Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Leonardo Duprates
Leonardo Duprates desenvolvedor de software, compositor, baixista e escritor.
Fã de Edgar Allan Poe e H.P. Lovercraft, foi nos roteiros de R.F. Lucchetti e nos filmes de José Mojica Marins que buscou inspiração para escrever seus contos de terror.









Tormenta

Frente a tantas notícias assustadoras, resolvemos seguir o caminho lógico que nos levará junto a maior concentração de pessoas e a probabilidade de encontrar um transporte que nos conduza em segurança para casa. Tomamos a Borges de Medeiros rumo ao Mercado Público, imediatamente descobrimos que estamos equivocados. Uma histeria se forma a um quilômetro de onde estamos. Tiros são disparados. A multidão que descia em nossa frente corre desorientada. Alguns caem enquanto outros pisoteiam brutalmente aqueles que estão sobre o chão.
Tento enxergar o atirador, mas só consigo ver um dos tiros destroçar a cabeça de uma mulher, que cai como um saco de batata sobre o asfalto. Congelo por um instante. Beto me puxa pelo ombro fazendo sinal para subirmos novamente a avenida. Ainda em choque, inicio a corrida guiado pelo meu amigo. Sebo corre logo a frente e entra na rua Duque de Caxias. Corremos por alguns minutos, diminuindo a intensidade conforme nos sentíamos mais seguros, até nos depararmos com um acidente chocante.
A alguns metros de onde estávamos, um poste atravessado sobre a rua. Na queda, a grande peça de concreto esmagou a frente de um carro. O automóvel solta uma densa fumaça do motor. Por um momento pensamos em ignorar e seguir em frente, mas um grito desesperado sai do veículo. Partimos em socorro. Inicio uma tentativa vã de abrir a porta através da maçaneta. Bato contra o vidro e faço sinal para o motorista subir o pino que tranca a porta. Ele parece em um transe de horror. Se debate e grita enlouquecidamente.
Do outro lado do veículo, Beto faz o mesmo, mas o passageiro está desmaiado, neste momento noto que faíscas saem do motor e a fumaça toma conta do interior do veículo. A possibilidade dos tripulantes morrerem sufocados me dá forças e com um chute consigo quebrar o vidro da porta.
O ar entra vorazmente para dentro do automóvel. O que era para ser a salvação vira a ignição para uma combustão instantânea. O fogo toma conta do painel e começa a subir pelas pernas queimando o motorista com uma violência brutal. O calor do fogo é tanto que em poucos segundos a lataria do carro queima minhas mãos e não sou mais capaz de tentar abrir a porta.
Fico observando horrorizado os corpos queimarem. O homem para de se contorcer e agoniza com a cabeça virada em minha direção, sua carne queima rapidamente e seus olhos parecem derreter. A boca se abre e como uma chaminé começa a lançar a fumaça que se forma dentro do estômago. O cheiro de carne queimada toma conta do ar.

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Frente a tantas notícias assustadoras, resolvemos seguir o caminho lógico que nos levará junto a maior concentração de pessoas e a probabilidade de encontrar um transporte que nos conduza em segurança para casa. Tomamos a Borges de Medeiros rumo ao Mercado Público, imediatamente descobrimos que estamos equivocados. Uma histeria se forma a um quilômetro de onde estamos. Tiros são disparados. A multidão que descia em nossa frente corre desorientada. Alguns caem enquanto outros pisoteiam brutalmente aqueles que estão sobre o chão.
Tento enxergar o atirador, mas só consigo ver um dos tiros destroçar a cabeça de uma mulher, que cai como um saco de batata sobre o asfalto. Congelo por um instante. Beto me puxa pelo ombro fazendo sinal para subirmos novamente a avenida. Ainda em choque, inicio a corrida guiado pelo meu amigo. Sebo corre logo a frente e entra na rua Duque de Caxias. Corremos por alguns minutos, diminuindo a intensidade conforme nos sentíamos mais seguros, até nos depararmos com um acidente chocante.
A alguns metros de onde estávamos, um poste atravessado sobre a rua. Na queda, a grande peça de concreto esmagou a frente de um carro. O automóvel solta uma densa fumaça do motor. Por um momento pensamos em ignorar e seguir em frente, mas um grito desesperado sai do veículo. Partimos em socorro. Inicio uma tentativa vã de abrir a porta através da maçaneta. Bato contra o vidro e faço sinal para o motorista subir o pino que tranca a porta. Ele parece em um transe de horror. Se debate e grita enlouquecidamente.
Do outro lado do veículo, Beto faz o mesmo, mas o passageiro está desmaiado, neste momento noto que faíscas saem do motor e a fumaça toma conta do interior do veículo. A possibilidade dos tripulantes morrerem sufocados me dá forças e com um chute consigo quebrar o vidro da porta.
O ar entra vorazmente para dentro do automóvel. O que era para ser a salvação vira a ignição para uma combustão instantânea. O fogo toma conta do painel e começa a subir pelas pernas queimando o motorista com uma violência brutal. O calor do fogo é tanto que em poucos segundos a lataria do carro queima minhas mãos e não sou mais capaz de tentar abrir a porta.
Fico observando horrorizado os corpos queimarem. O homem para de se contorcer e agoniza com a cabeça virada em minha direção, sua carne queima rapidamente e seus olhos parecem derreter. A boca se abre e como uma chaminé começa a lançar a fumaça que se forma dentro do estômago. O cheiro de carne queimada toma conta do ar.

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