Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Leonardo Duprates
Leonardo Duprates desenvolvedor de software, compositor, baixista e escritor.
Fã de Edgar Allan Poe e H.P. Lovercraft, foi nos roteiros de R.F. Lucchetti e nos filmes de José Mojica Marins que buscou inspiração para escrever seus contos de terror.









Zé da Talha (Parte 01)

Sou conhecido nas ruas como Edinho da DH. Comecei na polícia por acaso, trabalhava como escrivão em Viamão e sempre sonhei em ser um mandachuva da polícia. Estudei e prestei diversos exames, mas nunca consegui ser aprovado para um cargo de destaque na corporação. Até que a sorte brilhou, o filho abastado de um vereador atropelou uma família, o piá dirigia bêbado e foi levado em cana.

Enquanto registrava a ocorrência, o político apareceu me prometendo mundos e fundos se eu livrasse o garoto do crime. Foi aí que eu me corrompi, escolhi aleatoriamente o nome de um cidadão sem importância e coloquei no boletim de ocorrência, mantendo a ficha do filhinho do papai imaculada.

Duas semanas depois, descobri que o homem que eu tinha acusado no boletim, havia sido linchado por populares e acabara morrendo. Foi assim que cheguei ao cargo de detetive de homicídios em Porto Alegre, sendo corrupto.

No começo, acreditava que eu poderia me retratar tentando mudar, aqui e ali, algumas injustiças. Lutei com todas as forças, mas era tarde demais. A minha fama me perseguia e me entreguei ao sistema, fazendo o jogo de quem pagava mais. Virei o garoto de programa da elite porto-alegrense, sempre que um playboy cometia um crime, eu era requisitado para resolver o problema. Molhando a mão das pessoas certas, eu sou capaz de me livrar das acusações mais cabeludas, das testemunhas inconvenientes, do corpo e achar um atestado de óbito quentíssimo para fechar o caso.

 

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Leonardo Duprates
Zé da Talha (Parte 01)

Sou conhecido nas ruas como Edinho da DH. Comecei na polícia por acaso, trabalhava como escrivão em Viamão e sempre sonhei em ser um mandachuva da polícia. Estudei e prestei diversos exames, mas nunca consegui ser aprovado para um cargo de destaque na corporação. Até que a sorte brilhou, o filho abastado de um vereador atropelou uma família, o piá dirigia bêbado e foi levado em cana.

Enquanto registrava a ocorrência, o político apareceu me prometendo mundos e fundos se eu livrasse o garoto do crime. Foi aí que eu me corrompi, escolhi aleatoriamente o nome de um cidadão sem importância e coloquei no boletim de ocorrência, mantendo a ficha do filhinho do papai imaculada.

Duas semanas depois, descobri que o homem que eu tinha acusado no boletim, havia sido linchado por populares e acabara morrendo. Foi assim que cheguei ao cargo de detetive de homicídios em Porto Alegre, sendo corrupto.

No começo, acreditava que eu poderia me retratar tentando mudar, aqui e ali, algumas injustiças. Lutei com todas as forças, mas era tarde demais. A minha fama me perseguia e me entreguei ao sistema, fazendo o jogo de quem pagava mais. Virei o garoto de programa da elite porto-alegrense, sempre que um playboy cometia um crime, eu era requisitado para resolver o problema. Molhando a mão das pessoas certas, eu sou capaz de me livrar das acusações mais cabeludas, das testemunhas inconvenientes, do corpo e achar um atestado de óbito quentíssimo para fechar o caso.

 

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