Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Luciano Pires
Nascido em Osasco, em 14 de abril de 1978.
Formado em Letras e músico nos bares mais vagabundos da cidade.
Quase terminando um romance passado na cidade de Osasco, onde um pombo é o narrador principal, com cenas na estação de trem e no antigo Arena Metal.
Uma mente em fúria.
Profundos e minúsculos terremotos de dor, caos e sonhos perfurados.
Nuvens carregadas em pílulas, engasgadas na garganta de Deus.
Ópio e pálpebras acesas.
E-mail: lucianovpires13@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/lucianovpires
Blog: prozacfiles.blogspot.com.br/






Dia 36

É dia 36, os valores estão depositados, a roupa lavada, o café na mesa, o sorriso no rosto.

A campainha toca. 

Atendo.

Você possui algo aí dentro que possa ser quebrado?

Algo que possa ser dilacerado.

Destruído a golpes de martelo.

Você possui alguma coisa valiosa bem no fundo que possa ser incendiada?

Mastigada com dentes de ferro.

Cuspida e engolida novamente.

Calem-se. 

Quietos. 

Vocês não tem o direito de aplaudir.

Se puderem, morram.

A cidade acorda.

A cidade dorme.

A cidade delineia sua presença por sobre os cadáveres impossíveis.

A arma; não esqueci a arma. 

Não poderia esquecer, por nada nesse mundo.

O sangue fotocopiado na calçada, o revólver na têmpora. 

É só apertar o gatilho. 

Lentamente.

Repito, é só apertar o gatilho. 

Você é capaz, claro que é! Já matou antes.

A miséria adora companhia.

E a canção nunca se esgota.

Páginas: 1 2 3

Luciano Pires
Dia 36

É dia 36, os valores estão depositados, a roupa lavada, o café na mesa, o sorriso no rosto.

A campainha toca. 

Atendo.

Você possui algo aí dentro que possa ser quebrado?

Algo que possa ser dilacerado.

Destruído a golpes de martelo.

Você possui alguma coisa valiosa bem no fundo que possa ser incendiada?

Mastigada com dentes de ferro.

Cuspida e engolida novamente.

Calem-se. 

Quietos. 

Vocês não tem o direito de aplaudir.

Se puderem, morram.

A cidade acorda.

A cidade dorme.

A cidade delineia sua presença por sobre os cadáveres impossíveis.

A arma; não esqueci a arma. 

Não poderia esquecer, por nada nesse mundo.

O sangue fotocopiado na calçada, o revólver na têmpora. 

É só apertar o gatilho. 

Lentamente.

Repito, é só apertar o gatilho. 

Você é capaz, claro que é! Já matou antes.

A miséria adora companhia.

E a canção nunca se esgota.

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