Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
M. Lestrange
M. Lestrange é, antes de qualquer coisa, um pseudônimo.
Bióloga de formação, apaixonada por leitura e maníaca das livrarias, pertence à casa Corvinal e faz visitas ocasionais ao reino das fadas para reunir material (e cobaias) para suas histórias.
Dizem os rumores que as tais fadas colocaram sua cabeça a prêmio.
Suas primeiras publicações físicas estão contidas em antologias, escreve para o blog literário Noite do Bardo e vez ou outra dá o ar de sua graça no Wattpad.






De fora

Todas as garotas legais estavam fazendo piercings. Mas ela sabia que não havia a menor chance de que sua mãe lhe permitisse seguir a mesma tendência.

– Já vai dormir, filha? – Indagou sua mãe, que passava roupas em frente à tv da sala de jantar.

– Já, estou com sono. – Respondeu ela, desanimada.

– Bem se vê, sua voz está péssima! Boa noite!

É. Péssima. Ela não tinha nem ideia do quanto. Antes fosse o sono.

De qualquer forma, aquela era uma conversa que ela preferia não ter com sua mãe, ou com qualquer pessoa que estivesse respirando.

Enquanto se aconchegava sob as cobertas, refletiu brevemente sobre seu pijama com estampa de ursinhos. Ela adorava aquele pijama, era milenar e altamente confortável. Mas, agora que pensava sobre isso, talvez já fosse muito infantil. Quer dizer, o que diriam dela se descobrissem que dormia com um pijama com aquela estampa?

Um calafrio subiu por sua espinha.

Deus proíba que um dia qualquer pessoa naquela escola sonhasse que ela gostava de estampas infantis. Ter seu gosto por livros e jogos sendo expostos e devidamente humilhados pela escola já era mais do que suficiente.

Mas talvez fosse realmente hora de se livrar do velho pijama.

Melhor prevenir do que remediar, diria sua avó.

Puxou o pequeno telefone de debaixo do travesseiro. Nenhuma nova mensagem.

Claro que não, por que haveria?

Ele devia ter pessoas mais interessantes para conversar. E ela tinha certeza de que estava começando a soar carente. Garotos não gostam de garotas carentes. Ou nerds. Ou que gostam mais de livros do que de assistir novelas. Ou que ganham deles no Street Fighter.

Garotos não gostavam de tipos como ela. Não gostavam dela.

“Você sabe o quanto é feia?” – Zombou um colega certa vez. – “Sério, olha pra você. É do tipo que morre sozinha”.

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M. Lestrange
De fora

Todas as garotas legais estavam fazendo piercings. Mas ela sabia que não havia a menor chance de que sua mãe lhe permitisse seguir a mesma tendência.

– Já vai dormir, filha? – Indagou sua mãe, que passava roupas em frente à tv da sala de jantar.

– Já, estou com sono. – Respondeu ela, desanimada.

– Bem se vê, sua voz está péssima! Boa noite!

É. Péssima. Ela não tinha nem ideia do quanto. Antes fosse o sono.

De qualquer forma, aquela era uma conversa que ela preferia não ter com sua mãe, ou com qualquer pessoa que estivesse respirando.

Enquanto se aconchegava sob as cobertas, refletiu brevemente sobre seu pijama com estampa de ursinhos. Ela adorava aquele pijama, era milenar e altamente confortável. Mas, agora que pensava sobre isso, talvez já fosse muito infantil. Quer dizer, o que diriam dela se descobrissem que dormia com um pijama com aquela estampa?

Um calafrio subiu por sua espinha.

Deus proíba que um dia qualquer pessoa naquela escola sonhasse que ela gostava de estampas infantis. Ter seu gosto por livros e jogos sendo expostos e devidamente humilhados pela escola já era mais do que suficiente.

Mas talvez fosse realmente hora de se livrar do velho pijama.

Melhor prevenir do que remediar, diria sua avó.

Puxou o pequeno telefone de debaixo do travesseiro. Nenhuma nova mensagem.

Claro que não, por que haveria?

Ele devia ter pessoas mais interessantes para conversar. E ela tinha certeza de que estava começando a soar carente. Garotos não gostam de garotas carentes. Ou nerds. Ou que gostam mais de livros do que de assistir novelas. Ou que ganham deles no Street Fighter.

Garotos não gostavam de tipos como ela. Não gostavam dela.

“Você sabe o quanto é feia?” – Zombou um colega certa vez. – “Sério, olha pra você. É do tipo que morre sozinha”.

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