O Encontro - Lucas Matheus
Lucas Matheus
Lucas Matheus Lima Medeiros nasceu em 17 de março de 1997, em Guarabira – PB, cidade que até hoje reside. Está finalizando as duas graduações, sendo uma em Direito pela UEPB – Campus III e outra em Sociologia pela UNIP – Polo Guarabira. Apaixonado por livros desde criança, desacreditava da possibilidade de escrever até ser convencido a tentar. Depois da publicação do seu primeiro livro: O Anjo Diabólico: A Odisseia de Lorde Taylor, o que antes parecia ser impossível vem se tornando uma energia vital. Com a publicação do primeiro livro, veio o discernimento de que para ele não há escolha exceto escrever... “A escrita liberta a alma e engradece o ser”. Lucas pretende se tornar professor universitário, e como não pode largar a escrita, escritor será até onde a vida permitir. No mais, ele é o tipo de pessoa que gosta de refletir constantemente e busca nos livros mais dúvidas para se livrar de repostas chatas sobre o mistério da vida. Costuma assistir o mesmo filme várias vezes e sempre para pra estudar tudo que for referente a Star Wars, Marvel e principalmente DC Comics. Procura escutar trilha sonoras dos filmes que mais gosta para fazer da vida um filme sem fim, mas eterno até onde possível. Quem sabe ele chega a conseguir ser professor de alguma universidade, até lá, livros a ler e a escrever estarão em andamento.





O Encontro

 

Parte 1

 

 

– Padre, onde tu estais? Padre? – José o chamava assim de forma informal pelos corredores da igreja…

A igreja de São Domingos era velha e empoeirada devido as constantes ventanias de verão…José por sua vez era um garoto que o Padre adotou mesmo tendo deveres com a igreja. 

José e o Padre estavam sempre a trabalhar e a cidade sofrera muito com a seca, motivo este que fez os cidadãos a deixarem.

Na última missa, o Padre rezou por todos que decidiram partir, mas ficou junto de seu filho para que sua missão com Cristo fosse além. Ao que parecia, lá iria se tornar um convento ou um mosteiro. O importante era servir aos planos do senhor.

José procurou o seu pai por toda a igreja, em seguida foi para o celeiro onde Lica, uma velha vaca magra ficava e não o encontrou. Notou que uma tempestade de areia se aproximava e um grande redemoinho surgia levantando areia como se o mundo se resumisse a pó. José viu a sombra do seu pai em meio àquela tempestuosa maré seca de incansáveis flocos, que o forçavam a fechar os olhos. Ele então gritou: PAI!!! O pai não respondeu.

A tempestade parecia não ter fim e ele sentiu dor e sangue, enquanto perdia a consciência por ter levado uma pedrada na cabeça. Alguém estava ali com ele. Se abaixou e o cheirou. Até que seu pai apareceu com sua winschester e disparou da torre da igreja. Ele deu uma sequência de tiros, mas o alvo foi rápido demais.

Ele gritava para José acordar. Mas ele não recuperava a consciência. A poeira da tempestade passou a se esvair com uma chuva. Chovia sangue. Sangue jorrava do céu rubro…

O Padre correu para o encontro de seu filho, rezando fervorosamente. Não havia nada e ninguém a recorrer, exceto Deus.

Ele descia os degraus com velocidade, até tropeçar e cair.

Um clarão junto de um disparo ecoou na igreja.

José acordou atordoado.

Sua cabeça doía e notou que chovera, pois estava encharcado com aquilo que ele achava ser um lamaçal. Era noite, não se tinha luz e ele não cortou lenha. Estava com medo e tremendo, desejando carne seca e muita água com pão. Era a riqueza de sua pobreza. O luxo da falta de prazer, mas era parte da missão que o pai o ensinava.

Ele se levantou, deu leves passos até que caiu.

Limpou os olhos e sentiu o gosto de ferro. Notou que estava numa poça de sangue.

Ia se levantando quando sentiu algo em seu tornozelo. Era uma mão. Ela surgiu como se tivesse saído da terra ou como se estivesse José a boiar num mar de sangue até ser fisgado por um anzol ensanguentado. Foi isso que o luar o fez ver. Ele ficou sem reação até que a mão o arrastou para o celeiro, e seu grito clamando por Deus, estrondou à noite.

O Padre então acorda.

 

Lucas Matheus
O Encontro

 

Parte 1

 

 

– Padre, onde tu estais? Padre? – José o chamava assim de forma informal pelos corredores da igreja…

A igreja de São Domingos era velha e empoeirada devido as constantes ventanias de verão…José por sua vez era um garoto que o Padre adotou mesmo tendo deveres com a igreja. 

José e o Padre estavam sempre a trabalhar e a cidade sofrera muito com a seca, motivo este que fez os cidadãos a deixarem.

Na última missa, o Padre rezou por todos que decidiram partir, mas ficou junto de seu filho para que sua missão com Cristo fosse além. Ao que parecia, lá iria se tornar um convento ou um mosteiro. O importante era servir aos planos do senhor.

José procurou o seu pai por toda a igreja, em seguida foi para o celeiro onde Lica, uma velha vaca magra ficava e não o encontrou. Notou que uma tempestade de areia se aproximava e um grande redemoinho surgia levantando areia como se o mundo se resumisse a pó. José viu a sombra do seu pai em meio àquela tempestuosa maré seca de incansáveis flocos, que o forçavam a fechar os olhos. Ele então gritou: PAI!!! O pai não respondeu.

A tempestade parecia não ter fim e ele sentiu dor e sangue, enquanto perdia a consciência por ter levado uma pedrada na cabeça. Alguém estava ali com ele. Se abaixou e o cheirou. Até que seu pai apareceu com sua winschester e disparou da torre da igreja. Ele deu uma sequência de tiros, mas o alvo foi rápido demais.

Ele gritava para José acordar. Mas ele não recuperava a consciência. A poeira da tempestade passou a se esvair com uma chuva. Chovia sangue. Sangue jorrava do céu rubro…

O Padre correu para o encontro de seu filho, rezando fervorosamente. Não havia nada e ninguém a recorrer, exceto Deus.

Ele descia os degraus com velocidade, até tropeçar e cair.

Um clarão junto de um disparo ecoou na igreja.

José acordou atordoado.

Sua cabeça doía e notou que chovera, pois estava encharcado com aquilo que ele achava ser um lamaçal. Era noite, não se tinha luz e ele não cortou lenha. Estava com medo e tremendo, desejando carne seca e muita água com pão. Era a riqueza de sua pobreza. O luxo da falta de prazer, mas era parte da missão que o pai o ensinava.

Ele se levantou, deu leves passos até que caiu.

Limpou os olhos e sentiu o gosto de ferro. Notou que estava numa poça de sangue.

Ia se levantando quando sentiu algo em seu tornozelo. Era uma mão. Ela surgiu como se tivesse saído da terra ou como se estivesse José a boiar num mar de sangue até ser fisgado por um anzol ensanguentado. Foi isso que o luar o fez ver. Ele ficou sem reação até que a mão o arrastou para o celeiro, e seu grito clamando por Deus, estrondou à noite.

O Padre então acorda.