O tempo é uma velha decrépita - Luciano Pires
Luciano Pires
Nascido em Osasco, em 14 de abril de 1978.
Formado em Letras e músico nos bares mais vagabundos da cidade.
Quase terminando um romance passado na cidade de Osasco, onde um pombo é o narrador principal, com cenas na estação de trem e no antigo Arena Metal.
Uma mente em fúria.
Profundos e minúsculos terremotos de dor, caos e sonhos perfurados.
Nuvens carregadas em pílulas, engasgadas na garganta de Deus.
Ópio e pálpebras acesas.
E-mail: lucianovpires13@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/lucianovpires
Blog: prozacfiles.blogspot.com.br/






O tempo é uma velha decrépita

A música foi terminando, o acorde final. Silêncio.

Pisquei por um instante e quando abri os olhos tudo voltou ao normal, aquela mesma figura decrépita que antes espancava o seu violão desafinado estava novamente sentada enganchando os dedos pelas cordas, as notas tropeçando pelo ar, o frio corroendo a alma.

Os demônios voltaram à sanidade por alguns minutos, subi vagarosamente os degraus, todas as velas estavam apagadas, ao sair pela porta avistei uma outra escada, essa nunca tinha visto antes, desci lentamente por ela, as velas todas se acenderam novamente, continuei descendo até chegar outra vez ao bar, ouvi os guinchos dissonantes do violão mais uma vez e os mesmos rostos sem expressão, tudo acontecia exatamente da mesma maneira, até que decidi outra vez subir os degraus pra ir embora, vi as velas apagadas e na saída a mesma escada, o mesmo bar, a mesma música e a mesma noite fria.

O tempo é uma velha decrépita que guarda cabeças de peixe no congelador.

 

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Luciano Pires
O tempo é uma velha decrépita

A música foi terminando, o acorde final. Silêncio.

Pisquei por um instante e quando abri os olhos tudo voltou ao normal, aquela mesma figura decrépita que antes espancava o seu violão desafinado estava novamente sentada enganchando os dedos pelas cordas, as notas tropeçando pelo ar, o frio corroendo a alma.

Os demônios voltaram à sanidade por alguns minutos, subi vagarosamente os degraus, todas as velas estavam apagadas, ao sair pela porta avistei uma outra escada, essa nunca tinha visto antes, desci lentamente por ela, as velas todas se acenderam novamente, continuei descendo até chegar outra vez ao bar, ouvi os guinchos dissonantes do violão mais uma vez e os mesmos rostos sem expressão, tudo acontecia exatamente da mesma maneira, até que decidi outra vez subir os degraus pra ir embora, vi as velas apagadas e na saída a mesma escada, o mesmo bar, a mesma música e a mesma noite fria.

O tempo é uma velha decrépita que guarda cabeças de peixe no congelador.

 

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