Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Leonardo Duprates
Leonardo Duprates desenvolvedor de software, compositor, baixista e escritor.
Fã de Edgar Allan Poe e H.P. Lovercraft, foi nos roteiros de R.F. Lucchetti e nos filmes de José Mojica Marins que buscou inspiração para escrever seus contos de terror.









Tormenta

O caminho segue tomando contornos dramáticos. Detritos se transformam em obstáculos, retardando o nosso avanço. Subimos uma pequena ladeira que me extrai as últimas energias. Quando chegamos ao topo, ficamos lado a lado. Beto se apoia nos joelhos, puxando ar para os pulmões com dificuldade. Se há uma coisa que nunca fomos é esportistas, e a esta altura já havíamos superado nossos limites. Beto evita me olhar. Tento achar palavras para desculpar-me. Mas minha consciência está ocupada tentando assimilar as experiências anteriores, enquanto meus sentidos tentam evitar o cheiro de carne queimada, sangue e lodo que habitam o meu corpo.
Olho para a rua e não vejo nada, nenhum sinal de pessoas ou destruição. Ponho-me a caminhar novamente. Essa parece a sina de hoje. Caminhar, caminhar e caminhar. Para angariar forças, faço uma promessa para mim mesmo. Não me atreveria a colocar um dedo sequer para fora da cama se chegasse em casa são e salvo. Acho graça. Abro um sorriso, pensar em asneiras faz o tempo passar. Já tinha ganho algumas quadras com isso.
Distraído, passo por um carro e vejo uma sombra se agitar. Fico intrigado e olho para trás. Será que a assustei com a minha presença? Os faróis são ligados na luz alta, embaçando a minha visão. Protejo meus olhos colocando minhas mãos sobre o rosto. Beto passa correndo e grita alertando. Ele está armado. Ouço os pneus cantarem. Corro rezando para que seja apenas um mal-entendido. Quem sabe, ele esteja tão assustado quanto nós? Mas minhas preces não são atendidas.
O carro avança em minha direção. A qualquer momento vai me atropelar. Olho para a calçada e vejo uma grande árvore, a contorno fazendo com que o veículo passe raspando pelo tronco. O automóvel continua em alta velocidade e atropela Beto. Ele desliza pelo capô e cai com o crânio no asfalto. Consigo ouvir o baque da moringa. Ele tenta levantar, mas cambaleia e cai novamente.
Em pânico, chamo por Beto. Corro em sua direção! Uma dor intensa consome as minhas pernas, começo a sentir câimbras. Mas quanto mais força faço para correr, mais rígidos meus músculos ficam. Passo a arrastar minha perna esquerda. Grito por ajuda! Sinto a morte se aproximar de meu amigo. Olho para todos os lados em busca de socorro, em vão. O carro avança em alta velocidade passando por cima do corpo. O impacto dos pneus esmaga a carne e esmigalha os ossos, fazendo o corpo se retorcer como um boneco de pano.

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O caminho segue tomando contornos dramáticos. Detritos se transformam em obstáculos, retardando o nosso avanço. Subimos uma pequena ladeira que me extrai as últimas energias. Quando chegamos ao topo, ficamos lado a lado. Beto se apoia nos joelhos, puxando ar para os pulmões com dificuldade. Se há uma coisa que nunca fomos é esportistas, e a esta altura já havíamos superado nossos limites. Beto evita me olhar. Tento achar palavras para desculpar-me. Mas minha consciência está ocupada tentando assimilar as experiências anteriores, enquanto meus sentidos tentam evitar o cheiro de carne queimada, sangue e lodo que habitam o meu corpo.
Olho para a rua e não vejo nada, nenhum sinal de pessoas ou destruição. Ponho-me a caminhar novamente. Essa parece a sina de hoje. Caminhar, caminhar e caminhar. Para angariar forças, faço uma promessa para mim mesmo. Não me atreveria a colocar um dedo sequer para fora da cama se chegasse em casa são e salvo. Acho graça. Abro um sorriso, pensar em asneiras faz o tempo passar. Já tinha ganho algumas quadras com isso.
Distraído, passo por um carro e vejo uma sombra se agitar. Fico intrigado e olho para trás. Será que a assustei com a minha presença? Os faróis são ligados na luz alta, embaçando a minha visão. Protejo meus olhos colocando minhas mãos sobre o rosto. Beto passa correndo e grita alertando. Ele está armado. Ouço os pneus cantarem. Corro rezando para que seja apenas um mal-entendido. Quem sabe, ele esteja tão assustado quanto nós? Mas minhas preces não são atendidas.
O carro avança em minha direção. A qualquer momento vai me atropelar. Olho para a calçada e vejo uma grande árvore, a contorno fazendo com que o veículo passe raspando pelo tronco. O automóvel continua em alta velocidade e atropela Beto. Ele desliza pelo capô e cai com o crânio no asfalto. Consigo ouvir o baque da moringa. Ele tenta levantar, mas cambaleia e cai novamente.
Em pânico, chamo por Beto. Corro em sua direção! Uma dor intensa consome as minhas pernas, começo a sentir câimbras. Mas quanto mais força faço para correr, mais rígidos meus músculos ficam. Passo a arrastar minha perna esquerda. Grito por ajuda! Sinto a morte se aproximar de meu amigo. Olho para todos os lados em busca de socorro, em vão. O carro avança em alta velocidade passando por cima do corpo. O impacto dos pneus esmaga a carne e esmigalha os ossos, fazendo o corpo se retorcer como um boneco de pano.

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