Dia 36 - Luciano Pires
Luciano Pires
Nascido em Osasco, em 14 de abril de 1978.
Formado em Letras e músico nos bares mais vagabundos da cidade.
Quase terminando um romance passado na cidade de Osasco, onde um pombo é o narrador principal, com cenas na estação de trem e no antigo Arena Metal.
Uma mente em fúria.
Profundos e minúsculos terremotos de dor, caos e sonhos perfurados.
Nuvens carregadas em pílulas, engasgadas na garganta de Deus.
Ópio e pálpebras acesas.
Acompanhe o autor no blog: https://prozacfiles.blogspot.com.br/





Dia 36

Pelo tempo que resta nos arrasta pela fresta da porta fechada.

Lá fora não há nada.

Os cacos de vidro, poeira fina ao redor fumaça ensanguentada. 

Nada.

Teu peso sobre meu corpo. 

Teu corpo.

Assim a sombra imensa da cidade está no alto de um prédio, prestes a se jogar.

– Às cinco da tarde, em frente à sorveteria? 

– Ok.

Teu olhar suspenso no ar.

As paredes finas do tempo, a saudade vasta.

Teu sussurro atravessando a avenida.

O carro parado.

Os passos vagarosos de uma vida inteira.

O chapéu sobre a cabeça.

O cumprimento distraído.

E, por fim, teu nome ecoando em uma floresta imaginária.

O estampido enxovalhando o silêncio.

O corpo frio no descanso da sarjeta.

Os olhos abertos refletidos na poça dágua.

A foto em preto e branco me encarando com olhos distantes.

– Obrigado, agora tenho a certeza. 

– Obrigado pelos seus préstimos, muito agradecido. 

– Obrigado.

Não há nada lá fora.

Eu convivi com um erro. 

Tudo é um erro. 

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Luciano Pires
Dia 36

Pelo tempo que resta nos arrasta pela fresta da porta fechada.

Lá fora não há nada.

Os cacos de vidro, poeira fina ao redor fumaça ensanguentada. 

Nada.

Teu peso sobre meu corpo. 

Teu corpo.

Assim a sombra imensa da cidade está no alto de um prédio, prestes a se jogar.

– Às cinco da tarde, em frente à sorveteria? 

– Ok.

Teu olhar suspenso no ar.

As paredes finas do tempo, a saudade vasta.

Teu sussurro atravessando a avenida.

O carro parado.

Os passos vagarosos de uma vida inteira.

O chapéu sobre a cabeça.

O cumprimento distraído.

E, por fim, teu nome ecoando em uma floresta imaginária.

O estampido enxovalhando o silêncio.

O corpo frio no descanso da sarjeta.

Os olhos abertos refletidos na poça dágua.

A foto em preto e branco me encarando com olhos distantes.

– Obrigado, agora tenho a certeza. 

– Obrigado pelos seus préstimos, muito agradecido. 

– Obrigado.

Não há nada lá fora.

Eu convivi com um erro. 

Tudo é um erro. 

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