Malícia - M. Lestrange
M. Lestrange
M. Lestrange é, antes de qualquer coisa, um pseudônimo.
Bióloga de formação, apaixonada por leitura e maníaca das livrarias, pertence à casa Corvinal e faz visitas ocasionais ao reino das fadas para reunir material (e cobaias) para suas histórias.
Dizem os rumores que as tais fadas colocaram sua cabeça a prêmio.
Suas primeiras publicações físicas estão contidas em antologias, escreve para o blog literário Noite do Bardo e vez ou outra dá o ar de sua graça no Wattpad.






Malícia

Carla adentrou o apartamento batendo a porta atrás de si.

Passou a passos largos e pesados pela porta da cozinha e pela sala. Ela bateu a porta do quarto quando sua mãe chamou seu nome. Não queria falar com a mãe. Não queria falar com ninguém.

Escutou os passos da mãe se aproximarem timidamente pelo corredor, seguidos de batidas delicadas na porta. Apesar de não estar trancada, sua mãe nunca violara sua privacidade.

– Filha? – Veio o chamado através da madeira compensada.

Carla não respondeu. As grossas lágrimas corriam por suas bochechas enquanto ela encarava o chão. Havia arremessado a mochila da escola toscamente em cima da cama, e deixara-se cair sentada no chão.

– Carlinha… O que houve? – Insistiu a mãe.

– Não quero falar sobre isso. – Respondeu a garota de cabelos escuros.

– O almoço está na mesa…

– Não estou com fome.

Houve um longo silêncio antes de os passos delicados da mãe se afastarem pelo corredor novamente.

A mãe de Carla nunca fora especialmente firme, não era o tipo de mãe que comprava brigas ou pedia satisfações. Grande parte disso se devia ao comportamento calmo da filha, que sempre fora bastante tímida, com poucos amigos, boas notas e nenhum tipo de envolvimento em conflitos.

Carla estava no auge de seus quinze anos, e era comum passar por problemas com sua vida social. Sua mãe sabia que algumas garotas, as consideradas populares, costumavam pegar no pé de Carla, mas ela confiava que a garota sabia a melhor maneira de lidar com aquele tipo de coisa. A última coisa que queria ser era uma mãe invasiva.

Ela tinha todo o prazer em orientar sua filha, quando era procurada. Mas esperava até que isso partisse da garota.

Adolescentes, afinal, precisam de seu espaço. Dona Pâmela entendia isso, e respeitava.

A garota deixou que as lágrimas escorressem livremente de seus olhos, até que pararam por conta própria. Ela remoeu os últimos acontecimentos em sua mente, para ter certeza de que não havia entendido nada errado.

Quando teve certeza de que estava certa, levantou-se decidida.

Uma atitude seria tomada.

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M. Lestrange
Malícia

Carla adentrou o apartamento batendo a porta atrás de si.

Passou a passos largos e pesados pela porta da cozinha e pela sala. Ela bateu a porta do quarto quando sua mãe chamou seu nome. Não queria falar com a mãe. Não queria falar com ninguém.

Escutou os passos da mãe se aproximarem timidamente pelo corredor, seguidos de batidas delicadas na porta. Apesar de não estar trancada, sua mãe nunca violara sua privacidade.

– Filha? – Veio o chamado através da madeira compensada.

Carla não respondeu. As grossas lágrimas corriam por suas bochechas enquanto ela encarava o chão. Havia arremessado a mochila da escola toscamente em cima da cama, e deixara-se cair sentada no chão.

– Carlinha… O que houve? – Insistiu a mãe.

– Não quero falar sobre isso. – Respondeu a garota de cabelos escuros.

– O almoço está na mesa…

– Não estou com fome.

Houve um longo silêncio antes de os passos delicados da mãe se afastarem pelo corredor novamente.

A mãe de Carla nunca fora especialmente firme, não era o tipo de mãe que comprava brigas ou pedia satisfações. Grande parte disso se devia ao comportamento calmo da filha, que sempre fora bastante tímida, com poucos amigos, boas notas e nenhum tipo de envolvimento em conflitos.

Carla estava no auge de seus quinze anos, e era comum passar por problemas com sua vida social. Sua mãe sabia que algumas garotas, as consideradas populares, costumavam pegar no pé de Carla, mas ela confiava que a garota sabia a melhor maneira de lidar com aquele tipo de coisa. A última coisa que queria ser era uma mãe invasiva.

Ela tinha todo o prazer em orientar sua filha, quando era procurada. Mas esperava até que isso partisse da garota.

Adolescentes, afinal, precisam de seu espaço. Dona Pâmela entendia isso, e respeitava.

A garota deixou que as lágrimas escorressem livremente de seus olhos, até que pararam por conta própria. Ela remoeu os últimos acontecimentos em sua mente, para ter certeza de que não havia entendido nada errado.

Quando teve certeza de que estava certa, levantou-se decidida.

Uma atitude seria tomada.

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