O Orfanato - Lucas Matheus
Lucas Matheus
Lucas Matheus Lima Medeiros nasceu em 17 de março de 1997, em Guarabira – PB, cidade que até hoje reside. Está finalizando as duas graduações, sendo uma em Direito pela UEPB – Campus III e outra em Sociologia pela UNIP – Polo Guarabira. Apaixonado por livros desde criança, desacreditava da possibilidade de escrever até ser convencido a tentar. Depois da publicação do seu primeiro livro: O Anjo Diabólico: A Odisseia de Lorde Taylor, o que antes parecia ser impossível vem se tornando uma energia vital. Com a publicação do primeiro livro, veio o discernimento de que para ele não há escolha exceto escrever... “A escrita liberta a alma e engradece o ser”. Lucas pretende se tornar professor universitário, e como não pode largar a escrita, escritor será até onde a vida permitir. No mais, ele é o tipo de pessoa que gosta de refletir constantemente e busca nos livros mais dúvidas para se livrar de repostas chatas sobre o mistério da vida. Costuma assistir o mesmo filme várias vezes e sempre para pra estudar tudo que for referente a Star Wars, Marvel e principalmente DC Comics. Procura escutar trilha sonoras dos filmes que mais gosta para fazer da vida um filme sem fim, mas eterno até onde possível. Quem sabe ele chega a conseguir ser professor de alguma universidade, até lá, livros a ler e a escrever estarão em andamento.





O Orfanato

No orfanato todas as crianças brincavam, era por volta das 9h da manhã. Joyce ficava só, enquanto as demais crianças observavam o seu jeito. Ela era grande para uma menina de 10 anos. Desengonçada e antissocial. Os meninos tinham medo, mas demonstravam em forma de humilhações. Joyce estava só, como sempre. Carlos era um dos garotos mais aventureiros e o valentão do orfanato Cunha Rêgo. Tinha conseguido um bônus com o porteiro. Joyce ficava sentada, com seu vestido cinza, em pleno verão de 1989. O rádio da madre Josefa tocava uma missa, mas ela saiu para ir ao banheiro e deixou as crianças brincando sem sua presença. Carlos sintonizou o rádio até que encontrou Queen tocando, era Bohemia Rapsody. Ele chamou uns amigos para o centro de onde eles faziam o recreio. Era a lateral da instituição, com muros farpados que só permitiam enxergar o topo das árvores adjacentes. Carlos fez o sinal para seu bando formar um círculo enquanto as crianças ficavam mais curiosas. Joyce, por outro lado, queria beijar Amélia, era o amor da sua vida e estava perdidamente apaixonada pela menina mais charmosa de lá. Os garotos desfizeram o círculo, muitos gritaram e se afastaram, era uma bomba vulcão que soltava uma rajada de fogo com explosões. Todas iam em direção ao céu, na vertical, mas uma e apenas uma, saiu diferente, pois a base do vulcão explodiu e atingiu o vestido de Joyce. Mas ela não percebeu. Carlos então jogou uma bomba surpresa, era conhecida como botijão. Todas as crianças saíram do pátio. Joyce ficou. Eles escutaram gemidos, e por várias vezes o

nome “Amélia”, “Amélia”… Foi quando a madre voltou e deu um grito de horror. Joyce estava em chamas e já não se mexia mais. As crianças voltaram e ficaram observando como se fosse um show. A madre foi pegar um balde de água e por está em pânico, nem se lembrou das outras crianças. Joyce disse: – Te amo, Améliaaaaaa. E sua boca se abriu, seus olhos explodiram e seu cabelo já não existia dando lugar a careca. O cheiro de carne queimada tomava conta de tudo. A madre jogou o balde no corpo e a chama se extinguiu… A face parecia sorrir, e nesse momento, Carlos gritou e saiu dali. Ele ficou em pânico. Com o devido tratamento, os médicos o consideram psicótico, o motivo? Ele ficou conversando com Joyce e ela o respondeu mesmo em chamas. A sua última frase foi: – tente morrer, caso o contrário, eu te mato.

Lucas Matheus
O Orfanato

No orfanato todas as crianças brincavam, era por volta das 9h da manhã. Joyce ficava só, enquanto as demais crianças observavam o seu jeito. Ela era grande para uma menina de 10 anos. Desengonçada e antissocial. Os meninos tinham medo, mas demonstravam em forma de humilhações. Joyce estava só, como sempre. Carlos era um dos garotos mais aventureiros e o valentão do orfanato Cunha Rêgo. Tinha conseguido um bônus com o porteiro. Joyce ficava sentada, com seu vestido cinza, em pleno verão de 1989. O rádio da madre Josefa tocava uma missa, mas ela saiu para ir ao banheiro e deixou as crianças brincando sem sua presença. Carlos sintonizou o rádio até que encontrou Queen tocando, era Bohemia Rapsody. Ele chamou uns amigos para o centro de onde eles faziam o recreio. Era a lateral da instituição, com muros farpados que só permitiam enxergar o topo das árvores adjacentes. Carlos fez o sinal para seu bando formar um círculo enquanto as crianças ficavam mais curiosas. Joyce, por outro lado, queria beijar Amélia, era o amor da sua vida e estava perdidamente apaixonada pela menina mais charmosa de lá. Os garotos desfizeram o círculo, muitos gritaram e se afastaram, era uma bomba vulcão que soltava uma rajada de fogo com explosões. Todas iam em direção ao céu, na vertical, mas uma e apenas uma, saiu diferente, pois a base do vulcão explodiu e atingiu o vestido de Joyce. Mas ela não percebeu. Carlos então jogou uma bomba surpresa, era conhecida como botijão. Todas as crianças saíram do pátio. Joyce ficou. Eles escutaram gemidos, e por várias vezes o

nome “Amélia”, “Amélia”… Foi quando a madre voltou e deu um grito de horror. Joyce estava em chamas e já não se mexia mais. As crianças voltaram e ficaram observando como se fosse um show. A madre foi pegar um balde de água e por está em pânico, nem se lembrou das outras crianças. Joyce disse: – Te amo, Améliaaaaaa. E sua boca se abriu, seus olhos explodiram e seu cabelo já não existia dando lugar a careca. O cheiro de carne queimada tomava conta de tudo. A madre jogou o balde no corpo e a chama se extinguiu… A face parecia sorrir, e nesse momento, Carlos gritou e saiu dali. Ele ficou em pânico. Com o devido tratamento, os médicos o consideram psicótico, o motivo? Ele ficou conversando com Joyce e ela o respondeu mesmo em chamas. A sua última frase foi: – tente morrer, caso o contrário, eu te mato.