Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Luiz Nicanor
Luiz Nicanor Araújo da Silva nasceu em Santo Antônio da Patrulha em 8/4/1944.
Publicou nove livros desde 1980: Cinco volumes de poesias, três de contos e um de crônicas.
Em 2012 foi Patrono da Feira do Livro em nossa cidade.
Em 2015 foi escolhido pelo Mestre em Literatura Professor Eduardo Jablonski para a publicação de um livro: Biografia Literária de Luiz Nicanor.
Participou de diversos concursos literários, sendo duas vezes premiado no Concurso Poemas no Ônibus e no Trem e três vezes no Histórias de Trabalho, todos da Secretaria da Cultura de Porto Alegre.





O outro eu

    Mirno e o agressor, de nome Alfredo, foram colocados cada um num camburão e levados à delegacia, presos em flagrante por uso de arma (só encontraram a adaga de Alfredo) e desordem em local público.

    O delegado de plantão sofreu dois sustos: Primeiro puxou no computador a ficha de Alfredo. Dava para formar um tapete de alguns quilômetros. Depois a de Mirno…

    Mas, disse o delegado, o senhor é um megaempresário aposentado! Aqui declara o senhor ter sessenta e oito anos, mas o senhor não apresenta mais de trinta!

    Mirno não disse nada. Apenas mostrou a identidade. A foto da carteira, de mais de trinta anos atrás, era a mesma fisionomia apresentada pelo indivíduo portador da carteira.

    Esta carteira, além de desatualizada, só pode ser falsa! disse o delegado.

    Que eu saiba, é minha mesmo.

    Mas aqui, pela sua data de nascimento, o senhor tem quase setenta anos! A foto, muito antiga, é igual ao senhor… Isso significa que o senhor destruiu a foto da carteira e colocou a sua. O senhor está me vendo com cara de palhaço? Além de arruaceiro está usando uma carteira falsificada! Esta carteira pertence ao senhor Mirno Rupertius Ciros, importante megaempresário.

    Pois eu afirmo ser o dono desta carteira! O senhor pode verificar não existir nenhum tipo de violação neste documento!

    Depois veremos isso; mas esta noite sou obrigado a deixar o senhor de molho…

    Não sem antes eu falar com os meus advogados.

    O próprio delegado fez as ligações e por telefone mesmo o assunto ficou resolvido. O delegado referiu à estranha aparência facial e depois riu amarelo – dois advogados declararam do espanto causado por estes milionários, com plásticas a assustar o próprio diabo.

    Mas não largarei o seu pé! alertou o delegado, mesmo após Mirno afirmar sua incapacidade de ausentar-se, produzindo mais perplexidade no policial.

    Mirno virou as costas, quando ouviu o delegado novamente o chamar.

    Que foi agora?

    Só não entendi uma coisa, ou é por isto a sua incapacidade de ausentar-se? Um dos seus advogados afirmou que o senhor está sofrendo de uma doença grave; não tem condições nem de caminhar…

    Mirno riu amarelo: É exagero do meu advogado, como o senhor pode ver!

    Quando Mirnou chegou a sua casa teve uma surpresa. Ao abrir a porta da garagem para colocar o carro, a mesma estava ocupada. Havia outro veículo ali guardado. Mas como? Se eu estou motorizado? Como pode haver um carro aqui na minha garagem privativa?

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Luiz Nicanor
O outro eu

    Mirno e o agressor, de nome Alfredo, foram colocados cada um num camburão e levados à delegacia, presos em flagrante por uso de arma (só encontraram a adaga de Alfredo) e desordem em local público.

    O delegado de plantão sofreu dois sustos: Primeiro puxou no computador a ficha de Alfredo. Dava para formar um tapete de alguns quilômetros. Depois a de Mirno…

    Mas, disse o delegado, o senhor é um megaempresário aposentado! Aqui declara o senhor ter sessenta e oito anos, mas o senhor não apresenta mais de trinta!

    Mirno não disse nada. Apenas mostrou a identidade. A foto da carteira, de mais de trinta anos atrás, era a mesma fisionomia apresentada pelo indivíduo portador da carteira.

    Esta carteira, além de desatualizada, só pode ser falsa! disse o delegado.

    Que eu saiba, é minha mesmo.

    Mas aqui, pela sua data de nascimento, o senhor tem quase setenta anos! A foto, muito antiga, é igual ao senhor… Isso significa que o senhor destruiu a foto da carteira e colocou a sua. O senhor está me vendo com cara de palhaço? Além de arruaceiro está usando uma carteira falsificada! Esta carteira pertence ao senhor Mirno Rupertius Ciros, importante megaempresário.

    Pois eu afirmo ser o dono desta carteira! O senhor pode verificar não existir nenhum tipo de violação neste documento!

    Depois veremos isso; mas esta noite sou obrigado a deixar o senhor de molho…

    Não sem antes eu falar com os meus advogados.

    O próprio delegado fez as ligações e por telefone mesmo o assunto ficou resolvido. O delegado referiu à estranha aparência facial e depois riu amarelo – dois advogados declararam do espanto causado por estes milionários, com plásticas a assustar o próprio diabo.

    Mas não largarei o seu pé! alertou o delegado, mesmo após Mirno afirmar sua incapacidade de ausentar-se, produzindo mais perplexidade no policial.

    Mirno virou as costas, quando ouviu o delegado novamente o chamar.

    Que foi agora?

    Só não entendi uma coisa, ou é por isto a sua incapacidade de ausentar-se? Um dos seus advogados afirmou que o senhor está sofrendo de uma doença grave; não tem condições nem de caminhar…

    Mirno riu amarelo: É exagero do meu advogado, como o senhor pode ver!

    Quando Mirnou chegou a sua casa teve uma surpresa. Ao abrir a porta da garagem para colocar o carro, a mesma estava ocupada. Havia outro veículo ali guardado. Mas como? Se eu estou motorizado? Como pode haver um carro aqui na minha garagem privativa?

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