ali descansando, esperando a podridão era apenas um espelho, onde se via meu reflexo, agora sem reflexos…