Relato de um desconhecido - Lucas Matheus
Lucas Matheus
Lucas Matheus Lima Medeiros nasceu em 17 de março de 1997, em Guarabira – PB, cidade que até hoje reside. Está finalizando as duas graduações, sendo uma em Direito pela UEPB – Campus III e outra em Sociologia pela UNIP – Polo Guarabira. Apaixonado por livros desde criança, desacreditava da possibilidade de escrever até ser convencido a tentar. Depois da publicação do seu primeiro livro: O Anjo Diabólico: A Odisseia de Lorde Taylor, o que antes parecia ser impossível vem se tornando uma energia vital. Com a publicação do primeiro livro, veio o discernimento de que para ele não há escolha exceto escrever... “A escrita liberta a alma e engradece o ser”. Lucas pretende se tornar professor universitário, e como não pode largar a escrita, escritor será até onde a vida permitir. No mais, ele é o tipo de pessoa que gosta de refletir constantemente e busca nos livros mais dúvidas para se livrar de repostas chatas sobre o mistério da vida. Costuma assistir o mesmo filme várias vezes e sempre para pra estudar tudo que for referente a Star Wars, Marvel e principalmente DC Comics. Procura escutar trilha sonoras dos filmes que mais gosta para fazer da vida um filme sem fim, mas eterno até onde possível. Quem sabe ele chega a conseguir ser professor de alguma universidade, até lá, livros a ler e a escrever estarão em andamento.





Relato de um desconhecido

Isto que vos apresento é um relato, se chegou as suas mãos, ou sua visão,  acredite se quiser.

15 de agosto de 2020, é noite, estou no meu apartamento. Com a pandemia eu fiquei mais solitário e mais uma vez estou aqui em minha terapia particular: escrever, escrever e escrever…

A escrita é a amiga dos solitários, muitos morrem sem saber disso.

Acho que foi o meu médico, que me indicou a escrita para ajudar com a minha perda frequente de memória.

Ontem eu tive um sonho tão real, que acordei gritando e não estava deitado. Eu estava sentado na cama.

Acho que foi nesse momento que fui à cozinha e me direcionei à geladeira. Quando abri a porta, junto daquela luz eu escutei passos. Meu corpo ficou vidrado. Não era de inquilinos, era no meu apartamento. Quando enfim senti uma respiração próximo de mim, virei-me e ali nada estava. Só no outro dia, ou seja, hoje, que percebi pegadas escuras na minha casa.

16 de agosto de 2020, não saio mais e não tenho dinheiro. As trepadas da vizinha me deixam excitado. Meu apartamento está caindo aos pedaços como a minha esperança.

Todo dia sinto algo muito estranho, minha mão parece feder…

Não sei mais o que fazer…

17 de algum mês de algum ano. Não lembro o meu nome, não sinto muito os meus membros e meu fedor está ficando gostoso… uma sombra passou um tempo na minha porta e demorou a sair. Não sinto mais nojo dos ratos, não sinto mais nojo do meu rosto esverdeado.

O homem enfim para de escrever e no chão ele descansa, até que sua porta é arrombada e uma mulher vasculha tudo sem ligar para o corpo no chão.

O cheiro o fez acordar e com um duplo desejo, arrancou as calças da mulher, mas o seu pênis caiu cheio de vermes… a mulher aos gritos e o homem a comeu. Usando o sangue como tinta para escrever nas paredes, finalizou seu relato:

Só na morte encontro vida para escrever, leiam-me e lembrem-se… o que morre, não morre de tudo em todo.

Lucas Matheus
Relato de um desconhecido

Isto que vos apresento é um relato, se chegou as suas mãos, ou sua visão,  acredite se quiser.

15 de agosto de 2020, é noite, estou no meu apartamento. Com a pandemia eu fiquei mais solitário e mais uma vez estou aqui em minha terapia particular: escrever, escrever e escrever…

A escrita é a amiga dos solitários, muitos morrem sem saber disso.

Acho que foi o meu médico, que me indicou a escrita para ajudar com a minha perda frequente de memória.

Ontem eu tive um sonho tão real, que acordei gritando e não estava deitado. Eu estava sentado na cama.

Acho que foi nesse momento que fui à cozinha e me direcionei à geladeira. Quando abri a porta, junto daquela luz eu escutei passos. Meu corpo ficou vidrado. Não era de inquilinos, era no meu apartamento. Quando enfim senti uma respiração próximo de mim, virei-me e ali nada estava. Só no outro dia, ou seja, hoje, que percebi pegadas escuras na minha casa.

16 de agosto de 2020, não saio mais e não tenho dinheiro. As trepadas da vizinha me deixam excitado. Meu apartamento está caindo aos pedaços como a minha esperança.

Todo dia sinto algo muito estranho, minha mão parece feder…

Não sei mais o que fazer…

17 de algum mês de algum ano. Não lembro o meu nome, não sinto muito os meus membros e meu fedor está ficando gostoso… uma sombra passou um tempo na minha porta e demorou a sair. Não sinto mais nojo dos ratos, não sinto mais nojo do meu rosto esverdeado.

O homem enfim para de escrever e no chão ele descansa, até que sua porta é arrombada e uma mulher vasculha tudo sem ligar para o corpo no chão.

O cheiro o fez acordar e com um duplo desejo, arrancou as calças da mulher, mas o seu pênis caiu cheio de vermes… a mulher aos gritos e o homem a comeu. Usando o sangue como tinta para escrever nas paredes, finalizou seu relato:

Só na morte encontro vida para escrever, leiam-me e lembrem-se… o que morre, não morre de tudo em todo.