Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
M. Lestrange
M. Lestrange é, antes de qualquer coisa, um pseudônimo.
Bióloga de formação, apaixonada por leitura e maníaca das livrarias, pertence à casa Corvinal e faz visitas ocasionais ao reino das fadas para reunir material (e cobaias) para suas histórias.
Dizem os rumores que as tais fadas colocaram sua cabeça a prêmio.
Suas primeiras publicações físicas estão contidas em antologias, escreve para o blog literário Noite do Bardo e vez ou outra dá o ar de sua graça no Wattpad.






De fora

Ela encarou a tela do telefone por mais alguns segundos antes de finalmente decidir ir dormir. Sentindo-se sozinha, ela segurou as lágrimas que insistiam em se formar em seus olhos, vestiu o pijama longo decorado com ursinhos e dirigiu-se ao banheiro para escovar os dentes.

De frente para o espelho do banheiro, enquanto espremia a pasta de dentes sobre a escova, ela parou para observar seu reflexo na pequena superfície oval. Tinha feito muito isso ultimamente. Enquanto corria a escova de um lado para o outro da boca, observou cada detalhe de seu corpo minuciosamente.

Não era especialmente magra, mas não chegava a ser gorda. Quer dizer, ao menos ela nunca pensara em si mesma daquela maneira, mas alguns comentários grosseiros e um número de calça a mais nos últimos meses a faziam reconsiderar aquela visão. De fato, alguns quilos a menos não fariam mal algum.

Seus cabelos estavam bagunçados devido ao longo tempo deitada no travesseiro. Ela não se incomodaria em penteá-los àquela altura. O dia seguinte era sábado, e ela não precisava se preocupar em esconder as ondulações naturais com o secador ou a chapinha.

Havia olheiras sob seus olhos, e ela tinha a impressão de que sempre haviam estado lá, apesar de sempre ter dormido mais do que o suficiente. Fora um colega de sala que chamara sua atenção para as olheiras.

“Tomou uns socos?” – Foram as palavras que ele usara.

Ela demorou a perceber que ele se referia às suas olheiras, e lembrava-se de ter dedicado um tempo extra encarando-se no espelho do banheiro feminino de sua escola, decidindo se as olheiras eram assim tão evidentes.

Agora, sozinha no banheiro de sua casa, parecia-lhe que as olheiras eram dois holofotes arroxeados sob seus olhos. Quem sabe um pouco mais de base bem aplicada pela manhã não pudesse resolver aquele problema.

Segurou os cabelos para trás para que pudesse cuspir o excesso de pasta de dentes e bochechar água. Antes de se retirar do banheiro, observou os dois brincos que levava eternamente nas orelhas. Duas pequenas argolas de ouro, presente de sua avó. Por vezes pensara em fazer mais alguns furos, mais um de cada lado, que fosse. Embora sua real vontade fosse colocar um piercing transversal em uma das orelhas.

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M. Lestrange
De fora

Ela encarou a tela do telefone por mais alguns segundos antes de finalmente decidir ir dormir. Sentindo-se sozinha, ela segurou as lágrimas que insistiam em se formar em seus olhos, vestiu o pijama longo decorado com ursinhos e dirigiu-se ao banheiro para escovar os dentes.

De frente para o espelho do banheiro, enquanto espremia a pasta de dentes sobre a escova, ela parou para observar seu reflexo na pequena superfície oval. Tinha feito muito isso ultimamente. Enquanto corria a escova de um lado para o outro da boca, observou cada detalhe de seu corpo minuciosamente.

Não era especialmente magra, mas não chegava a ser gorda. Quer dizer, ao menos ela nunca pensara em si mesma daquela maneira, mas alguns comentários grosseiros e um número de calça a mais nos últimos meses a faziam reconsiderar aquela visão. De fato, alguns quilos a menos não fariam mal algum.

Seus cabelos estavam bagunçados devido ao longo tempo deitada no travesseiro. Ela não se incomodaria em penteá-los àquela altura. O dia seguinte era sábado, e ela não precisava se preocupar em esconder as ondulações naturais com o secador ou a chapinha.

Havia olheiras sob seus olhos, e ela tinha a impressão de que sempre haviam estado lá, apesar de sempre ter dormido mais do que o suficiente. Fora um colega de sala que chamara sua atenção para as olheiras.

“Tomou uns socos?” – Foram as palavras que ele usara.

Ela demorou a perceber que ele se referia às suas olheiras, e lembrava-se de ter dedicado um tempo extra encarando-se no espelho do banheiro feminino de sua escola, decidindo se as olheiras eram assim tão evidentes.

Agora, sozinha no banheiro de sua casa, parecia-lhe que as olheiras eram dois holofotes arroxeados sob seus olhos. Quem sabe um pouco mais de base bem aplicada pela manhã não pudesse resolver aquele problema.

Segurou os cabelos para trás para que pudesse cuspir o excesso de pasta de dentes e bochechar água. Antes de se retirar do banheiro, observou os dois brincos que levava eternamente nas orelhas. Duas pequenas argolas de ouro, presente de sua avó. Por vezes pensara em fazer mais alguns furos, mais um de cada lado, que fosse. Embora sua real vontade fosse colocar um piercing transversal em uma das orelhas.

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